HETEROGENEIDADE MOLECULAR DA HB S/Β-TALASSEMIA E SEU IMPACTO NO PERFIL DE HEMOGLOBINAS EM CRIANÇAS DA BAHIA
4 affiliations
- 1Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Salvador, BA, Brasil
- 2Universidade Estadual Paulista (UNESP), São José do Rio Preto, SP, Brasil
- 3Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Três Lagoas, MS, Brasil
- 4Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Salvador, BA, Brasil
Abstract
Introdução: S/Beta-talassemia é uma forma da doença falciforme (DF) decorrente da heterozigose composta entre a hemoglobina (Hb) S e um alelo beta-talassêmico, cuja expressão fenotípica é influenciada pelo tipo de mutação no gene HBB. Na população baiana, devido à alta prevalência de HbS e à coexistência de diferentes hemoglobinopatias, a integração entre análises cromatográficas e moleculares é fundamental para a confirmação diagnóstica dos perfis hemoglobínicos em recémnascidos (RN) identificados na triagem neonatal. Objetivos: Caracterizar os genótipos de indivíduos com Hb S/β-talassemia identificados na triagem neonatal e avaliar o impacto das variantes β-talassêmicas no perfil de hemoglobinas. Materiais e Métodos: Estudo retrospectivo de pacientes acompanhados em um centro de referência do estado da Bahia. Os indivíduos foram estratificados em quatro grupos (β⁰, β⁺ grave, β⁺ leve e β⁺⁺ silenciosa) com base nos resultados das análises moleculares. Resultados: Dos 304 pacientes analisados, 37 (idade média: 1 ano e 11 meses) apresentavam Hb S/β-talassemia, distribuídos em β⁰ (n = 7), β⁺ grave (n = 5), β⁺ leve (n = 13) e β⁺⁺(n = 12). As mutações configuraram 14 genótipos distintos de β-talassemia, sendo os mais frequentes: 9 pacientes (24,32%) com a mutação HBB:c.-151C>T de β⁺⁺ (-101C>T); 5 (13,5%) com a HBB:c.-78A>C de β⁺ leve (-28A>C); 5 (13,5%) com a HBB:c.92+5G>A de β+ grave (IVS-I-5G>A); 3 (8,1%) com HBB:c.92+6T>C de β⁺ leve (IVS-I-6T>C); e 2 pacientes (5,4%) para cada um dos seguintes genótipo: HBB:c.93-2A>G de β⁰ (IVS-I-129 A>G); HBB:c.118C>T de β⁰ (CD39); HBB:c.-79A>G de β⁺ leve (-29A>G); HBB:c.-138C>T de β⁺ leve (-88C>T); e a mutação em cis HBB:c.316-7C>A / HBB:c.316-12T>C de β⁺⁺ (IVS-II-839 e IVS-II-844). Foram encontrados ainda outros 5 genótipos, com um paciente cada: HBB:c.315+1G>A (IVS-II-1); HBB:c.323dupG (beta 107 +G); HBB:c.48G>A (CD15) de β⁰; HBB:c.-140C>T de β⁺ leve (-90C>T); e HBB:c.-126C>A de β⁺⁺ (-76C>A). Houve diferença significativa na concentração da Hb A entre os grupos: a Hb A foi maior no β⁺⁺ (26,8%) em comparação aos demais; a concentração no β⁺ leve (15,2%) foi maior do que nos grupos β⁺ grave (1,8%) e β⁰ (0%), que não diferiram entre si (p < 0,005, ANOVA, post-hoc Games-Howell). Quanto à concentração de HbS, a única diferença significativa foi observada no grupo β⁺⁺ (39,6%), que apresentou concentração menor do que os grupos β⁰ (65,4%) e β⁺ leve (58,3%), mas não diferiu do grupo β⁺ grave (50,1%) (p < 0,005, ANOVA, post-hoc Tukey). Discussão: Os resultados evidenciaram ampla heterogeneidade molecular e uma relação progressiva entre a gravidade funcional das variantes β-talassêmicas e a produção de HbA, que variou de 0% nas β⁰ a 26,8% nas β⁺⁺. Esse comportamento é coerente com a natureza das mutações: variantes como a CD39 interrompem a síntese de β-globina, enquanto variantes promotoras, como −28A>C e −101C>T, preservam produção variável de HbA. A ausência de progressão semelhante da HbS reforça que suas proporções também dependem da idade do paciente, da transfusão e de fatores genéticos, como a coerança de alfa-talassemia. Conclusão: Os indivíduos com HbS/β-talassemia identificados pela triagem neonatal na Bahia apresentaram heterogeneidade molecular e do perfil de Hb. Os resultados reforçam a importância da caracterização molecular associada ao perfil cromatográfico no diagnóstico e na classificação da HbS/β-talassemia, contribuindo para o melhor manejo da DF.
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -