PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA TROMBÓTICA REFRATÁRIA TRATADA COM RITUXIMABE: ANÁLISE COMPARATIVA DE TRÊS CASOS E DOS FATORES ASSOCIADOS AO PROGNÓSTICO
- 1Serviço de Hemoterapia, Hospital São Vicente de Paulo; Faculdade de Medicina, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RS, Brasil
- 2Faculdade de Medicina, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RS, Brasil
- 3Serviço de Hemoterapia, Hospital São Vicente de Paulo, Passo Fundo, RS, Brasil
Abstract
Introdução: A púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) é uma microangiopatia trombótica potencialmente fatal caracterizada por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e isquemia de órgãos-alvo. A plasmaférese terapêutica associada aos corticosteroides constitui o tratamento padrão, enquanto o rituximabe vem sendo incorporado precocemente em pacientes com PTT imunomediada, sobretudo na presença de refratariedade ou doenças autoimunes associadas. Evidências recentes sugerem que a introdução precoce da imunossupressão pode reduzir recaídas e acelerar a remissão. Objetivo: Analisar três casos de PTT refratária tratados com rituximabe, avaliando o impacto da introdução da imunoterapia e do número de sessões de plasmaférese sobre os desfechos clínicos. Métodos: Análise retrospectiva de três casos de PTT refratária com uso de rituximabe acompanhados em um serviço de hemoterapia do sul do Brasil. Foram analisadas manifestações clínicas e laboratoriais, presença de doença autoimune associada, número de sessões de plasmaférese, tempo para introdução do rituximabe, complicações e evolução clínica. Resultados: Foram avaliadas três pacientes do sexo feminino, com idade entre 38 e 53 anos. O primeiro caso apresentou atraso no início do procedimento da plasmaférese e recebeu rituximabe apenas após 14 sessões do procedimento. Apesar da realização de 33 sessões, evoluiu com síndrome da angústia respiratória aguda, insuficiência renal aguda e óbito. No segundo caso, associado posteriormente ao diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico, foram realizadas 32 sessões de plasmaférese, complicadas por treze reações alérgicas e múltiplas infecções oportunistas. A resposta clínica e laboratorial foi obtida somente após a introdução do rituximabe em quatro doses semanais, com recuperação hematológica completa após três meses. No terceiro caso, em paciente com lúpus eritematoso sistêmico previamente conhecido, a suspeição precoce de PTT permitiu a introdução mais precoce do rituximabe, associada à plasmaférese e à corticoterapia. Foram necessárias apenas 15 sessões de plasmaférese, com evolução clínica favorável. Observou-se que o maior número de sessões de plasmaférese não se associou a melhores desfechos. A literatura recomenda início precoce do rituximabe (≤3 dias), associado a remissão mais rápida, menor número de sessões de plasmaférese e menor tempo de internação, com resposta clínica observável já após a segunda dose. Nos casos avaliados, essa relação foi confirmada: o caso com introdução mais precoce do rituximabe apresentou menor necessidade de plasmaférese e evolução mais favorável, enquanto os casos com introdução tardia exigiram maior número de sessões e tiveram desfechos piores. Conclusão: Embora a plasmaférese permaneça essencial no manejo inicial da PTT, a intensificação isolada do número de procedimentos não se traduziu em melhor prognóstico nos casos avaliados. Em contraste, a introdução mais precoce do rituximabe pareceu associar-se a menor necessidade de plasmaférese e melhores desfechos clínicos. Esses achados reforçam a importância do reconhecimento precoce da refratariedade e apoiam a utilização oportuna da imunossupressão em pacientes com PTT imunomediada, particularmente quando associada a doenças autoimunes.
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PY - 2026
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AB - Introdução: A púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) é uma microangiopatia trombótica potencialmente fatal caracterizada por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e isquemia de órgãos-alvo. A plasmaférese terapêutica associada aos corticosteroides constitui o tratamento padrão, enquanto o rituximabe vem sendo incorporado precocemente em pacientes com PTT imunomediada, sobretudo na presença de refratariedade ou doenças autoimunes associadas. Evidências recentes sugerem que a introdução precoce da imunossupressão pode reduzir recaídas e acelerar a remissão. Objetivo: Analisar três casos de PTT refratária tratados com rituximabe, avaliando o impacto da introdução da imunoterapia e do número de sessões de plasmaférese sobre os desfechos clínicos. Métodos: Análise retrospectiva de três casos de PTT refratária com uso de rituximabe acompanhados em um serviço de hemoterapia do sul do Brasil. Foram analisadas manifestações clínicas e laboratoriais, presença de doença autoimune associada, número de sessões de plasmaférese, tempo para introdução do rituximabe, complicações e evolução clínica. Resultados: Foram avaliadas três pacientes do sexo feminino, com idade entre 38 e 53 anos. O primeiro caso apresentou atraso no início do procedimento da plasmaférese e recebeu rituximabe apenas após 14 sessões do procedimento. Apesar da realização de 33 sessões, evoluiu com síndrome da angústia respiratória aguda, insuficiência renal aguda e óbito. No segundo caso, associado posteriormente ao diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico, foram realizadas 32 sessões de plasmaférese, complicadas por treze reações alérgicas e múltiplas infecções oportunistas. A resposta clínica e laboratorial foi obtida somente após a introdução do rituximabe em quatro doses semanais, com recuperação hematológica completa após três meses. No terceiro caso, em paciente com lúpus eritematoso sistêmico previamente conhecido, a suspeição precoce de PTT permitiu a introdução mais precoce do rituximabe, associada à plasmaférese e à corticoterapia. Foram necessárias apenas 15 sessões de plasmaférese, com evolução clínica favorável. Observou-se que o maior número de sessões de plasmaférese não se associou a melhores desfechos. A literatura recomenda início precoce do rituximabe (≤3 dias), associado a remissão mais rápida, menor número de sessões de plasmaférese e menor tempo de internação, com resposta clínica observável já após a segunda dose. Nos casos avaliados, essa relação foi confirmada: o caso com introdução mais precoce do rituximabe apresentou menor necessidade de plasmaférese e evolução mais favorável, enquanto os casos com introdução tardia exigiram maior número de sessões e tiveram desfechos piores. Conclusão: Embora a plasmaférese permaneça essencial no manejo inicial da PTT, a intensificação isolada do número de procedimentos não se traduziu em melhor prognóstico nos casos avaliados. Em contraste, a introdução mais precoce do rituximabe pareceu associar-se a menor necessidade de plasmaférese e melhores desfechos clínicos. Esses achados reforçam a importância do reconhecimento precoce da refratariedade e apoiam a utilização oportuna da imunossupressão em pacientes com PTT imunomediada, particularmente quando associada a doenças autoimunes.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -