Skip to content
DraconiticResearch
Search Sources API
197,788 studies31 sourcesUpdated 54 min ago
Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

COAGULOPATIA NO ACIDENTE ESCORPIÔNICO: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS E DESFECHOS CLÍNICOS

1 more authors
11 affiliations
  1. 1Universidade do Estado do Pará (UEPA), Santarém, PA, Brasil
  2. 2Universidade Comunitária da Região de Chapecó, Chapecó, SC, Brasil
  3. 3Faculdade de Ciências da Saúde de São José do Rio Preto, São José do Rio Preto, SP, Brasil
  4. 4Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma, SC, Brasil
  5. 5Faculdades Pequeno Príncipe, Curitiba, PR, Brasil
  6. 6Universidade de São Caetano do Sul, São Paulo, SP, Brasil
  7. 7Universidade do Oeste de Santa Catarina, Joaçaba, SC, Brasil
  8. 8Universidade Nove de Julho, São Paulo, SP, Brasil
  9. 9Afya Faculdade de Ciências Médicas do Cruzeiro do Sul, Cruzeiro do Sul, AC, Brasil
  10. 10Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Santarém, PA, Brasil
  11. 11Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, Brasília, DF, Brasil

Abstract

Introdução: O acidente escorpiônico é um importante problema de saúde pública, especialmente em países tropicais como o Brasil. Embora as manifestações cardiovasculares e neurológicas sejam bem reconhecidas, a fisiopatologia e a relevância clínica da coagulopatia induzida pelo veneno permanecem pouco esclarecidas, apesar do potencial impacto na morbidade, mortalidade e gravidade clínica. A heterogeneidade das evidências disponíveis justifica esta revisão sistemática. Objetivo: Sintetizar as evidências sobre coagulopatia associada ao acidente escorpiônico, avaliando mecanismos fisiopatológicos, alterações hemostáticas, relação com gravidade clínica e desfechos. Metodologia: Revisão sistemática conduzida conforme as recomendações PRISMA. A busca foi realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Scopus, Web of Science e LILACS, utilizando descritores e termos livres relacionados a “escorpião”, “coagulopatia” e “alterações da coagulação”, incluindo estudos publicados até 28 de julho de 2026, sem restrição de idioma. Foram incluídos estudos originais clínicos e experimentais (in vitro e in vivo) que avaliaram alterações hemostáticas, parâmetros laboratoriais da coagulação ou desfechos clínicos, incluindo eventos hemorrágicos e trombóticos, transfusão, internação em UTI e óbito. Foram excluídas revisões sem dados originais, estudos de farmacologia ou bioprospecção sem avaliação da hemostasia e estudos sem relação com a questão de pesquisa. Resultados: A busca identificou 557 registros, dos quais quatro estudos (2021-2025) foram incluídos, provenientes da Austrália, Venezuela, Argélia e Irã, contemplando modelos experimentais in vitro e in vivo e uma coorte clínica retrospectiva com 799 pacientes. Apesar da heterogeneidade metodológica, os achados convergiram para alterações hemostáticas associadas à ativação de vias pró-coagulantes, lesão endotelial e resposta inflamatória sistêmica. Ensaios in vitro demonstraram atividade pró-coagulante dos venenos do gênero Androctonus por ativação direta dos fatores VII e X, dependente do fator Va, neutralizada por inibidores de metaloproteases, mas não pelo antiveneno comercial. Em modelos in vivo, Danio rerio apresentou trombose microvascular, redução do fluxo sanguíneo, hemorragias e coagulação intravascular disseminada (CID), associadas à elevada mortalidade. Em modelo murino, o bortezomibe reduziu estresse oxidativo, hiperpermeabilidade vascular e inflamação, reforçando o papel da lesão endotelial na fisiopatologia da coagulopatia. Clinicamente, pacientes com escorpionismo grave apresentaram prolongamento do tempo de protrombina, alterações hematológicas e piores desfechos, incluindo internação em UTI (12,3%) e dois óbitos. Os achados sugerem fisiopatogênese multifatorial envolvendo toxicidade direta do veneno, disfunção endotelial e ativação inflamatória sistêmica. Conclusão: As evidências disponíveis sugerem que o envenenamento escorpiônico pode desencadear coagulopatia por mecanismos tóxicos, inflamatórios e endoteliais interdependentes, contribuindo para maior gravidade clínica. Os efeitos variaram conforme a espécie, modelo experimental e intervenção avaliada. Inibidores de metaloproteases e bortezomibe apresentaram potencial terapêutico, enquanto o antiveneno comercial não neutralizou a atividade pró-coagulante induzida pelo veneno. Esses achados reforçam a importância da avaliação precoce da hemostasia e a necessidade de estudos prospectivos para validar estratégias terapêuticas específicas.

Related

  1. COAGULOPATIA E TROMBOCITOPENIA NA INFECÇÃO PELO VÍRUS CHIKUNGUYA: INTERAÇÃO ENTRE MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS E APRESENTAÇÃO CLÍNICA
    Isadora Almeida Lima SANTOS, Maykon Anderson Pires DE NOVAIS
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  2. TERAPIA COM LINFÓCITOS T COM RECEPTOR DE ANTÍGENO QUIMÉRICO EM NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS DESFECHOS CLÍNICOS
    Thammirys Cristiane Miranda LEITE, Arthur Henrique de Alencar QUIRINO, Marcos Vinícius MARTINS +10
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textOncologyDOAJ
  3. Psychoeducational interventions for children and adolescents with potentially traumatic experiences: a systematic review Intervenciones psicoeducactivas para niños y adolescentes con experiencias potencialmente traumáticas: una revisión sistemática
    Alison Crivelli, Katharina Beck, Süheyla Seker +2
    European journal of psychotraumatologyPeer-reviewedCC BY-NCFull textPsychiatry & mental healthEurope PMC
  4. COAGULOPATIA HEMORRÁGICA SECUNDÁRIA À AMILOIDOSE AL E MIELOMA MÚLTIPLO DE CADEIA LEVE REVELANDO HEMOFILIA B HEREDITÁRIA PRÉVIA: UM RELATO DE CASO
    Arthur José Soares SILVA, Rodrigo Manhães Alves RODRIGUES, Santhyennison Do Nascimento RODRIGUES +4
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  5. COAGULOPATIA RARA NO MIELOMA MÚLTIPLO: UM CASO DE HEMOFILIA A ADQUIRIDA EM PACIENTE IDOSA
    Leticia Linhares PESSOA, Luana Taise BEZERRA, Rodrigo Gadelha MARANHÃO +5
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
BibTeX
@article{leite2026coagulopatia,
  title = {{COAGULOPATIA NO ACIDENTE ESCORPIÔNICO: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS E DESFECHOS CLÍNICOS}},
  author = {Thammirys Cristiane Miranda LEITE and Clara Sofia da Silva OLIVEIRA and Carlos Eduardo LEHNEN and Isadora BERTONHA and Vitória Formentin ASSIS and Vitória Gabrielle VENTURA and Giulia Alves dos Santos SANTOS and Ana Laura PIRES and Gabriela Cristina LOBATO and Hadassa Tonussi Rossette VALLE and Sândrea Ozane Carmo QUEIROZ and Bianca Victoria Resende ALMEIDA and Kalysta Oliveira Resende BORGES},
  journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
  year = {2026},
  month = oct,
  doi = {10.1016/j.htct.2026.107994},
  url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107994},
  note = {CC BY},
}
RIS
TY  - JOUR
TI  - COAGULOPATIA NO ACIDENTE ESCORPIÔNICO: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS E DESFECHOS CLÍNICOS
AU  - Thammirys Cristiane Miranda LEITE
AU  - Clara Sofia da Silva OLIVEIRA
AU  - Carlos Eduardo LEHNEN
AU  - Isadora BERTONHA
AU  - Vitória Formentin ASSIS
AU  - Vitória Gabrielle VENTURA
AU  - Giulia Alves dos Santos SANTOS
AU  - Ana Laura PIRES
AU  - Gabriela Cristina LOBATO
AU  - Hadassa Tonussi Rossette VALLE
AU  - Sândrea Ozane Carmo QUEIROZ
AU  - Bianca Victoria Resende ALMEIDA
AU  - Kalysta Oliveira Resende BORGES
PY  - 2026
DA  - 2026/10/23
JO  - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO  - 10.1016/j.htct.2026.107994
UR  - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107994
AB  - Introdução: O acidente escorpiônico é um importante problema de saúde pública, especialmente em países tropicais como o Brasil. Embora as manifestações cardiovasculares e neurológicas sejam bem reconhecidas, a fisiopatologia e a relevância clínica da coagulopatia induzida pelo veneno permanecem pouco esclarecidas, apesar do potencial impacto na morbidade, mortalidade e gravidade clínica. A heterogeneidade das evidências disponíveis justifica esta revisão sistemática. Objetivo: Sintetizar as evidências sobre coagulopatia associada ao acidente escorpiônico, avaliando mecanismos fisiopatológicos, alterações hemostáticas, relação com gravidade clínica e desfechos. Metodologia: Revisão sistemática conduzida conforme as recomendações PRISMA. A busca foi realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Scopus, Web of Science e LILACS, utilizando descritores e termos livres relacionados a “escorpião”, “coagulopatia” e “alterações da coagulação”, incluindo estudos publicados até 28 de julho de 2026, sem restrição de idioma. Foram incluídos estudos originais clínicos e experimentais (in vitro e in vivo) que avaliaram alterações hemostáticas, parâmetros laboratoriais da coagulação ou desfechos clínicos, incluindo eventos hemorrágicos e trombóticos, transfusão, internação em UTI e óbito. Foram excluídas revisões sem dados originais, estudos de farmacologia ou bioprospecção sem avaliação da hemostasia e estudos sem relação com a questão de pesquisa. Resultados: A busca identificou 557 registros, dos quais quatro estudos (2021-2025) foram incluídos, provenientes da Austrália, Venezuela, Argélia e Irã, contemplando modelos experimentais in vitro e in vivo e uma coorte clínica retrospectiva com 799 pacientes. Apesar da heterogeneidade metodológica, os achados convergiram para alterações hemostáticas associadas à ativação de vias pró-coagulantes, lesão endotelial e resposta inflamatória sistêmica. Ensaios in vitro demonstraram atividade pró-coagulante dos venenos do gênero Androctonus por ativação direta dos fatores VII e X, dependente do fator Va, neutralizada por inibidores de metaloproteases, mas não pelo antiveneno comercial. Em modelos in vivo, Danio rerio apresentou trombose microvascular, redução do fluxo sanguíneo, hemorragias e coagulação intravascular disseminada (CID), associadas à elevada mortalidade. Em modelo murino, o bortezomibe reduziu estresse oxidativo, hiperpermeabilidade vascular e inflamação, reforçando o papel da lesão endotelial na fisiopatologia da coagulopatia. Clinicamente, pacientes com escorpionismo grave apresentaram prolongamento do tempo de protrombina, alterações hematológicas e piores desfechos, incluindo internação em UTI (12,3%) e dois óbitos. Os achados sugerem fisiopatogênese multifatorial envolvendo toxicidade direta do veneno, disfunção endotelial e ativação inflamatória sistêmica. Conclusão: As evidências disponíveis sugerem que o envenenamento escorpiônico pode desencadear coagulopatia por mecanismos tóxicos, inflamatórios e endoteliais interdependentes, contribuindo para maior gravidade clínica. Os efeitos variaram conforme a espécie, modelo experimental e intervenção avaliada. Inibidores de metaloproteases e bortezomibe apresentaram potencial terapêutico, enquanto o antiveneno comercial não neutralizou a atividade pró-coagulante induzida pelo veneno. Esses achados reforçam a importância da avaliação precoce da hemostasia e a necessidade de estudos prospectivos para validar estratégias terapêuticas específicas.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -