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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

O IMPACTO DE MÉTODOS APRIMORADOS DE IDENTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE EVENTOS INFECCIOSOS EM REGISTROS BRASILEIROS: ESTUDO DE VIABILIDADE A PARTIR DO REGISTRO BRASILEIRO DE LLC

19 more authors
27 affiliations
  1. 1Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil
  2. 2Hospital de Transplantes Euryclides de J. Zerbini, São Paulo, SP, Brasil
  3. 3AC Camargo Cancer Center, São Paulo, SP, Brasil
  4. 4Hospital Amaral Carvalho, Jaú, SP, Brasil
  5. 5Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), São Paulo, SP, Brasil
  6. 6Hemocentro São Lucas, São Paulo, SP, Brasil
  7. 7Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
  8. 8Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, SP, Brasil
  9. 9Hospital Universitário Pedro Ernesto, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  10. 10Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre, RS, Brasil
  11. 11Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil
  12. 12Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  13. 13Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, São Paulo, SP, Brasil
  14. 14Hospital Ophir Loyola, Universidade do Estado do Pará (UEPA), Belém, PA, Brasil
  15. 15Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil
  16. 16Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP, Brasil
  17. 17Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  18. 18Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (HEMOPE), Recife, PE, Brasil
  19. 19Grupo Oncoclínicas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  20. 20Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, SP, Brasil
  21. 21ETICA - Ensino e Terapia de Inovação Clínica AMO, Salvador, BA, Brasil
  22. 22Hospital Governador Israel Pinheiro do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
  23. 23Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
  24. 24Einstein Hospital Israelita, São Paulo, SP, Brasil
  25. 25Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  26. 26Hospital Samaritano, São Paulo, SP, Brasil
  27. 27Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil; Hospital Nove de Julho/Rede Américas, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: As complicações infecciosas representam importante causa de morbidade/mortalidade na onco-hematologia, como na leucemia linfocítica crônica (LLC). porém registros de vida real frequentemente as documentam como eventos adversos inespecíficos, limitando sua caracterização. Avaliamos a viabilidade de aprimorar a identificação de infecções no Registro Brasileiro de LLC por meio da análise sistemática de campos narrativos. Métodos: Foram analisados retrospectivamente 1.078 pacientes com LLC de 46 centros brasileiros, entre janeiro de 2016 e abril de 2026 (idade mediana, 63,8 anos; 59% homens; seguimento mediano, 51,1 meses). Entre 792 variáveis, o único campo estruturado para infecção era uma caixa de seleção vinculada à linha de tratamento, sem informações sobre sítio, agente, gravidade ou evidência diagnóstica. Desenvolveu-se algoritmo bilíngue baseado em regras, contendo 351 termos distribuídos em 12 categorias anatômicas e etiológicas, aplicado a 15 campos narrativos de eventos adversos, toxicidades e causas de óbito. Regras contextuais consideraram negação, infecção pregressa, profilaxia, ambiguidade e gravidade. Dados estruturados e narrativos foram comparados no nível do paciente. A infecção foi modelada como exposição dependente do tempo, com análises landmark em 6, 12 e 24 meses e modelo de Cox de Andersen-Gill. Todos os eventos foram considerados sinais pré-validaçao, sem confirmação microbiológica ou radiológica. Resultados: O campo estruturado identificou 341 pacientes (31,6%), enquanto a análise narrativa identificou 412 (38,2%), incluindo 93 sem qualquer registro de infecção no campo estruturado. Combinados, os métodos identificaram 434 pacientes (40,3%). Assim, o campo estruturado deixou de reconhecer 22,6% dos pacientes com infecção documentada, aproximadamente 1 em cada 5 casos. Entre 450 episódios associados a linhas terapêuticas, predominavam eventos pulmonares (167), virais (107), gastrointestinais (70), de trato respiratório superior (64), corrente sanguínea/sepse (62) e urinários (60). Infecções fúngicas (29) e pneumocistose (3) concentraram-se em linhas avançadas: 41% e 67%, respectivamente, ocorreram a partir da terceira linha. A proporção de pacientes com pelo menos uma infecção aumentou de 24% na primeira para 42% na quarta linha. Termos relacionados a infecção estavam presentes em 161/248 (64,9%) narrativas de óbito, principalmente corrente sanguínea/sepse (66/161). Infecção prévia associou-se a pior sobrevida nos landmarks de 6 (p = 0,0039), 12 (p = 1,1×10⁻⁵) e 24 meses (p = 4,4×10⁻⁹). No modelo dependente do tempo, infecção documentada associou-se à mortalidade após ajuste para idade, sexo, estágio de Binet e setor de saúde (HR ajustado, 4,33; IC95%, 3,26–5,77). Menor albumina basal associou-se à mortalidade global (p = 0,0035) e relacionada à infecção (p = 0,0021), enquanto o menor estrato de IgA apresentou maior incidência de infecção (63,2%) e mortalidade relacionada à infecção (30,9%; ambos p < 0,05). Conclusão: A combinação de dados estruturados e narrativos ampliou substancialmente a identificação de eventos infecciosos no Registro Brasileiro de LLC, recuperando 93 pacientes que seriam classificados como não infectados. Além de revelar subnotificação relevante, a estratégia identificou aumento da carga infecciosa em linhas terapêuticas avançadas e forte associação entre infecção e mortalidade. Os achados sustentam módulos específicos e prospectivos para eventos infecciosos nos sistemas de registros nacionais.

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SN  - 2531-1379
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