METODOLOGIA PARA ESTRUTURAÇÃO DE UM BANCO DE DADOS EPIDEMIOLÓGICOS PARA SUPORTE DE ESTUDOS RETROSPECTIVOS SOBRE SAÚDE BUCAL EM PACIENTES PEDIÁTRICOS COM LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA NO AMAZONAS
- 1Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Manaus, AM, Brasil
- 2Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HEMOAM), Manaus, AM, Brasil
Abstract
Introdução: As manifestações bucais associadas ao tratamento da leucemia linfoblástica aguda (LLA) representam importante causa de morbidade e podem comprometer a continuidade da quimioterapia. Contudo, a escassez de dados epidemiológicos sistematizados limita a compreensão da frequência, distribuição, e associação das lesões com parâmetros hematológicos no decorrer do tratamento antineoplásico de determinado perfil populacional. Em estudos retrospectivos, essas limitações metodológicas comprometem a qualidade das análises e demandam estratégias capazes de viabilizar a obtenção e unificação de dados, para uma caracterização em conformidade ao contexto real do serviço. Realidade científica particularmente relevante em regiões que enfrentam desafios logísticos e de acesso aos serviços especializados, como a Amazônia. Objetivo: Descrever a metodologia desenvolvida para construção de um banco epidemiológico destinado à investigação das manifestações bucais em pacientes pediátricos com LLA atendidos em um centro de referência da Amazônia. Materiais e Métodos: Estudo metodológico retrospectivo desenvolvido na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HEMOAM), utilizando registros odontológicos de pacientes pediátricos atendidos entre 2023 e 2025. A metodologia compreendeu auditoria clínica dos prontuários físicos e do sistema eletrônico iDoctor, seguida de filtragem e padronização das variáveis para eliminação das inconsistências. Integração das informações em um banco único, com preservação do banco de dados original, análise crítica dos registros, padronização da terminologia clínica e definição dos critérios de elegibilidade dos registros odontológicos, além da organização dos dados conforme as fases da quimioterapia e preservação da correspondência entre os registros originais dos prontuários e os dados utilizados nas análises epidemiológicas. Resultados: A metodologia permitiu estruturar um banco epidemiológico contendo informações sociodemográficas, hematológicas e odontológicas organizadas de forma padronizada, auditável e reprodutível. Discussão: A inexistência de dados estruturados compromete a tomada de decisão clínica, sobretudo quanto ao momento ideal de intervenção odontológica em pacientes imunossuprimidos, observando períodos de maior risco ao longo do tratamento. A heterogeneidade dos registros odontológicos, a ausência de padronização das informações clínicas e a fragmentação dos dados entre diferentes sistemas dificultam a produção de evidências consistentes, o acompanhamento da evolução clínica dos pacientes e a organização do cuidado multiprofissional. Conclusão: A metodologia desenvolvida mostrou-se capaz de transformar registros clínicos heterogêneos em uma base epidemiológica padronizada, consistente e passível de atualização contínua, constituindo ferramenta para organização e padronização de dados clínicos destinados à investigação das manifestações bucais em pacientes pediátricos com LLA. Além de subsidiar a produção de evidências científicas, orientar intervenções de acordo com o perfil epidemiológico da população estudada, essa estratégia poderá contribuir para o desenvolvimento de protocolos assistenciais, qualificar a integração entre odontologia e hematologia e servir como modelo para organização de bancos de dados clínicos em outros centros de onco-hematologia pediátrica. Agradecimento: CAPES.
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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