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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

MANIFESTAÇÃO BUCAL DE LINFOMA DE BURKITT EM PACIENTE COM VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA ‒ HIV: O PAPEL DA ODONTOLOGIA NO DIAGNÓSTICO

  1. 1Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HEMOAM), Manaus, AM, Brasil
  2. 2Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Manaus, AM, Brasil
  3. 3Prática Privada, Manaus, AM, Brasil

Abstract

O Linfoma de Burkitt (LB) é um linfoma não Hodgkin de células B altamente agressivo, caracterizado por uma taxa proliferativa excepcionalmente elevada, historicamente associada a um tempo de duplicação celular próximo de 24 horas, decorrente, em grande parte, da desregulação do oncogene c-MYC. Em pacientes com HIV, o LB é uma das neoplasias definidoras de AIDS, frequentemente acometendo sítios extranodais. Em boca, sua progressão rápida pode mimetizar patologias odontogênicas, retardando o diagnóstico e o tratamento. Relata-se um caso clínico de Linfoma de Burkitt (LB) em paciente imunodeprimido, destacando a rápida evolução clínica e a importância da correlação entre achados bucais e exames laboratoriais. Paciente feminina, 35 anos, buscou assistência odontológica, devido a uma “hiperplasia gengival” de crescimento gradual em maxila, sendo submetida a antibioticoterapia. Sem melhora clínica, procurou atendimento em pronto-socorro, onde recebeu novo antibioticoterapia. Em dois meses, evolui com dor intensa e edema facial progressivo. Diante da persistência e do agravamento, foi realizada biópsia incisional, cujo exame histopatológico evidenciou infiltrado de células linfoides monomórficas, numerosas mitoses e padrão em “céu estrelado”, achados compatíveis com LB. A partir desse resultado, a paciente foi encaminhada a um hospital de referência em onco-hematologia, aproximadamente três meses após o início dos primeiros sintomas. Ao exame físico, apresentava edema extenso em hemiface esquerda. No exame intraoral, observou-se massa exofítica e multinodular de coloração vermelho-arroxeada, envolvendo gengiva e palato duro esquerdo, por vez recoberta por placas brancas, além de mobilidade dos dentes 44, 45 e parestesia mandibular esquerda. Exames de imagem evidenciaram rarefação óssea e ocupação do seio maxilar esquerdo. O estudo de imuno-histoquímica revelou alto índice mitótico, com positividade difusa para marcadores CD20 e CD10 e inconclusivo para c-MYC e BCL-2. Testes sorológicos confirmaram infecção pelo HIV, informação ocultada durante a anamnese pela paciente, que posteriormente admitiu viver com o vírus há 12 anos, mas que havia abandonado o tratamento antirretroviral (TARV). O estadiamento foi instituído em estádio III, sendo iniciado o protocolo de tratamento R-CHOP e reintrodução da TARV. Houve regressão de aproximadamente 70% da massa tumoral após o primeiro ciclo, com remissão completa depois de 9 meses. A evolução clínica em menos de 90 dias, reforça a natureza fulminante do LB, ademais o período sem terapia antiretroviral constitui um importante agravante, uma vez que a imunossupressão associada ao HIV está relacionada ao desenvolvimento e a progressão de linfomas agressivos, como o LB. A intervenção da Odontologia foi crucial ao correlacionar os achados bucais com a necessidade de investigação imunológica. O conjunto dos achados clínicos, histopatológico, imuno-histoquímica, associado a evolução clínica da paciente, corroboraram com o diagnóstico. A atuação multiprofissional, iniciada pelo reconhecimento precoce das manifestações bucais, possibilitou o tratamento e um desfecho clínico favorável, evidenciada pela regressão e remissão tumoral completa. Neste contexto, o cirurgião-dentista exerceu função fundamental na identificação de atipias clínicas, imunológicas e laboratoriais, contribuindo para o diagnóstico de uma condição sistêmica subjacente. Agradecimentos: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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