ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL AGUDO ISQUÊMICO SECUNDÁRIO A ANGIOPATIA MINERALIZANTE: RELATO DE CASO
- 1Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Belo Horizonte, MG, Brasil; Hospital Metropolitano Odilon Behrens, Belo Horizonte, MG, Brasil; Hospital Vera Cruz, Belo Horizonte, MG, Brasil
- 2Hospital Mater Dei Contorno, Belo Horizonte, MG, Brasil
- 3Hospital Vera Cruz, Belo Horizonte, MG, Brasil
Abstract
Introdução: A angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas é uma entidade clínico-radiológica rara, reconhecida como importante causa de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) dos gânglios da base após traumatismo cranioencefálico (TCE) leve em lactentes e crianças pequenas. Caracteriza-se pela presença de déficit neurológico focal, geralmente hemiparesia, associado a infarto isquêmico dos gânglios da base e calcificações das artérias lenticuloestriadas identificadas na tomografia computadorizada. Apesar de a vasculopatia lenticuloestriada ser observada em até 5% dos recém-nascidos na ultrassonografia transfontanelar, sua associação com AVCI pós-traumático permanece subdiagnosticada, podendo resultar em investigação etiológica extensa e atraso no reconhecimento da condição. Objetivo: Relatar um caso de AVCI dos gânglios da base secundário à angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas após TCE leve, destacando seus aspectos clínicos, radiológicos, diagnósticos e evolutivos, além de enfatizar a importância do reconhecimento precoce dessa entidade na prática pediátrica. Material e Métodos: Relato de caso, elaborado a partir da revisão do prontuário, exames laboratoriais e estudos de neuroimagem de um paciente pediátrico atendido em hospital terciário. Foram analisados os dados clínicos, a investigação etiológica do AVCI, os achados radiológicos, a conduta terapêutica instituída e a evolução clínica durante o seguimento ambulatorial. Relato do Caso: Lactente do sexo masculino, com 21 meses de idade, apresentou hemiparesia direita de instalação súbita aproximadamente oito horas após TCE leve decorrente de queda da própria altura. A ressonância magnética do encéfalo evidenciou infarto isquêmico agudo envolvendo os gânglios da base à esquerda. A tomografia computadorizada demonstrou calcificações bilaterais ao longo das artérias lenticuloestriadas, visualizadas como hiperdensidades puntiformes nas imagens axiais e lineares nas reconstruções coronais e sagitais, achados característicos de angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas. A investigação complementar para outras causas de AVC pediátrico, incluindo doenças infecciosas, hematológicas, trombofílicas, inflamatórias e cardiopatias, não identificou alterações relevantes. Foi iniciado tratamento com ácido acetilsalicílico (AAS), associado à reabilitação motora e acompanhamento neurológico ambulatorial. Resultados: Observou-se recuperação progressiva do déficit motor, com remissão completa da hemiparesia durante o seguimento. Após seis meses, o paciente permanecia sem recorrência de eventos cerebrovasculares, sem déficits neurológicos residuais e com desenvolvimento neuropsicomotor compatível com a idade. Discussão e Conclusão: A angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas deve ser considerada no diagnóstico diferencial de lactentes e crianças pequenas que apresentam AVCI dos gânglios da base após TCE leve. A correlação entre a história clínica e os achados de neuroimagem, especialmente as calcificações identificadas na tomografia computadorizada, é essencial para o diagnóstico. O reconhecimento precoce dessa entidade evita investigações desnecessárias, orienta o manejo clínico e contribui para melhores desfechos. Apesar do prognóstico geralmente favorável, o seguimento clínico e a prevenção de novos traumatismos permanecem fundamentais devido ao risco de recorrência.
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RIS
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TI - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL AGUDO ISQUÊMICO SECUNDÁRIO A ANGIOPATIA MINERALIZANTE: RELATO DE CASO
AU - Tarcísio Silva BORBOREMA
AU - Nicole Freire PERIM
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AU - Guilherme Guimarães GOMES
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108348
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AB - Introdução: A angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas é uma entidade clínico-radiológica rara, reconhecida como importante causa de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) dos gânglios da base após traumatismo cranioencefálico (TCE) leve em lactentes e crianças pequenas. Caracteriza-se pela presença de déficit neurológico focal, geralmente hemiparesia, associado a infarto isquêmico dos gânglios da base e calcificações das artérias lenticuloestriadas identificadas na tomografia computadorizada. Apesar de a vasculopatia lenticuloestriada ser observada em até 5% dos recém-nascidos na ultrassonografia transfontanelar, sua associação com AVCI pós-traumático permanece subdiagnosticada, podendo resultar em investigação etiológica extensa e atraso no reconhecimento da condição. Objetivo: Relatar um caso de AVCI dos gânglios da base secundário à angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas após TCE leve, destacando seus aspectos clínicos, radiológicos, diagnósticos e evolutivos, além de enfatizar a importância do reconhecimento precoce dessa entidade na prática pediátrica. Material e Métodos: Relato de caso, elaborado a partir da revisão do prontuário, exames laboratoriais e estudos de neuroimagem de um paciente pediátrico atendido em hospital terciário. Foram analisados os dados clínicos, a investigação etiológica do AVCI, os achados radiológicos, a conduta terapêutica instituída e a evolução clínica durante o seguimento ambulatorial. Relato do Caso: Lactente do sexo masculino, com 21 meses de idade, apresentou hemiparesia direita de instalação súbita aproximadamente oito horas após TCE leve decorrente de queda da própria altura. A ressonância magnética do encéfalo evidenciou infarto isquêmico agudo envolvendo os gânglios da base à esquerda. A tomografia computadorizada demonstrou calcificações bilaterais ao longo das artérias lenticuloestriadas, visualizadas como hiperdensidades puntiformes nas imagens axiais e lineares nas reconstruções coronais e sagitais, achados característicos de angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas. A investigação complementar para outras causas de AVC pediátrico, incluindo doenças infecciosas, hematológicas, trombofílicas, inflamatórias e cardiopatias, não identificou alterações relevantes. Foi iniciado tratamento com ácido acetilsalicílico (AAS), associado à reabilitação motora e acompanhamento neurológico ambulatorial. Resultados: Observou-se recuperação progressiva do déficit motor, com remissão completa da hemiparesia durante o seguimento. Após seis meses, o paciente permanecia sem recorrência de eventos cerebrovasculares, sem déficits neurológicos residuais e com desenvolvimento neuropsicomotor compatível com a idade. Discussão e Conclusão: A angiopatia mineralizante das artérias lenticuloestriadas deve ser considerada no diagnóstico diferencial de lactentes e crianças pequenas que apresentam AVCI dos gânglios da base após TCE leve. A correlação entre a história clínica e os achados de neuroimagem, especialmente as calcificações identificadas na tomografia computadorizada, é essencial para o diagnóstico. O reconhecimento precoce dessa entidade evita investigações desnecessárias, orienta o manejo clínico e contribui para melhores desfechos. Apesar do prognóstico geralmente favorável, o seguimento clínico e a prevenção de novos traumatismos permanecem fundamentais devido ao risco de recorrência.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -