ABSENTEÍSMO NA DISPENSAÇÃO DE ANTINEOPLÁSICOS ORAIS: INDICADOR ESTRATÉGICO PARA A GESTÃO FARMACÊUTICA EM ONCOLOGIA
- 1Hospital Amaral Carvalho, Jaú, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A ampliação do uso de antineoplásicos orais intensificou a complexidade da gestão da dispensação ambulatorial em oncologia, tornando as faltas à retirada do medicamento um evento crítico, com impacto assistencial, operacional e logístico. Nesse cenário, indicadores de absenteísmo assumem papel estratégico na qualificação da gestão farmacêutica, permitindo identificar fragilidades no processo de cuidado e subsidiar intervenções voltadas à continuidade terapêutica. Objetivos: Analisar o comportamento das faltas na dispensação de antineoplásicos orais e avaliar seu potencial como ferramenta estratégica de gestão farmacêutica em oncologia. Material e Métodos: Estudo retrospectivo, descritivo e analítico, baseado em dados secundários e anonimizados do indicador institucional de absenteísmo na dispensação de antineoplásicos orais, referentes aos anos de 2024 e 2025, em um serviço de oncologia de alta complexidade. Foram analisados o número de pacientes envolvidos, a ocorrência de ausências em meses consecutivos, a linha de tratamento e registros de desabastecimento. Os dados foram avaliados por estatística descritiva. Resultados: Em 2024, foram registrados 14.956 agendamentos, com 413 faltas, correspondendo a uma taxa média de absenteísmo de 2,76%. Em 2025, dos 21.281 agendamentos realizados, 862 resultaram em faltas, elevando a taxa média para 4,05%, com pico observado em dezembro (6,20%). As ausências concentraram-se em poucos antineoplásicos orais, especialmente anastrozol, tamoxifeno, imatinibe e hidroxiureia, medicamentos frequentemente associados a tratamentos prolongados. Também foi observado crescimento das faltas em meses consecutivos ao longo de 2025, predominando entre pacientes em tratamento adjuvante e em primeira linha. Registros de desabastecimento estiveram presentes em parte dos casos avaliados. Discussão: O aumento do absenteísmo entre os períodos analisados sugere tendência preocupante, uma vez que a não retirada do medicamento pode comprometer a continuidade terapêutica e gerar repercussões clínicas e operacionais. A concentração das faltas em terapias de longa duração pode estar relacionada ao caráter crônico desses tratamentos, nos quais dificuldades de adesão tendem a ser mais frequentes. O crescimento das ausências consecutivas reforça a importância da identificação precoce de pacientes mais vulneráveis à descontinuidade do cuidado. Além disso, a presença de registros de desabastecimento evidencia que fatores estruturais também influenciam o indicador, destacando seu potencial para monitorar simultaneamente aspectos assistenciais e logísticos do serviço. Conclusão: O indicador de absenteísmo mostrou-se sensível para identificar padrões críticos e tendências crescentes na dispensação de antineoplásicos orais, configurando-se como ferramenta estratégica para a gestão farmacêutica. Seu monitoramento sistemático pode subsidiar ações direcionadas a grupos de maior risco, apoiar a tomada de decisão e contribuir para a melhoria da qualidade assistencial e da sustentabilidade dos serviços oncológicos.
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AB - Introdução: A ampliação do uso de antineoplásicos orais intensificou a complexidade da gestão da dispensação ambulatorial em oncologia, tornando as faltas à retirada do medicamento um evento crítico, com impacto assistencial, operacional e logístico. Nesse cenário, indicadores de absenteísmo assumem papel estratégico na qualificação da gestão farmacêutica, permitindo identificar fragilidades no processo de cuidado e subsidiar intervenções voltadas à continuidade terapêutica. Objetivos: Analisar o comportamento das faltas na dispensação de antineoplásicos orais e avaliar seu potencial como ferramenta estratégica de gestão farmacêutica em oncologia. Material e Métodos: Estudo retrospectivo, descritivo e analítico, baseado em dados secundários e anonimizados do indicador institucional de absenteísmo na dispensação de antineoplásicos orais, referentes aos anos de 2024 e 2025, em um serviço de oncologia de alta complexidade. Foram analisados o número de pacientes envolvidos, a ocorrência de ausências em meses consecutivos, a linha de tratamento e registros de desabastecimento. Os dados foram avaliados por estatística descritiva. Resultados: Em 2024, foram registrados 14.956 agendamentos, com 413 faltas, correspondendo a uma taxa média de absenteísmo de 2,76%. Em 2025, dos 21.281 agendamentos realizados, 862 resultaram em faltas, elevando a taxa média para 4,05%, com pico observado em dezembro (6,20%). As ausências concentraram-se em poucos antineoplásicos orais, especialmente anastrozol, tamoxifeno, imatinibe e hidroxiureia, medicamentos frequentemente associados a tratamentos prolongados. Também foi observado crescimento das faltas em meses consecutivos ao longo de 2025, predominando entre pacientes em tratamento adjuvante e em primeira linha. Registros de desabastecimento estiveram presentes em parte dos casos avaliados. Discussão: O aumento do absenteísmo entre os períodos analisados sugere tendência preocupante, uma vez que a não retirada do medicamento pode comprometer a continuidade terapêutica e gerar repercussões clínicas e operacionais. A concentração das faltas em terapias de longa duração pode estar relacionada ao caráter crônico desses tratamentos, nos quais dificuldades de adesão tendem a ser mais frequentes. O crescimento das ausências consecutivas reforça a importância da identificação precoce de pacientes mais vulneráveis à descontinuidade do cuidado. Além disso, a presença de registros de desabastecimento evidencia que fatores estruturais também influenciam o indicador, destacando seu potencial para monitorar simultaneamente aspectos assistenciais e logísticos do serviço. Conclusão: O indicador de absenteísmo mostrou-se sensível para identificar padrões críticos e tendências crescentes na dispensação de antineoplásicos orais, configurando-se como ferramenta estratégica para a gestão farmacêutica. Seu monitoramento sistemático pode subsidiar ações direcionadas a grupos de maior risco, apoiar a tomada de decisão e contribuir para a melhoria da qualidade assistencial e da sustentabilidade dos serviços oncológicos.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -