PANORAMA DAS FUSÕES GÊNICAS NA LEUCEMIA INFANTIL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE DADOS INTERNACIONAIS E CASOS DO HOSPITAL DE ONCOLOGIA INFANTIL DE BELÉM – PARÁ
4 affiliations
- 1Núcleo de Pesquisa em Oncologia, Belém, PA, Brasil
- 2Universidade Federal do Pará, Belém, PA, Brasil
- 3Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo, Belém, PA, Brasil
- 4Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos, Fortaleza, CE, Brasil
Abstract
Introdução: A Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é o câncer hematológico pediátrico mais comum, afetando células B (85%) ou células T (15%). As fusões gênicas desempenham um papel fundamental na leucemogênese e nos desfechos clínicos, mas sua detecção depende do método de sequenciamento utilizado. Objetivos: Caracterizar os perfis de fusão gênica na LLA infantil, comparando bancos de dados públicos e de pacientes pediátricos de um hospital de referência em Belém, PA, Brasil. Métodos: Foram analisados dados de 113.579 amostras da plataforma St. Jude Cloud Genomics, provenientes de RNA-Seq, WES e WGS, e dados de 179 amostras pediátricas obtidas por Nested PCR de cDNA em hospital de referência em oncologia pediátrica (CAAE = 30307820.7.0000.5634). Após triagem por diagnóstico, idade e disponibilidade de dados, foram selecionadas 3.531 amostras de LLA-B e LLA-T do banco público (1.659 RNA-Seq, 1.142 WES e 730 WGS) e 123 amostras hospitalares com biomarcadores moleculares. Os dados foram organizados, filtrados e analisados no R (v4.5.1), com comparação e representação gráfica dos resultados. Resultados: No RNA-Seq (1.659 amostras), a LLA-B predominou (87,1%). As fusões gênicas mais recorrentes foram ETV6::RUNX1 (33,3%), seguidas por rearranjo KMT2A (15%) e DUX4::IGH (11%). Para a LLA-T (10,3%), às fusão observadas foram: gene HOXA (1,6%), TLX3 (1,6%) e LMO2 (1,2%). Para WES (1.142 amostras), B-ALL predominou (85,7%). B-ALL: ETV6::RUNX1 (15,2%), Rearranjo KMT2A (7,8%), e TCF3::PBX1 (11,7%). Entre os casos de T-ALL (8,2%), as mais comuns: TLX3 (2%), TAL1 (1,6%) e HOXA (1,2%). Em WGS (730 amostras), B-ALL representou 87,7% dos casos, com as fusões mais prevalentes: ETV6::RUNX1 (23,2%), Rearranjo KMT2A (10,2%) e TCF3::PBX1 (10,7%). Na LLA-T (10,1%), os eventos mais frequentes foram HOXA (2,4%), TLX3 (1%) e TAL1 (0,8%). Na análise realizada por nested PCR em 123 amostras processadas no hospital de referência, observou-se predomínio de fusões associadas à LLA-B, incluindo ETV6::RUNX1 (22,8%), TCF3::AF4 (8,9%) e BCR::ABL1 (3,3%). Em relação à LLA-T, destacou-se a presença da fusão SIL::TAL1 (2,4%). Discussão: Observou-se concordância entre os dados internacionais e locais quanto à predominância de alterações recorrentes, especialmente ETV6::RUNX1. A detecção de rearranjos KMT2A esteve relacionada principalmente a casos de início precoce, enquanto DUX4::IGH foi identificada sobretudo nas análises de RNA-Seq e WES. Na LLA-T, as diferenças entre as coortes podem estar relacionadas ao direcionamento dos testes, ao tamanho amostral e às características populacionais. As tecnologias de alto rendimento apresentaram maior abrangência na identificação de alterações moleculares, enquanto o Nested PCR mostrou-se útil na detecção de fusões recorrentes e clinicamente relevantes. Conclusão: A análise comparativa entre dados locais e públicos revelou perfil semelhante de fusões predominantes nos casos de LLA-B, com destaque para ETV6::RUNX1, detectado tanto localmente (22,8%) quanto globalmente (variando de 15,2% a 33,3% dependendo da tecnologia utilizada). Outras fusões recorrentes, como rearranjos TCF3::PBX1, DUX4::IGH e KMT2A, também foram observadas em ambas as coortes, embora com variações percentuais que podem refletir diferenças populacionais ou metodológicas. No subtipo LLA-T, enquanto dados públicos apontam para ativações gênicas de HOXA, TLX3, TAL1 e LMO2, no cenário local destacou-se a presença da fusão SIL::TAL1 (2,4%).
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SN - 2531-1379
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