AVALIAÇÃO DO PAPEL DE LNCRNAS NA DESREGULAÇÃO DO CRLF2 EM PACIENTES COM LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA DE CÉLULAS B PRECURSORAS
4 affiliations
- 1Laboratório de Genética das Leucemias Agudas, Instituto Nacional de Câncer, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
- 2Laboratório de Regulação da Expressão Gênica, Instituto Carlos Chagas, Fundação Oswaldo Cruz, Curitiba, PR, Brasil
- 3Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Campinas, SP, Brasil
- 4Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional, Instituto Nacional de Câncer, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: Alterações no gene cytokine receptor-like factor 2 (CRLF2) são recorrentemente observadas em certos subtipos de leucemia linfoblástica aguda de células B precursoras (LLA-B), incluindo rearranjos, mutações e alterações no número de cópias. No entanto, em aproximadamente 50% dos casos com superexpressão de CRLF2 (CRLF2-high), o mecanismo regulatório permanece desconhecido. CRLF2 é particularmente relevante devido à ativação da via JAK/STAT, que regula a proliferação e a sobrevivência celular. Quando desregulada, contribui diretamente para características basais da carcinogênese e estão associadas a prognóstico desfavorável na LLA-B. Evidências crescentes sugerem que RNAs longos não codificantes (lncRNAs) podem desempenhar um papel central na modulação da expressão gênica. Estudos prévios do nosso grupo mostraram que os lncRNAs LINC00161, PWRN1 e RPL34-AS1 estão diferencialmente expressos (DE) em pacientes CRLF2-high. Este presente estudo tem como objetivo investigar como estes lncRNAs contribuem para a superexpressão de CRLF2 na LLA-B, explorando mecanismos regulatórios e potencial como biomarcadores e alvos terapêuticos. Metodologia: Foram incluídos 126 casos diagnosticados como LLA-B previamente caracterizados por WGS e RNA-Seq, cujos dados encontram-se disponibilizados pela iniciativa Therapeutically Applicable Research to Generate Effective Treatments (TARGET) (phs000464). Análises de correlação envolvendo LINC00161, PWRN1, RPL34-AS1, seus mRNAs alvos preditos e os níveis de expressão de CRLF2 foram realizadas utilizando os pacotes ggplot2, dplyr e ggpubr no R Studio. O impacto desses lncRNAs na expressão de CRLF2 tem sido testado por silenciamento transiente com siRNA, utilizando como modelo a linhagem celular MUTZ-5. A expressão dos lncRNAs e de CRLF2 é quantificada, após o silenciamento, por qPCR. Adicionalmente, as consequências biológicas do silenciamento dos lncRNAs serão avaliadas por ensaios de viabilidade, proliferação e apoptose. Resultados: Foi feita análise de correlação entre a expressão de cada lncRNA DE e CRLF2, o que revelou associação positiva na LLA-B, em especial, RPL34-AS1 e PWRN1, que apresentaram correlações positivas significativas com a expressão de CRLF2. Curiosamente, LINC00161 apresentou correlação positiva com CRLF2 apenas nos subtipos TCF3::PBX1 e KMT2A-r. Por outro lado, entre os pacientes B-others, apenas RPL34-AS1 mostrou correlação com CRLF2 (R=0,52; p=0,00041). Ademais, investigamos interações previamente descritas entre esses lncRNAs e mRNAs alvos relacionados ao câncer. Dentre elas, apenas a interação entre LINC00161 e MIR21 foi confirmada nos subgrupos de pacientes Ph-like, alta-hiperdiploidia e TCF3::PBX1. Em paralelo, foram realizados ensaios de silenciamento de RPL34-AS1 na linhagem MUTZ-5, utilizando a estratégia de siRNA para padronização de concentração do oligo utilizado e tempo de coleta das células pós-transfecção. A triplicata experimental apontou knockdown de RPL34-AS1 na linhagem MUTZ-5 após 72h de exposição ao siRNA anti-RPL34-AS1 a 10 nM de concentração. Conclusão: Os achados preliminares sugerem papel potencial de lncRNAs DE como mecanismo causador de CRLF2-high. Entretanto, os achados serão validados em uma série de casos com maior representatividade dos subtipos moleculares de LLA-B. Ensaios funcionais em andamento poderão elucidar os efeitos desses lncRNAs na regulação de CRLF2.
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AU - Ana Luiza Tardem MACIEL
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AU - Thayana da Conceição BARBOSA
PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: Alterações no gene cytokine receptor-like factor 2 (CRLF2) são recorrentemente observadas em certos subtipos de leucemia linfoblástica aguda de células B precursoras (LLA-B), incluindo rearranjos, mutações e alterações no número de cópias. No entanto, em aproximadamente 50% dos casos com superexpressão de CRLF2 (CRLF2-high), o mecanismo regulatório permanece desconhecido. CRLF2 é particularmente relevante devido à ativação da via JAK/STAT, que regula a proliferação e a sobrevivência celular. Quando desregulada, contribui diretamente para características basais da carcinogênese e estão associadas a prognóstico desfavorável na LLA-B. Evidências crescentes sugerem que RNAs longos não codificantes (lncRNAs) podem desempenhar um papel central na modulação da expressão gênica. Estudos prévios do nosso grupo mostraram que os lncRNAs LINC00161, PWRN1 e RPL34-AS1 estão diferencialmente expressos (DE) em pacientes CRLF2-high. Este presente estudo tem como objetivo investigar como estes lncRNAs contribuem para a superexpressão de CRLF2 na LLA-B, explorando mecanismos regulatórios e potencial como biomarcadores e alvos terapêuticos. Metodologia: Foram incluídos 126 casos diagnosticados como LLA-B previamente caracterizados por WGS e RNA-Seq, cujos dados encontram-se disponibilizados pela iniciativa Therapeutically Applicable Research to Generate Effective Treatments (TARGET) (phs000464). Análises de correlação envolvendo LINC00161, PWRN1, RPL34-AS1, seus mRNAs alvos preditos e os níveis de expressão de CRLF2 foram realizadas utilizando os pacotes ggplot2, dplyr e ggpubr no R Studio. O impacto desses lncRNAs na expressão de CRLF2 tem sido testado por silenciamento transiente com siRNA, utilizando como modelo a linhagem celular MUTZ-5. A expressão dos lncRNAs e de CRLF2 é quantificada, após o silenciamento, por qPCR. Adicionalmente, as consequências biológicas do silenciamento dos lncRNAs serão avaliadas por ensaios de viabilidade, proliferação e apoptose. Resultados: Foi feita análise de correlação entre a expressão de cada lncRNA DE e CRLF2, o que revelou associação positiva na LLA-B, em especial, RPL34-AS1 e PWRN1, que apresentaram correlações positivas significativas com a expressão de CRLF2. Curiosamente, LINC00161 apresentou correlação positiva com CRLF2 apenas nos subtipos TCF3::PBX1 e KMT2A-r. Por outro lado, entre os pacientes B-others, apenas RPL34-AS1 mostrou correlação com CRLF2 (R=0,52; p=0,00041). Ademais, investigamos interações previamente descritas entre esses lncRNAs e mRNAs alvos relacionados ao câncer. Dentre elas, apenas a interação entre LINC00161 e MIR21 foi confirmada nos subgrupos de pacientes Ph-like, alta-hiperdiploidia e TCF3::PBX1. Em paralelo, foram realizados ensaios de silenciamento de RPL34-AS1 na linhagem MUTZ-5, utilizando a estratégia de siRNA para padronização de concentração do oligo utilizado e tempo de coleta das células pós-transfecção. A triplicata experimental apontou knockdown de RPL34-AS1 na linhagem MUTZ-5 após 72h de exposição ao siRNA anti-RPL34-AS1 a 10 nM de concentração. Conclusão: Os achados preliminares sugerem papel potencial de lncRNAs DE como mecanismo causador de CRLF2-high. Entretanto, os achados serão validados em uma série de casos com maior representatividade dos subtipos moleculares de LLA-B. Ensaios funcionais em andamento poderão elucidar os efeitos desses lncRNAs na regulação de CRLF2.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -