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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DIÁLOGO COM MÉDICOS DA ATENÇÃO BÁSICA SOBRE A DOENÇA FALCIFORME E O CUIDADO INTEGRAL

  1. 1Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope), Garanhuns, PE, Brasil
  2. 2Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (AESGA), Garanhuns, PE, Brasil

Abstract

Introdução: A doença falciforme é a doença hereditária mais prevalente no Brasil, mas a sua invisibilidade no contexto da atenção básica (AB) ainda é preponderante, estando os cuidados da pessoa com a doença falciforme concentrada a nível secundário e terciário, fragilizando, dessa forma o cuidado integral. Com isso o presente estudo teve como objetivo promover um diálogo com médicos da atenção básica do município de Garanhuns-PE, de modo a fortalecer a integralidade do cuidado da pessoa com a doença falciforme. Material e Métodos: Através da pesquisa-ação, buscando melhorar a prática do fazer em saúde, mas também aprender na construção do processo, entre o agir e o investigar para transformar um problema, foi promovido como atividade de educação permanente do Hemocentro local em parceria com uma instituição de ensino superior, um momento para os profissionais médicos das unidades básicas de saúde (UBSs) com o intuito de dialogar sobre as temáticas: doença falciforme, traço falciforme, a rede de atenção, a linha de cuidado, o papel da equipe multiprofissional da atenção básica e a doação de sangue. A iniciativa surgiu a partir de uma solicitação da secretaria de saúde local em alusão ao junho vermelho, que aborda sobre a conscientização sobre a doação de sangue, e também em referência ao dia mundial de conscientização sobre a doença falciforme. O encontro foi formatado para uma participação ativa com a troca de saberes, para que fosse compreendido inicialmente como os profissionais desenvolviam sua prática médica diante da pessoa com a doença e posteriormente a construção coletiva dos eixos importantes para o plano de cuidado integral. Resultados e Discussão: Houve a participação de 14 médicos atuantes na atenção primária, representando 34% das UBS do município, contemplando tanto profissionais de unidades de zona rural e urbana, sendo duas dessas áreas de população quilombola. Abranger as comunidades quilombolas traz o grande impacto da intervenção, tendo em vista a doença falciforme possuir maior incidência entre a população negra. A partir de um estudo de caso fictício como disparador para discussão revelou como a doença falciforme é frequentemente esquecida nos diagnósticos diferenciais da atenção básica devido a sintomas que se assemelham a outras condições comuns, escassez de exames e familiaridade clínica. A discussão do caso e a construção do plano de cuidado para assistência na AB evidenciou que frente a doença falciforme e enquanto coordenadora do cuidado integral é necessário o diagnóstico precoce através do teste de triagem neonatal, acompanhamento contínuo e prevenção de crises, cuidado odontológico, orientação genética do traço falciforme, reconhecimento da linha de cuidado e rede de atenção à saúde, bem como estabelecer um elo da pessoa e a rede de atenção. Conclusão: Levar para diálogo a temática da doença falciforme através da educação permanente na Atenção Básica possibilita a ampliação do conhecimento, a redução de encaminhamentos e melhora da qualidade de vida. Além disso, abordar a doença permite minimizar os estigmas, combater o preconceito, promover a conscientização e o acesso pleno a políticas públicas, bem como a oferta de um acolhimento humanizado e pautado na equidade.

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AB  - Introdução: A doença falciforme é a doença hereditária mais prevalente no Brasil, mas a sua invisibilidade no contexto da atenção básica (AB) ainda é preponderante, estando os cuidados da pessoa com a doença falciforme concentrada a nível secundário e terciário, fragilizando, dessa forma o cuidado integral. Com isso o presente estudo teve como objetivo promover um diálogo com médicos da atenção básica do município de Garanhuns-PE, de modo a fortalecer a integralidade do cuidado da pessoa com a doença falciforme. Material e Métodos: Através da pesquisa-ação, buscando melhorar a prática do fazer em saúde, mas também aprender na construção do processo, entre o agir e o investigar para transformar um problema, foi promovido como atividade de educação permanente do Hemocentro local em parceria com uma instituição de ensino superior, um momento para os profissionais médicos das unidades básicas de saúde (UBSs) com o intuito de dialogar sobre as temáticas: doença falciforme, traço falciforme, a rede de atenção, a linha de cuidado, o papel da equipe multiprofissional da atenção básica e a doação de sangue. A iniciativa surgiu a partir de uma solicitação da secretaria de saúde local em alusão ao junho vermelho, que aborda sobre a conscientização sobre a doação de sangue, e também em referência ao dia mundial de conscientização sobre a doença falciforme. O encontro foi formatado para uma participação ativa com a troca de saberes, para que fosse compreendido inicialmente como os profissionais desenvolviam sua prática médica diante da pessoa com a doença e posteriormente a construção coletiva dos eixos importantes para o plano de cuidado integral. Resultados e Discussão: Houve a participação de 14 médicos atuantes na atenção primária, representando 34% das UBS do município, contemplando tanto profissionais de unidades de zona rural e urbana, sendo duas dessas áreas de população quilombola. Abranger as comunidades quilombolas traz o grande impacto da intervenção, tendo em vista a doença falciforme possuir maior incidência entre a população negra. A partir de um estudo de caso fictício como disparador para discussão revelou como a doença falciforme é frequentemente esquecida nos diagnósticos diferenciais da atenção básica devido a sintomas que se assemelham a outras condições comuns, escassez de exames e familiaridade clínica. A discussão do caso e a construção do plano de cuidado para assistência na AB evidenciou que frente a doença falciforme e enquanto coordenadora do cuidado integral é necessário o diagnóstico precoce através do teste de triagem neonatal, acompanhamento contínuo e prevenção de crises, cuidado odontológico, orientação genética do traço falciforme, reconhecimento da linha de cuidado e rede de atenção à saúde, bem como estabelecer um elo da pessoa e a rede de atenção. Conclusão: Levar para diálogo a temática da doença falciforme através da educação permanente na Atenção Básica possibilita a ampliação do conhecimento, a redução de encaminhamentos e melhora da qualidade de vida. Além disso, abordar a doença permite minimizar os estigmas, combater o preconceito, promover a conscientização e o acesso pleno a políticas públicas, bem como a oferta de um acolhimento humanizado e pautado na equidade.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -