TRANSFORMAÇÃO HISTOLÓGICA DE LINFOMA FOLICULAR PARA LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B COM REARRANJOS DE MYC E BCL2 (“DOUBLE-HIT”): RELATO DE CASO
- 1Universidade de Passo Fundo, Faculdade de Medicina (UPF), Passo Fundo, RS, Brasil
- 2Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), Santa Maria, RS, Brasil
- 3Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS, Brasil
Abstract
Introdução: O linfoma folicular (LF) é uma neoplasia de células B de comportamento predominantemente indolente, porém com risco de transformação histológica para linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), evento associado à rápida progressão e pior prognóstico. A presença concomitante de rearranjos dos genes MYC e BCL2 caracteriza um perfil molecular de alto risco, tradicionalmente denominado double-hit, associado à maior agressividade biológica e a implicações prognósticas e terapêuticas. Relato de caso: Paciente feminina, 61 anos, com diagnóstico prévio de linfoma folicular duodenal de baixo grau, apresentando imunofenótipo CD20+, CD10+, BCL2+, BCL6+ e índice proliferativo Ki-67 de 5%. Era portadora de doença de Crohn em uso de vedolizumabe. Evoluiu com dor abdominal intensa irradiada para o dorso, distensão abdominal progressiva e hiporexia, sendo identificada ascite volumosa, com melhora parcial após paracentese terapêutica. Apresentava elevação de desidrogenase lática (518 U/L), proteína C-reativa (130 mg/L) e beta-2-microglobulina (3,34 mg/L), além de hipoalbuminemia (2,1 g/dL) e anemia progressiva. A análise do líquido ascítico evidenciou população clonal de células B CD19+, CD20+, CD10+ e com restrição para cadeia leve kappa, compatível com acometimento linfomatoso. A tomografia computadorizada demonstrou ascite volumosa, espessamento peritoneal sugestivo de carcinomatose e linfonodomegalias retroperitoneais. A biópsia da região retroperitoneal confirmou LDGCB de subtipo centro germinativo. O estudo por hibridização in situ por fluorescência (FISH) demonstrou rearranjos de MYC (8q24.21) e BCL2 (18q21.33), sem rearranjo de BCL6, caracterizando perfil molecular double-hit. O PET-CT evidenciou múltiplos linfonodos hipermetabólicos acima e abaixo do diafragma, além de focos suspeitos de infiltração medular em fêmur e ilíaco esquerdos. Conclusão: A transformação do linfoma folicular para LDGCB com rearranjos de MYC e BCL2 representa evento de elevada relevância prognóstica e terapêutica. A apresentação com ascite linfomatosa pode mimetizar carcinomatose peritoneal e dificultar o diagnóstico. A progressão clínica acelerada deve motivar investigação de transformação histológica, com confirmação por biópsia e caracterização molecular por FISH. O reconhecimento dos rearranjos de MYC e BCL2 é fundamental para a identificação do perfil double-hit e adequada estratificação prognóstica e terapêutica.
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TI - TRANSFORMAÇÃO HISTOLÓGICA DE LINFOMA FOLICULAR PARA LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B COM REARRANJOS DE MYC E BCL2 (“DOUBLE-HIT”): RELATO DE CASO
AU - Fernanda Nyari ZBOROWSKI
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AB - Introdução: O linfoma folicular (LF) é uma neoplasia de células B de comportamento predominantemente indolente, porém com risco de transformação histológica para linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), evento associado à rápida progressão e pior prognóstico. A presença concomitante de rearranjos dos genes MYC e BCL2 caracteriza um perfil molecular de alto risco, tradicionalmente denominado double-hit, associado à maior agressividade biológica e a implicações prognósticas e terapêuticas. Relato de caso: Paciente feminina, 61 anos, com diagnóstico prévio de linfoma folicular duodenal de baixo grau, apresentando imunofenótipo CD20+, CD10+, BCL2+, BCL6+ e índice proliferativo Ki-67 de 5%. Era portadora de doença de Crohn em uso de vedolizumabe. Evoluiu com dor abdominal intensa irradiada para o dorso, distensão abdominal progressiva e hiporexia, sendo identificada ascite volumosa, com melhora parcial após paracentese terapêutica. Apresentava elevação de desidrogenase lática (518 U/L), proteína C-reativa (130 mg/L) e beta-2-microglobulina (3,34 mg/L), além de hipoalbuminemia (2,1 g/dL) e anemia progressiva. A análise do líquido ascítico evidenciou população clonal de células B CD19+, CD20+, CD10+ e com restrição para cadeia leve kappa, compatível com acometimento linfomatoso. A tomografia computadorizada demonstrou ascite volumosa, espessamento peritoneal sugestivo de carcinomatose e linfonodomegalias retroperitoneais. A biópsia da região retroperitoneal confirmou LDGCB de subtipo centro germinativo. O estudo por hibridização in situ por fluorescência (FISH) demonstrou rearranjos de MYC (8q24.21) e BCL2 (18q21.33), sem rearranjo de BCL6, caracterizando perfil molecular double-hit. O PET-CT evidenciou múltiplos linfonodos hipermetabólicos acima e abaixo do diafragma, além de focos suspeitos de infiltração medular em fêmur e ilíaco esquerdos. Conclusão: A transformação do linfoma folicular para LDGCB com rearranjos de MYC e BCL2 representa evento de elevada relevância prognóstica e terapêutica. A apresentação com ascite linfomatosa pode mimetizar carcinomatose peritoneal e dificultar o diagnóstico. A progressão clínica acelerada deve motivar investigação de transformação histológica, com confirmação por biópsia e caracterização molecular por FISH. O reconhecimento dos rearranjos de MYC e BCL2 é fundamental para a identificação do perfil double-hit e adequada estratificação prognóstica e terapêutica.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -