LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA COM INVERSÃO DO CROMOSSOMO 16 TRATADA COM AZACITIDINA E VENETOCLAX EM REMISSÃO SUSTENTADA HÁ CERCA DE 30 MESES
4 affiliations
- 1Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (FCMS PUC-SP), Sorocaba, SP, Brasil
- 2Conjunto Hospitalar de Sorocaba/Seconci, Sorocaba, SP, Brasil
- 3PS Jardim D'Abril, Sorocaba, SP, Brasil
- 4Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC-SP, Sorocaba, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é caracterizada pela proliferação clonal de blastos mieloides. O avanço da idade, associado a múltiplas comorbidades, torna a quimioterapia intensiva inelegível para pacientes fragilizados. Nesses casos, a associação de venetoclax e azacitidina aumenta a sobrevida global e as taxas de remissão com menor toxicidade. Anormalidades citogenéticas são fatores prognósticos importantes, como a trissomia do 22 associada à inv(16), relacionada à melhora da sobrevida e ausência de recaídas. A Doença Residual Mensurável (DRM) também apresenta valor prognóstico, sendo sua negatividade associada a maior chance de remissão. Objetivo: Relatar remissão sustentada há cerca de 30 meses em paciente idoso com LMA inv(16), tratado com azacitidina e venetoclax, alcançando doença residual mínima indetectável. Relato de caso: Homem, 73 anos, hipertenso, diabético e dislipidêmico, com antecedente de exposição ocupacional a pesticidas. Encaminhado para investigação de anemia grave, plaquetopenia e sintomas constitucionais (astenia, febre, inapetência e perda ponderal). Na admissão: Hb 6,7 g/dL, leucócitos 6.300/mm³ com 46% de blastos circulantes e plaquetas 30.000/mm³. A imunofenotipagem evidenciou 30,5% de blastos compatíveis com LMA e o cariótipo demonstrou 47,XY,inv(16)(p13.1q22)+22[20], confirmando LMA com cariótipo favorável. Iniciou tratamento com esquema POMP, evoluindo no primeiro ciclo com neutropenia febril, pancitopenia persistente e culturas negativas, tratado com Cefepime e Filgrastim. Devido à persistência da doença, o tratamento foi substituído por citarabina subcutânea. Iniciou azacitidina associada ao venetoclax, com internação para monitoramento do ramp-up. Um mês depois apresentou DRM indetectável. Durante o seguimento, realizou ciclos sucessivos de azacitidina e venetoclax, com substituição temporária por citarabina e interrupções ocasionais do venetoclax por indisponibilidade do medicamento e citopenias transitórias. Optou por não realizar transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) devido à excelente resposta e ao risco do procedimento. Após dois anos e meio de seguimento, permanece em acompanhamento ambulatorial, assintomático, sem recorrência de infecções graves e com resposta hematológica sustentada (Hb 13,2 g/dL, leucócitos 3.250/mm³, neutrófilos 2.210/mm³ e plaquetas 133.000/mm³). Discussão: O caso é consistente com os achados do estudo VIALE-A, que demonstrou benefício da associação azacitidina-venetoclax em pacientes idosos e com comorbidades, inelegíveis à quimioterapia intensiva. A negatividade da DRM nos primeiros meses é fator prognóstico associado a menor risco de recaída, respaldando a manutenção de terapia menos intensiva em detrimento do TCTH alogênico, procedimento de alto risco nessa faixa etária. Destaca-se a manutenção da resposta por mais de dois anos, apesar de interrupções terapêuticas decorrentes de citopenias transitórias e indisponibilidade do medicamento, sugerindo que a citogenética favorável associada à DRM indetectável conferiu tolerância às interrupções do tratamento. Conclusão: O caso reforça a eficácia da associação azacitidina-venetoclax em pacientes idosos com múltiplas comorbidades, com tratamento bem tolerado, mesmo diante de citopenias transitórias. Isso permitiu postergar o TCTH, evidenciando que, em pacientes selecionados, essa estratégia pode representar alternativa eficaz e menos invasiva.
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -