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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DOENÇA FALCIFORME: INTERFACES ENTRE A VULNERABILIDADE SOCIAL, O PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E O MANEJO PSICOLÓGICO NO CUIDADO INTEGRAL AO PACIENTE

  1. 1Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), Aracaju, SE, Brasil

Abstract

A doença falciforme é uma das hemoglobinopatias hereditárias mais prevalentes no Brasil, apresentando forte associação com determinantes sociais da saúde. Estudos recentes indicam que as desigualdades raciais, econômicas e educacionais influenciam de forma direta o curso clínico da enfermidade e a qualidade de vida dos pacientes. A vulnerabilidade social intensifica o sofrimento físico e psíquico, interferindo na adesão ao tratamento e na percepção de autocuidado. Este estudo propõe analisar as interfaces entre vulnerabilidade social, perfil epidemiológico e manejo psicológico, a fim de contribuir para a formulação de estratégias mais eficazes de atenção e promoção da saúde de pessoas com doença falciforme. O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativo-quantitativa, com delineamento integrativo e abordagem exploratória, voltada à análise das inter-relações entre vulnerabilidade social, indicadores epidemiológicos e manejo psicológico da doença falciforme no contexto brasileiro. A distribuição geográfica revela maior concentração nas regiões Nordeste (43%) e Sudeste (36%), onde se localiza a maior proporção da população afrodescendente (Figura 1). Essa heterogeneidade territorial evidencia o impacto da miscigenação e a necessidade de políticas específicas de rastreamento neonatal e acompanhamento contínuo. Em termos de prevalência por sexo, observam-se proporções semelhantes entre homens e mulheres, embora alguns estudos relatem discreta predominância feminina entre os pacientes cadastrados nos serviços de saúde, o que pode refletir maior adesão das mulheres aos programas de triagem e acompanhamento. A literatura sugere que o comportamento preventivo feminino e o maior contato com os serviços de saúde explicam essa diferença observacional. Já entre os homens, há tendência de subnotificação e menor frequência de acompanhamento ambulatorial, especialmente nas faixas etárias produtivas, o que contribui para maior incidência de complicações e internações por crises álgicas. Quando analisado o perfil educacional e socioeconômico dos indivíduos com doença falciforme, constata-se que 63% possuem escolaridade até o ensino fundamental, e apenas 14% cursaram o ensino superior. No que se refere ao manejo psicológico, verificou-se que apenas 27% dos pacientes têm acesso regular a acompanhamento psicoterápico, sendo a maioria assistida em grupos de apoio vinculados a unidades hospitalares. A compreensão da doença falciforme ultrapassa a dimensão biológica, alcançando territórios simbólicos, sociais e emocionais que moldam a experiência de adoecer. A análise epidemiológica evidenciou um cenário marcado pela desigualdade estrutural, onde os determinantes sociais da saúde, como a raça, o nível educacional e as condições econômicas, mantêm influência decisiva sobre a trajetória clínica e psicossocial dos pacientes. Conclui-se que o manejo da doença falciforme requer uma abordagem interdisciplinar e contínua, que una ciência, cuidado e humanização, consolidando o paradigma do cuidado integral e equitativo no contexto da saúde pública.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -