MUCOSITE LIQUENOIDE ASSOCIADA AO USO DE PEMBROLIZUMABE EM PACIENTE COM LINFOMA DE HODGKIN: RELATO DE CASO
- 1Hospital Estadual Mário Covas, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
O pembrolizumabe, anticorpo monoclonal humanizado anti PD 1 que bloqueia a interação entre PD 1 e seus ligantes PD L1/PD L2 (Programmed Death-Ligand), revolucionou o tratamento do linfoma de Hodgkin refratário, restaurando a resposta imunológica antitumoral, com resposta clínica potencialmente duradoura, mesmo após interrupção do tratamento. Contudo, a intensificação da resposta imunológica promovida pelo pembrolizumabe pode desencadear eventos adversos imunomediados (irAE), decorrentes da perda parcial dos mecanismos de autotolerância, com potencial acometimento de múltiplos sistemas. As lesões orais associadas aos inibidores de checkpoints imunológicos, como o pembrolizumabe, permanecem sub-representadas, apresentando desafio diagnóstico significativo. Dentre estas lesões, podemos citar: lesões liquenoides, penfigóide de membranas mucosas e mucosite, comprometendo integridade mucosa e qualidade de vida. A heterogeneidade apresentada pelas manifestações orais provavelmente reflete diferenças individuais na susceptibilidade imunológica, carga antigênica, variações genéticas e história prévia de respostas imunológicas anormais. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino, 39 anos, com linfoma de Hodgkin refratário tratado com múltiplas linhas de quimioterapia (ABVD, ICE, IGEV, GEMDOX) sem resposta, iniciou terapia com pembrolizumabe em dezembro de 2024. Aproximadamente vinte dias após a infusão, apresentou edema labial, disfagia e dificuldade de abertura bucal, evoluindo rapidamente para úlceras extensas com padrão liquenoide acometendo mucosa labial, jugal, língua e assoalho bucal, impedindo a alimentação, fonação e deglutição. A exclusão sistemática de etiologias alternativas ‒ através de PCR negativa para Herpes Simples tipo I e II e Citomegalovírus, ausência de resposta a antivirais e intervalo temporal excludente de mucosite convencional ‒ permitiu confirmar o quadro de evento adverso imunomediado (irAE) oral. O tratamento com corticosteroides sistêmicos e tópicos (bochechos com dexametasona 0,1 mg/mL, 10 mL, quatro vezes ao dia), além de fotobiomodulação com finalidade analgésica, promoveu resolução completa das lesões, possibilitando reintrodução bem-sucedida do pembrolizumabe. Este caso reforça que lesões orais liquenoides imunomediadas constituem manifestação clínica relevante do pembrolizumabe, exigindo diagnóstico diferencial cuidadoso. O manejo das manifestações orais associadas aos inibidores de checkpoints imunológicos, como o pembrolizumabe, frequentemente não requer suspensão total da imunoterapia oncológica. Na maioria dos casos, o tratamento baseia-se em interrupção temporária do medicamento associada a corticosteroides tópicos e sistêmicos, estratégia que demonstra eficácia na redução da sintomatologia e regressão das lesões. Em situações mais severas, caracterizadas por extensão significativa das lesões ou impacto importante na qualidade de vida, pode ser necessária utilização de imunossupressores adicionais, conforme avaliação clínica multidisciplinar. A integração obrigatória da odontologia nas equipes oncológicas é essencial para identificação precoce, manejo adequado e vigilância de irAEs orais, melhorando desfechos clínicos e otimizando o benefício da imunoterapia antineoplásica.
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AU - Nathalie Pepe Medeiros REZENDE
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108295
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AB - O pembrolizumabe, anticorpo monoclonal humanizado anti PD 1 que bloqueia a interação entre PD 1 e seus ligantes PD L1/PD L2 (Programmed Death-Ligand), revolucionou o tratamento do linfoma de Hodgkin refratário, restaurando a resposta imunológica antitumoral, com resposta clínica potencialmente duradoura, mesmo após interrupção do tratamento. Contudo, a intensificação da resposta imunológica promovida pelo pembrolizumabe pode desencadear eventos adversos imunomediados (irAE), decorrentes da perda parcial dos mecanismos de autotolerância, com potencial acometimento de múltiplos sistemas. As lesões orais associadas aos inibidores de checkpoints imunológicos, como o pembrolizumabe, permanecem sub-representadas, apresentando desafio diagnóstico significativo. Dentre estas lesões, podemos citar: lesões liquenoides, penfigóide de membranas mucosas e mucosite, comprometendo integridade mucosa e qualidade de vida. A heterogeneidade apresentada pelas manifestações orais provavelmente reflete diferenças individuais na susceptibilidade imunológica, carga antigênica, variações genéticas e história prévia de respostas imunológicas anormais. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino, 39 anos, com linfoma de Hodgkin refratário tratado com múltiplas linhas de quimioterapia (ABVD, ICE, IGEV, GEMDOX) sem resposta, iniciou terapia com pembrolizumabe em dezembro de 2024. Aproximadamente vinte dias após a infusão, apresentou edema labial, disfagia e dificuldade de abertura bucal, evoluindo rapidamente para úlceras extensas com padrão liquenoide acometendo mucosa labial, jugal, língua e assoalho bucal, impedindo a alimentação, fonação e deglutição. A exclusão sistemática de etiologias alternativas ‒ através de PCR negativa para Herpes Simples tipo I e II e Citomegalovírus, ausência de resposta a antivirais e intervalo temporal excludente de mucosite convencional ‒ permitiu confirmar o quadro de evento adverso imunomediado (irAE) oral. O tratamento com corticosteroides sistêmicos e tópicos (bochechos com dexametasona 0,1 mg/mL, 10 mL, quatro vezes ao dia), além de fotobiomodulação com finalidade analgésica, promoveu resolução completa das lesões, possibilitando reintrodução bem-sucedida do pembrolizumabe. Este caso reforça que lesões orais liquenoides imunomediadas constituem manifestação clínica relevante do pembrolizumabe, exigindo diagnóstico diferencial cuidadoso. O manejo das manifestações orais associadas aos inibidores de checkpoints imunológicos, como o pembrolizumabe, frequentemente não requer suspensão total da imunoterapia oncológica. Na maioria dos casos, o tratamento baseia-se em interrupção temporária do medicamento associada a corticosteroides tópicos e sistêmicos, estratégia que demonstra eficácia na redução da sintomatologia e regressão das lesões. Em situações mais severas, caracterizadas por extensão significativa das lesões ou impacto importante na qualidade de vida, pode ser necessária utilização de imunossupressores adicionais, conforme avaliação clínica multidisciplinar. A integração obrigatória da odontologia nas equipes oncológicas é essencial para identificação precoce, manejo adequado e vigilância de irAEs orais, melhorando desfechos clínicos e otimizando o benefício da imunoterapia antineoplásica.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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