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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DESFECHOS CLÍNICOS E FATORES PROGNÓSTICOS DA LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA EM CENÁRIO DE PRÁTICA REAL: EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO TERCIÁRIO BRASILEIRO

  1. 1Instituto Dor de Pesquisa e Ensino (IDOR), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo da leucemia mieloide aguda caracterizado pelo rearranjo PML::RARA e elevado risco de complicações hemorrágicas. A introdução do ácido all-trans retinoico (ATRA) e do trióxido de arsênio (ATO) transformou seu prognóstico; entretanto, a mortalidade precoce permanece como importante desafio, sobretudo em cenários de prática clínica real. Estudos brasileiros sobre os desfechos desses pacientes ainda são escassos. Metodologia: Estudo observacional retrospectivo, unicêntrico, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, incluindo pacientes com diagnóstico confirmado de LPA atendidos entre 2015 e 2025. Foram avaliadas características clínicas, laboratoriais, terapêuticas e desfechos por análise descritiva e univariada. A sobrevida global (SG) foi estimada por Kaplan-Meier e comparada pelo teste de Log-rank. Resultados: Foram incluídos 22 pacientes, com idade média de 42,7 anos; 68,2% eram do sexo feminino. Quanto a estratificação de risco, 50% apresentavam baixo risco, 18,2% risco intermediário e 31,8% alto risco. Todos receberam tratamento específico, sendo 65% tratados com ATO+ATRA e 35% com IDA+ATRA. A mortalidade precoce foi de 13,6%, incluindo óbitos antes do tratamento específico. A SG foi de 68,2%, com mediana estimada de 96,9 meses. Dezesseis pacientes desenvolveram síndrome de diferenciação e a mediana para remissão completa foi de um mês. Não houve diferença na SG entre os protocolos (p=0,708). Na análise univariada, apenas maior percentual de blastos mieloides (p=0,0153) e menores níveis de fibrinogênio ao diagnóstico (p=0,0453) associaram-se a pior prognóstico. Discussão e conclusão: Nesta coorte de prática real, a SG foi inferior à observada no estudo APL0406, no qual pacientes tratados com ATO+ATRA apresentaram sobrevida superior a 95%. Em contrapartida, nossos resultados aproximam-se dos registros norte-americanos de prática real, que demonstram maior mortalidade precoce e piores desfechos em pacientes idosos e com maior carga de comorbidades. A mortalidade precoce de 13,6% reforça que o reconhecimento imediato da LPA e o início precoce do ATRA permanecem determinantes para o prognóstico. Embora a SG tenha sido numericamente superior com ATO+ATRA, a ausência de diferença estatística provavelmente decorre do pequeno tamanho amostral e da utilização preferencial de IDA+ATRA em pacientes de maior risco. A associação entre maior percentual de blastos mieloides e hipofibrinogenemia ao diagnóstico com pior prognóstico reforça o potencial valor desses marcadores na estratificação prognóstica inicial. Apesar das limitações do delineamento retrospectivo e do reduzido tamanho amostral, este estudo amplia o conhecimento sobre os desfechos da LPA em prática real e reforça a importância da identificação precoce de fatores clínico-laboratoriais associados à evolução desfavorável.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -