INFECÇÃO POR CITOMEGALOVÍRUS NA LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA PEDIÁTRICA: CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E IMPACTO NA CONTINUIDADE DA QUIMIOTERAPIA
- 1Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), Recife, PE, Brasil
Abstract
Introdução: A infecção pelo citomegalovírus (CMV) é uma complicação bem reconhecida em pacientes pediátricos submetidos ao transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) porém sua relevância durante o tratamento da leucemia linfoblástica aguda (LLA) permanece pouco estudada. A imunossupressão associada à quimioterapia favorece a infecção ou reativação viral, com manifestações inespecíficas que podem retardar o diagnóstico e comprometer a continuidade do tratamento. Objetivo: Avaliar a ocorrência e o impacto da infecção por CMV durante o tratamento da LLA pediátrica, descrevendo características clínicas, manejo e repercussões sobre a quimioterapia. Material e Métodos: Estudo observacional, retrospectivo e descritivo, realizado em um centro de oncologia pediátrica. Foram avaliados pacientes de 0 a 18 anos em tratamento para LLA entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, identificando-se aqueles com infecção por CMV, definida pela detecção de DNA viral por PCR. Foram analisadas características da LLA, fase da quimioterapia, manifestações clínicas, parâmetros hematológicos, carga viral, tratamento antiviral, tempo para negativação do PCR, atraso da quimioterapia e recorrência. Resultados: Entre 115 pacientes em tratamento para LLA no período, 14 (12,2%) apresentaram infecção por CMV, totalizando 19 episódios. Quatro pacientes (28,6%) apresentaram recorrência: três tiveram uma recorrência e um apresentou duas. Dos 115 pacientes, 97 (84,3%) apresentavam LLA-B e 18 (15,7%), LLA-T. Entre os pacientes com CMV, 11 apresentavam LLA-B (11/97; 11,3%) e três LLA-T (3/18; 16,7%). Entre os 11 pacientes com LLA-B e CMV, cinco (45,5%) eram de alto risco, três (27,3%) de risco intermediário e três (27,3%) de baixo risco. Dos 19 episódios, 63,2% ocorreram durante a manutenção, 26,3% na indução e 10,5% na reindução. Neutropenia grave (< 500/mm³) ocorreu em 50,0% e linfopenia (< 1.000/mm³) em 42,1% dos episódios. A carga viral inicial mediana foi de 1.796 cópias/mL (371–170.837), e o tempo mediano para negativação do PCR foi de 14 dias (7–90). As manifestações foram predominantemente gastrointestinais (36,8%), hepáticas (21,1%) e pulmonares (21,1%). Tratamento antiviral foi instituído em 68,4% dos episódios; 31,6% foram inicialmente conduzidos de forma conservadora. Todos os episódios determinaram atraso da quimioterapia, com mediana de 18 dias (4–52). Discussão: A infecção por CMV foi identificada em 12,2% dos pacientes com LLA, com recorrência em 28,6% dos casos. A ocorrência predominante durante a manutenção e o atraso da quimioterapia em todos os episódios reforçam sua relevância clínica também fora do contexto do TCTH. Conclusão: A infecção por CMV mostrou-se uma complicação clinicamente relevante durante o tratamento da LLA pediátrica, com impacto na continuidade da quimioterapia. Embora classicamente associada ao TCTH, deve ser considerada no diagnóstico diferencial de pacientes com LLA em tratamento, especialmente diante de manifestações infecciosas inespecíficas e citopenias. O reconhecimento precoce pode favorecer o manejo oportuno e minimizar o impacto sobre o tratamento antineoplásico.
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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