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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS HOSPITALARES/INTRA-HOSPITALARES POR ANEMIA FERROPRIVA EM MINAS GERAIS ENTRE 2019 E 2026

  1. 1Afya Faculdade de Ciências Médicas de Ipatinga, Ipatinga, MG, Brasil

Abstract

Introdução: A anemia ferropriva, a mais comum no mundo, é causada pela deficiência de ferro, que reduz a produção de hemoglobina e o transporte de oxigênio celular, provocando sintomas como palidez, fadiga, dispneia e prejuízo cognitivo. Trata-se de condição prevenível e tratável com reposição de ferro, tornando-se marcador de fragilidades assistenciais quando evolui para óbito, o que sugere falhas na detecção precoce, no acesso ao tratamento e na continuidade do cuidado. Objetivos: Descrever o perfil epidemiológico de óbitos hospitalares por anemia ferropriva no SUS em Minas Gerais (MG), no período de 2019 a 2026, com base nas características sociodemográficas e na distribuição territorial dos casos. Material e Métodos: Estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, com dados de óbitos em internações hospitalares financiadas pelo SUS, obtidos do SIH-SUS/DataSUS para MG (2019 a abril/2026). As variáveis sexo, raça/cor, faixa etária e microrregião de ocorrência foram analisadas no TabNet e Excel e organizadas em tabelas e gráficos. Resultados: Foram registrados 528 óbitos hospitalares por anemia ferropriva em MG, com aumento de 51 casos em 2019 e redução para 87 em 2021 até 63 em 2025, para 2026 constam dados até abril. Houve leve predomínio masculino, com 274 óbitos (51,9%), frente a 254 femininos (48,1%), sugerindo distribuição global equilibrada, porém com oscilações anuais. Na raça/cor, predominaram pessoas pardas (230; 43,6%), seguidas por brancas (185; 35,0%) e pretas (51; 9,7%); 55 registros (10,4%) não tinham essa informação, embora essa falha tenha praticamente desaparecido nos anos recentes. A mortalidade concentrou-se em idosos: 60‒69 anos somaram 96 óbitos, 70‒79 anos 127 e 80 anos ou mais 188, totalizando 411 casos (77,8%) em indivíduos com 60 anos ou mais. Territorialmente, houve forte concentração em microrregiões-polo, com destaque para Belo Horizonte (50; 9,5%), Varginha e Ponte Nova (32 cada), além de Juiz de Fora e Alfenas (26 cada), indicando centralização assistencial e distribuição espacial desigual. Discussão e Conclusão: Internações por anemia ferropriva no Brasil predominam em mulheres, contrastando com o perfil de mortalidade hospitalar observado em MG, onde há predomínio masculino. Pardos representam a maioria dos casos, e o Sudeste apresenta maiores taxas de internações e óbitos. Em idosos no Sudeste, observa-se tendência estacionária de internações (2017-2023), mas crescimento nos óbitos, especialmente em homens ≥80 anos. O Sudeste tem a maior taxa de mortalidade hospitalar por anemia no Brasil (5,74/100 vs. 5,06 nacional), atribuído a desigualdades socioeconômicas, densidade populacional e doenças crônicas. Já a concentração de óbitos em microrregiões-polo (BH, Varginha, Ponte Nova, Juiz de Fora, Alfenas) provavelmente reflete a distribuição desigual da estrutura hospitalar e não uma maior incidência da doença. Esses municípios recebem pacientes referenciados de outras regiões, enviesando os dados de mortalidade em direção ao acesso assistencial, não à distribuição real da doença. Contudo, observou-se maior concentração de óbitos em idosos, pardos e homens em MG, em concordância parcial com a literatura, que aponta maior carga na região Sudeste. O perfil reflete fragilidade do envelhecimento, comorbidades e limitações diagnósticas/assistenciais. A centralização em microrregiões-polo sugere influência da organização hospitalar regional, reforçando necessidade de prevenção, rastreio e descentralização.

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AB  - Introdução: A anemia ferropriva, a mais comum no mundo, é causada pela deficiência de ferro, que reduz a produção de hemoglobina e o transporte de oxigênio celular, provocando sintomas como palidez, fadiga, dispneia e prejuízo cognitivo. Trata-se de condição prevenível e tratável com reposição de ferro, tornando-se marcador de fragilidades assistenciais quando evolui para óbito, o que sugere falhas na detecção precoce, no acesso ao tratamento e na continuidade do cuidado. Objetivos: Descrever o perfil epidemiológico de óbitos hospitalares por anemia ferropriva no SUS em Minas Gerais (MG), no período de 2019 a 2026, com base nas características sociodemográficas e na distribuição territorial dos casos. Material e Métodos: Estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, com dados de óbitos em internações hospitalares financiadas pelo SUS, obtidos do SIH-SUS/DataSUS para MG (2019 a abril/2026). As variáveis sexo, raça/cor, faixa etária e microrregião de ocorrência foram analisadas no TabNet e Excel e organizadas em tabelas e gráficos. Resultados: Foram registrados 528 óbitos hospitalares por anemia ferropriva em MG, com aumento de 51 casos em 2019 e redução para 87 em 2021 até 63 em 2025, para 2026 constam dados até abril. Houve leve predomínio masculino, com 274 óbitos (51,9%), frente a 254 femininos (48,1%), sugerindo distribuição global equilibrada, porém com oscilações anuais. Na raça/cor, predominaram pessoas pardas (230; 43,6%), seguidas por brancas (185; 35,0%) e pretas (51; 9,7%); 55 registros (10,4%) não tinham essa informação, embora essa falha tenha praticamente desaparecido nos anos recentes. A mortalidade concentrou-se em idosos: 60‒69 anos somaram 96 óbitos, 70‒79 anos 127 e 80 anos ou mais 188, totalizando 411 casos (77,8%) em indivíduos com 60 anos ou mais. Territorialmente, houve forte concentração em microrregiões-polo, com destaque para Belo Horizonte (50; 9,5%), Varginha e Ponte Nova (32 cada), além de Juiz de Fora e Alfenas (26 cada), indicando centralização assistencial e distribuição espacial desigual. Discussão e Conclusão: Internações por anemia ferropriva no Brasil predominam em mulheres, contrastando com o perfil de mortalidade hospitalar observado em MG, onde há predomínio masculino. Pardos representam a maioria dos casos, e o Sudeste apresenta maiores taxas de internações e óbitos. Em idosos no Sudeste, observa-se tendência estacionária de internações (2017-2023), mas crescimento nos óbitos, especialmente em homens ≥80 anos. O Sudeste tem a maior taxa de mortalidade hospitalar por anemia no Brasil (5,74/100 vs. 5,06 nacional), atribuído a desigualdades socioeconômicas, densidade populacional e doenças crônicas. Já a concentração de óbitos em microrregiões-polo (BH, Varginha, Ponte Nova, Juiz de Fora, Alfenas) provavelmente reflete a distribuição desigual da estrutura hospitalar e não uma maior incidência da doença. Esses municípios recebem pacientes referenciados de outras regiões, enviesando os dados de mortalidade em direção ao acesso assistencial, não à distribuição real da doença. Contudo, observou-se maior concentração de óbitos em idosos, pardos e homens em MG, em concordância parcial com a literatura, que aponta maior carga na região Sudeste. O perfil reflete fragilidade do envelhecimento, comorbidades e limitações diagnósticas/assistenciais. A centralização em microrregiões-polo sugere influência da organização hospitalar regional, reforçando necessidade de prevenção, rastreio e descentralização.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -