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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

INFECÇÃO ORAL POR PSEUDOMONAS AERUGINOSA EM PACIENTE COM NEUTROPENIA FEBRIL ASSOCIADA A LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA: RELATO DE CASO

  1. 1Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: A leucemia mieloide crônica (LMC) é uma neoplasia de medula óssea caracterizada pela presença do cromossomo Philadelfia e gene híbrido BCR-ABL. No tratamento dessa condição, são utilizados inibidores de tirosina quinase que podem ocasionar mielossupressão e neutropenia. Nesse contexto, infecções oportunistas configuram entre as complicações associadas ao tratamento, principalmente na cavidade oral, que pode servir de reservatório para patógenos oportunistas, como a Pseudomonas aeruginosa, associada a infecções como osteomielite mandibular e lesões necróticas em mucosa oral de pacientes imunossuprimidos. Objetivo: Reportar a infecção oral por P. aeruginosa em uma paciente portadora de LMC que apresentou um quadro de neutropenia febril. Relato de Caso: Paciente do sexo feminino, 47 anos, diagnosticada com LMC em março de 2026. Iniciou tratamento com Imatinibe de 400 mg/dia no mesmo mês. Em abril de 2026, o medicamento foi suspenso em decorrência de anemia acentuada com evolução para neutropenia febril, necessitando de internação no Hospital do Câncer I do Instituto Nacional de Câncer. A paciente apresentava febre e queixa de dor aguda em regiões gengivais de maxila e mandíbula associada à disfagia. Foram prescritos, inicialmente, cefepime, micafungina, aciclovir e nistatina. Na consulta odontológica à beira leito, a paciente relatou apresentar inicialmente lesões de cor arroxeada na gengiva, associadas a dor intensa e sensibilidade em elementos dentários. Ao exame físico, observou-se sensibilidade à manipulação e aspecto branco-amarelado, sugestivo de isquemia e necrose tecidual, no palato duro à direita e na gengiva marginal e inserida (faces vestibulares e linguais) adjacentes aos dentes superiores e inferiores. As hipóteses diagnósticas eram de infiltrado leucêmico gengival e infecção bacteriana. A conduta inicial foi a realização de 3 sessões de terapia fotodinâmica antimicrobiana com laser de baixa potência (LBP) com azul de metileno 0,005% a cada 2 dias, alternando com 2 sessões de LBP nas lesões. Foi realizada a coleta de material para painel viral (negativo), citologia esfoliativa (discreta flora bacteriana com predomínio de cocos e sem células malignas) e cultura das lesões, além de biópsia incisional de tecido gengival (necrose tecidual e ausência de infiltração maligna) realizada pela equipe médica do setor de Cabeça e Pescoço. A cultura foi positiva para Pseudomonas aeruginosa , indicando sensibilidade de primeira escolha para amicacina e meropenem, seguido de cefepime, ciprofloxacina e tazobactam. A paciente evoluiu com pancitopenia importante e necessidade de suporte transfusional diário com concentrado de plaquetas. Posteriormente, constatou-se, em avaliação odontológica, a remissão parcial da necrose gengival, acompanhada de ausência de dor e retorno progressivo à dieta sólida. O esquema terapêutico medicamentoso consistia, nesse momento, em cefepime, anfotericina B, aciclovir e nistatina. Após 7 dias, foi observada regressão quase total das lesões necróticas gengivais com neoformação de tecido gengival sadio. Conclusão: Este relato evidencia a importância do reconhecimento precoce de manifestações orais incomuns em pacientes onco-hematológicos imunossuprimidos, considerando a possibilidade de infecções oportunistas por Pseudomonas aeruginosa. O diagnóstico precoce associado à atuação multiprofissional e ao tratamento instituído oportunamente contribuiu para a regressão das lesões e evolução clínica favorável.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -