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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA E SÍNDROME DE OLLIER: EVOLUÇÃO CLONAL COM AQUISIÇÃO DE FLT3-ITD E IDH1 COMO ELO BIOLÓGICO

  1. 1Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirao Preto (HCFMRP), Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A integração entre achados clínicos, morfológicos, citogenéticos e moleculares é determinante na estratificação de risco e na definição da estratégia terapêutica da leucemia mieloide aguda (LMA). O surgimento de novos clones, sobretudo na recaída, pode conferir resistência e piorar o desfecho. Apresentação do caso: Masculino, 17 anos, portador de síndrome de Ollier, apresentou palidez, febre e lesões cutâneas há 3 meses do diagnóstico, com leucocitose de 178.200/μL. À hematoscopia, numerosos mieloblastos e monoblastos. A imunofenotipagem revelou 78% de blastos em duas populações: (1) 35% CD45dim, CD34-, CD117+, CD33+, CD13+, HLA-DR+, citoMPOparcial; (2) 43% CD45+, CD34-, CD14+, CD64+, CD11b+, CD33+, CD13dim, HLA-DR+, citoMPO parcial, compatível com LMA mielomonocítica. Cariótipo 46,XY; mutação NPM1 positiva e FLT3-ITD negativa (análise de fragmentos); RT-PCR negativo para t(9;22), inv(16), t(15;17), t(8;21) e t(4;11). Havia infiltração liquórica (38% blastos) e biópsia cutânea confirmou cloroma. Recebeu citorredução com hidroxiureia e citarabina. Após, iniciou-se indução conforme protocolo GELMAI, evoluindo com refratariedade. A segunda indução (citarabina em dose intermediária, daunorrubicina e etoposídeo) obteve remissão morfológica, porém com doença residual mensurável (DRM) de 2,68%. A intensificação com mitoxantrone e citarabina em altas doses negativou a DRM. Recebeu consolidação com citarabina em altas doses, mas houve reascensão de DRM com 0,67% antes do transplante de células tronco hematopoiéticas (TCTH). Recebeu 9 ciclos de quimioterapia intratecal. Foi submetido a TCTH alogênico doador não aparentado 10/10, (sangue periférico). Condicionamento com fludarabina, bussulfano e melfalano. Enxertia no D+15, sem DECH. Avaliação no D+20 com DRM negativa. No D+63, recidiva com 29% de blastos de imunofenótipo idêntico ao inicial. Reavaliação molecular manteve NPM1, porém com aquisição de FLT3-ITD (genotipagem por análise de fragmentos e NGS). Painel NGS identificou ainda mutação IDH1 p.Arg132His. Foi refratário a tratamento de resgate com azacitidina e venetoclax. Evoluiu com infecção grave e óbito 2 meses após a recidiva. Discussão: Ocorre malignidade em cerca de 50% dos pacientes com síndrome de Ollier, porém a coexistência com LMA é excepcional. Há poucos casos relatados na literatura, sendo as mutações em IDH1 o provável elo biológico entre ambas as entidades. Mutações em IDH1 estão presentes em até 10% das LMA, com impacto prognóstico variável. A variante IDH1 p.Arg132His é mais frequente em pacientes jovens e frequentemente coocorre com mutações em NPM1 (∼50%), FLT3-ITD, DNMT3A e PTPN11. No contexto de IDH1 mutado, há melhor prognóstico quando há mutação em NPM1, porém a tríade molecular IDH1/NPM1/FLT3-ITD tem sido associada a pior sobrevida global. Aquisição de FLT3-ITD na recidiva caracteriza evolução clonal sob pressão terapêutica, configurando doença de alto risco molecular, provavelmente contribuindo para a refratariedade ao resgate. Terapias alvo, como inibidor de FLT3, IDH1 e menin, são opções promissoras, porém de difícil acesso e com eficácia limitada após falha de venetoclax e em recidiva precoce pós TCTH. Conclusão: O caso reforça a importância da reavaliação molecular na recidiva da LMA, pois evolução clonal pode modificar o perfil prognóstico e revelar potenciais alvos terapêuticos. Ilustra, ainda, rara associação entre síndrome de Ollier e LMA, tendo o IDH1 como provável elo biológico entre ambas.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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