SAÚDE MUSCULOESQUELÉTICA NA ATENÇÃO ÀS PESSOAS COM HEMOFILIA NO BRASIL: ANÁLISE DOCUMENTAL COM ÊNFASE NA SAÚDE ÓSSEA
- 1Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, PE, Brasil
Abstract
Introdução: A hemofilia está associada a sangramentos musculoesqueléticos recorrentes, especialmente hemartroses, que podem evoluir para artropatia, dor, limitação funcional e incapacidade. Embora a proteção articular constitua eixo tradicional do cuidado, pessoas com hemofilia também apresentam risco aumentado de baixa densidade mineral óssea. Entretanto, não está claro em que medida documentos técnicos brasileiros incorporam a saúde óssea ao cuidado musculoesquelético. Objetivo: Analisar como documentos técnicos brasileiros relacionados à atenção às pessoas com hemofilia abordam a saúde musculoesquelética, com ênfase no grau de incorporação e operacionalização das recomendações referentes à saúde óssea sistêmica. Métodos: Estudo documental, exploratório, descritivo e analítico. Foi realizada busca estruturada de literatura cinzenta em fontes institucionais brasileiras, incluindo portais do Ministério da Saúde, Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde, secretarias estaduais e distrital de saúde, hemocentros públicos, hospitais universitários e Google com restrição a domínios governamentais e institucionais. Foram incluídos manuais, protocolos, linhas de cuidado e procedimentos assistenciais de acesso público, com conteúdo relacionado à hemofilia e ao cuidado musculoesquelético. Sete documentos publicados entre 2011 e 2025 compuseram o corpus. Os conteúdos foram organizados em categorias temáticas e classificados como ausentes, menções gerais ou recomendações operacionais. Resultados: Hemartrose, artropatia hemofílica, profilaxia, avaliação articular e funcional, fisioterapia e reabilitação foram abordadas de forma recorrente, frequentemente com critérios clínicos, instrumentos, periodicidade ou atribuições profissionais. Em contraste, referências à saúde óssea sistêmica foram identificadas em três documentos e, em geral, restringiram-se ao reconhecimento da osteoporose ou de alterações relacionadas ao desuso. Não foram identificadas recomendações uniformes sobre indicação de densitometria, periodicidade de avaliação, monitoramento de vitamina D, orientação sobre cálcio ou avaliação do risco de fraturas. Conclusão: Os documentos brasileiros analisados apresentam maior grau de operacionalização do cuidado articular e funcional do que da saúde óssea sistêmica. Os achados apontam oportunidade de ampliar o cuidado musculoesquelético na hemofilia, integrando à proteção articular estratégias mais explícitas de avaliação e promoção da saúde óssea ao longo da vida.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A hemofilia está associada a sangramentos musculoesqueléticos recorrentes, especialmente hemartroses, que podem evoluir para artropatia, dor, limitação funcional e incapacidade. Embora a proteção articular constitua eixo tradicional do cuidado, pessoas com hemofilia também apresentam risco aumentado de baixa densidade mineral óssea. Entretanto, não está claro em que medida documentos técnicos brasileiros incorporam a saúde óssea ao cuidado musculoesquelético. Objetivo: Analisar como documentos técnicos brasileiros relacionados à atenção às pessoas com hemofilia abordam a saúde musculoesquelética, com ênfase no grau de incorporação e operacionalização das recomendações referentes à saúde óssea sistêmica. Métodos: Estudo documental, exploratório, descritivo e analítico. Foi realizada busca estruturada de literatura cinzenta em fontes institucionais brasileiras, incluindo portais do Ministério da Saúde, Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde, secretarias estaduais e distrital de saúde, hemocentros públicos, hospitais universitários e Google com restrição a domínios governamentais e institucionais. Foram incluídos manuais, protocolos, linhas de cuidado e procedimentos assistenciais de acesso público, com conteúdo relacionado à hemofilia e ao cuidado musculoesquelético. Sete documentos publicados entre 2011 e 2025 compuseram o corpus. Os conteúdos foram organizados em categorias temáticas e classificados como ausentes, menções gerais ou recomendações operacionais. Resultados: Hemartrose, artropatia hemofílica, profilaxia, avaliação articular e funcional, fisioterapia e reabilitação foram abordadas de forma recorrente, frequentemente com critérios clínicos, instrumentos, periodicidade ou atribuições profissionais. Em contraste, referências à saúde óssea sistêmica foram identificadas em três documentos e, em geral, restringiram-se ao reconhecimento da osteoporose ou de alterações relacionadas ao desuso. Não foram identificadas recomendações uniformes sobre indicação de densitometria, periodicidade de avaliação, monitoramento de vitamina D, orientação sobre cálcio ou avaliação do risco de fraturas. Conclusão: Os documentos brasileiros analisados apresentam maior grau de operacionalização do cuidado articular e funcional do que da saúde óssea sistêmica. Os achados apontam oportunidade de ampliar o cuidado musculoesquelético na hemofilia, integrando à proteção articular estratégias mais explícitas de avaliação e promoção da saúde óssea ao longo da vida.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -