MONITORAMENTO CLÍNICO-REGULATÓRIO COMO ESTRATÉGIA DE SEGURANÇA DO PACIENTE DURANTE A ESPERA POR LEITO HOSPITALAR: A EXPERIÊNCIA DA FUNDAÇÃO HEMOPA
4 affiliations
- 1Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa), Belém, PA, Brasil
- 2Universidade do Estado do Pará (UEPA), Belém, PA, Brasil
- 3Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal
- 4Centro Universitário Cidade Verde, Maringá, PR, Brasil
Abstract
Introdução: A segurança do paciente envolve a prevenção de danos evitáveis, especialmente em transições assistenciais. Na hematologia, pacientes que aguardam leito hospitalar apresentam maior vulnerabilidade ao agravamento clínico. No Pará, o acesso aos leitos ocorre pelo Sistema Estadual de Regulação (SER-PARÁ), que requer atualização periódica das informações clínicas para subsidiar decisões regulatórias. Nesse contexto, o monitoramento clínico-regulatório favorece a continuidade do cuidado, a identificação precoce de riscos e a segurança do paciente. Objetivo: Relatar a experiência de monitoramento clínico-regulatório de pacientes hematológicos cadastrados no SER-PARÁ durante a espera por leito hospitalar. Método: Relato de experiência desenvolvido na Fundação Hemopa, entre janeiro e novembro de 2025. Após indicação médica de internação, os pacientes foram cadastrados no SER-PARÁ e acompanhados diariamente por assistente social, com suporte médico, conforme Procedimento Operacional Padrão institucional. O monitoramento incluiu atualização clínica, laboratorial e documental, contato com a Central Estadual de Regulação e inserção de exames e laudos para manutenção da solicitação ativa, em intervalo máximo de 24 horas. Por tratar-se de relato de experiência com dados institucionais agregados, sem identificação dos usuários e sem intervenção direta, o estudo dispensa apreciação por CEP, conforme a Resolução CNS n° 510/2016, observando a Resolução CNS n° 466/2012 e a Lei n° 14.874/2024. Resultados: Foram registradas 21 solicitações de leitos para pacientes com leucemias, doença falciforme, aplasia medular, púrpura trombocitopênica imune e talassemias. Destas, 12 resultaram em liberação de leito e 9 foram canceladas, com taxa de liberação de 57,14%. O tempo de espera variou de 3 horas a 16 dias. Durante o acompanhamento, seis pacientes necessitaram atendimento em urgência, com posterior internação. Parte dos cancelamentos ocorreu por melhora clínica obtida no acompanhamento ambulatorial especializado, tornando desnecessária a internação. Em alguns casos, a atualização clínica subsidiou a reclassificação regulatória e contribuiu para a liberação do leito. Discussão: A experiência evidenciou que a espera por leito hospitalar constitui fase crítica da trajetória assistencial de pacientes hematológicos. O monitoramento clínico-regulatório configurou-se como estratégia de gestão de riscos, permitindo identificar alterações clínicas, qualificar a comunicação com a regulação e subsidiar decisões baseadas na evolução do paciente. Os episódios de internação por urgência demonstram vulnerabilidade clínica durante a espera, enquanto os casos de melhora evidenciam resolutividade ambulatorial e uso racional dos recursos hospitalares. Destaca-se o papel do Serviço Social na coordenação do cuidado, articulando usuários, equipe assistencial e rede regulatória. Conclusão: O monitoramento clínico-regulatório mostrou-se relevante para a segurança do paciente durante a espera por leito hospitalar. A atuação integrada entre Serviço Social, equipe médica e Central Estadual de Regulação favoreceu a identificação precoce de riscos e a continuidade do cuidado.
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TY - JOUR
TI - MONITORAMENTO CLÍNICO-REGULATÓRIO COMO ESTRATÉGIA DE SEGURANÇA DO PACIENTE DURANTE A ESPERA POR LEITO HOSPITALAR: A EXPERIÊNCIA DA FUNDAÇÃO HEMOPA
AU - Cristina Socorro Mendes dos Santos SANTOS
AU - Sandra Sueli Bentes da Costa COSTA
AU - Nubia Caroline Costa de Almeida ALMEIDA
AU - Ivonete Pereira Viera Peixoto PEIXOTO
AU - Mary Elizabeth Santana SANTANA
AU - Clemente Neves de Souza SOUZA
AU - Tatiane Peniche da Silva SILVA
AU - Marcela Santos de Souza SOUZA
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108250
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108250
AB - Introdução: A segurança do paciente envolve a prevenção de danos evitáveis, especialmente em transições assistenciais. Na hematologia, pacientes que aguardam leito hospitalar apresentam maior vulnerabilidade ao agravamento clínico. No Pará, o acesso aos leitos ocorre pelo Sistema Estadual de Regulação (SER-PARÁ), que requer atualização periódica das informações clínicas para subsidiar decisões regulatórias. Nesse contexto, o monitoramento clínico-regulatório favorece a continuidade do cuidado, a identificação precoce de riscos e a segurança do paciente. Objetivo: Relatar a experiência de monitoramento clínico-regulatório de pacientes hematológicos cadastrados no SER-PARÁ durante a espera por leito hospitalar. Método: Relato de experiência desenvolvido na Fundação Hemopa, entre janeiro e novembro de 2025. Após indicação médica de internação, os pacientes foram cadastrados no SER-PARÁ e acompanhados diariamente por assistente social, com suporte médico, conforme Procedimento Operacional Padrão institucional. O monitoramento incluiu atualização clínica, laboratorial e documental, contato com a Central Estadual de Regulação e inserção de exames e laudos para manutenção da solicitação ativa, em intervalo máximo de 24 horas. Por tratar-se de relato de experiência com dados institucionais agregados, sem identificação dos usuários e sem intervenção direta, o estudo dispensa apreciação por CEP, conforme a Resolução CNS n° 510/2016, observando a Resolução CNS n° 466/2012 e a Lei n° 14.874/2024. Resultados: Foram registradas 21 solicitações de leitos para pacientes com leucemias, doença falciforme, aplasia medular, púrpura trombocitopênica imune e talassemias. Destas, 12 resultaram em liberação de leito e 9 foram canceladas, com taxa de liberação de 57,14%. O tempo de espera variou de 3 horas a 16 dias. Durante o acompanhamento, seis pacientes necessitaram atendimento em urgência, com posterior internação. Parte dos cancelamentos ocorreu por melhora clínica obtida no acompanhamento ambulatorial especializado, tornando desnecessária a internação. Em alguns casos, a atualização clínica subsidiou a reclassificação regulatória e contribuiu para a liberação do leito. Discussão: A experiência evidenciou que a espera por leito hospitalar constitui fase crítica da trajetória assistencial de pacientes hematológicos. O monitoramento clínico-regulatório configurou-se como estratégia de gestão de riscos, permitindo identificar alterações clínicas, qualificar a comunicação com a regulação e subsidiar decisões baseadas na evolução do paciente. Os episódios de internação por urgência demonstram vulnerabilidade clínica durante a espera, enquanto os casos de melhora evidenciam resolutividade ambulatorial e uso racional dos recursos hospitalares. Destaca-se o papel do Serviço Social na coordenação do cuidado, articulando usuários, equipe assistencial e rede regulatória. Conclusão: O monitoramento clínico-regulatório mostrou-se relevante para a segurança do paciente durante a espera por leito hospitalar. A atuação integrada entre Serviço Social, equipe médica e Central Estadual de Regulação favoreceu a identificação precoce de riscos e a continuidade do cuidado.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -