Skip to content
DraconiticResearch
Search Sources API
182,460 studies31 sourcesUpdated 53 min ago
Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PATIENT BLOOD MANAGEMENT NA DOENÇA FALCIFORME: TRANSFUSÃO PRECISA E PREVENÇÃO DE EXPOSIÇÕES ANTIGÊNICAS EVITÁVEIS

  1. 1Pulsa Rio Mesquita, Mesquita, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: A transfusão de hemácias é essencial em complicações específicas da doença falciforme (DF), mas exposições repetidas podem causar aloimunização, reações hemolíticas tardias, hiper-hemólise, sobrecarga de ferro e dificuldade de compatibilização; transfusão simples excessiva pode causar hiperviscosidade ao elevar a hemoglobina sem reduzir proporcionalmente a hemoglobina S. Patient Blood Management (PBM) não é restrição: preserva o benefício com menor exposição evitável. Objetivo: Analisar indicações e mecanismos de PBM que preservem transfusões necessárias, reduzam exposições transfusionais e aloantigênicas evitáveis e previnam complicações cumulativas. Material e métodos: Revisão narrativa estruturada no PubMed/MEDLINE e fontes oficiais, atualizada até julho de 2026. Priorizaram-se diretrizes, revisões sistemáticas, ensaios clínicos e estudos de imuno-hematologia e troca eritrocitária. Os autores reuniram cinco domínios e nove mecanismos: 1) prevenção da necessidade transfusional; 2) precisão da indicação; 3) escolha da modalidade; 4) redução da exposição aloantigênica; e 5) monitoramento do dano cumulativo. Resultados: São indicações: transfusões regulares para prevenção primária em crianças selecionadas com Doppler transcraniano anormal e para prevenção secundária após acidente vascular cerebral (AVC); transfusão urgente diante de déficit neurológico agudo sugestivo de AVC; anemia aguda sintomática, com queda relevante em relação ao nível basal; crise aplásica; sequestro esplênico ou hepático; síndrome torácica aguda grave ou progressiva; e contextos perioperatórios selecionados. Os mecanismos foram: 1) evitar transfusões sem indicação clínica, pois anemia basal estável, dor vaso-oclusiva não complicada e hemoglobina isolada não são indicações rotineiras; 2) definir o Objetivo: corrigir anemia, melhorar a oferta de oxigênio, reduzir a hemoglobina S ou combinar metas; 3) escolher transfusão simples ou troca eritrocitária conforme hemoglobina basal, hiperviscosidade, urgência, carga de ferro, acesso vascular e unidades disponíveis; 4) otimizar terapias, reavaliar programas crônicos e monitorar hemólise e sobrecarga de ferro; 5) obter perfil antigênico ampliado precoce, preferencialmente por genotipagem quando disponível; 6) compatibilizar Rh/K e ampliar conforme risco e anticorpos atuais ou históricos; 7) preservar o histórico imuno-hematológico, incluindo anticorpos evanescentes; 8) após ≥12 meses de transfusões na prevenção primária, considerar transição à hidroxiureia em dose máxima tolerada apenas em crianças sem vasculopatia à angio-RM nem infarto silencioso à RM; na prevenção secundária, manter transfusões; e 9) mensurar, além das unidades, a exposição a aloantígenos eritrocitários ausentes no receptor. Discussão: A evidência é mais consistente na prevenção neurológica de crianças selecionadas, mas limitada em cenários agudos, obstétricos e perioperatórios. A extensão ideal da compatibilização provém sobretudo de estudos observacionais. Os cinco domínios e nove mecanismos constituem síntese integrativa; a métrica de exposição aloantigênica requer validação prospectiva. Conclusão: Na DF, PBM significa preservar transfusões necessárias, evitar exposições sem benefício clínico e, quando transfundir, reduzir exposições aloantigênicas evitáveis com seleção individualizada. Seu êxito deve considerar benefício clínico, dano evitado e exposição a aloantígenos ausentes no receptor, não apenas unidades não transfundidas.

Related

  1. O LABORATÓRIO CLÍNICO COMO BARREIRA DE SEGURANÇA NA PREVENÇÃO DE TRANSFUSÃO DESNECESSÁRIA EM PACIENTE COM DOENÇA FALCIFORME GRAVE: RELATO DE CASO
    Renan Augusto KLEINUBING, Eduardo Hiroshi TAKEMOTO, Gabriela SCALCON +9
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textHuman geneticsDOAJ
  2. ANTECIPANDO OS RESULTADOS DA TRANSFUSÃO DE TROCA NA DOENÇA FALCIFORME: VALIDAÇÃO DE UM INSTRUMENTO INFORMATIZADO
    Rafaela Spertine Moreira NEVES, Thomás Alvim Mendonça Borges de ALMEIDA, Thiago Dos Santos FERREIRA +2
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textHuman geneticsDOAJ
  3. PREVENDO O PLATÔ DA HBS: UM MODELO MATEMÁTICO PARA DEFINIR A EFICÁCIA IDEAL DA TRANSFUSÃO DE TROCA NA DOENÇA FALCIFORME
    Thomás Alvim Mendonça Borges de ALMEIDA, Rafaela Spertine Moreira NEVES, Thiago Dos Santos FERREIRA +2
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textHuman geneticsDOAJ
  4. VOLUME DE TRANSFUSÃO AJUSTADO AO PESO CORPORAL DETERMINA O CONTROLE DA HEMOGLOBINA S NA DOENÇA FALCIFORME: EVIDÊNCIA CONFIRMADA POR MODELAGEM ESTATÍSTICA HIERÁRQUICA
    Thomas Alvim Mendonça Borges de ALMEIDA, Rafaela Spertine Moreira NEVES, Thiago Dos Santos FERREIRA +2
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textHuman geneticsDOAJ
  5. IMPLEMENTAÇÃO DA PRÁTICA DE PATIENT BLOOD MANAGEMENT (PBM) EM UNIDADE DE TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA: OTIMIZAÇÃO DE COLETAS E PREVENÇÃO DA ANEMIA IATROGÊNICA
    Heloíza Gabrielly de Oliveira CAVALCANTI, Michele Santos LIMA, Isabel Cristina CÉSPEDES +2
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
BibTeX
@article{tyll2026patient,
  title = {{PATIENT BLOOD MANAGEMENT NA DOENÇA FALCIFORME: TRANSFUSÃO PRECISA E PREVENÇÃO DE EXPOSIÇÕES ANTIGÊNICAS EVITÁVEIS}},
  author = {João Carlos TYLL},
  journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
  year = {2026},
  month = oct,
  doi = {10.1016/j.htct.2026.107382},
  url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107382},
  note = {CC BY},
}
RIS
TY  - JOUR
TI  - PATIENT BLOOD MANAGEMENT NA DOENÇA FALCIFORME: TRANSFUSÃO PRECISA E PREVENÇÃO DE EXPOSIÇÕES ANTIGÊNICAS EVITÁVEIS
AU  - João Carlos TYLL
PY  - 2026
DA  - 2026/10/23
JO  - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO  - 10.1016/j.htct.2026.107382
UR  - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107382
AB  - Introdução: A transfusão de hemácias é essencial em complicações específicas da doença falciforme (DF), mas exposições repetidas podem causar aloimunização, reações hemolíticas tardias, hiper-hemólise, sobrecarga de ferro e dificuldade de compatibilização; transfusão simples excessiva pode causar hiperviscosidade ao elevar a hemoglobina sem reduzir proporcionalmente a hemoglobina S. Patient Blood Management (PBM) não é restrição: preserva o benefício com menor exposição evitável. Objetivo: Analisar indicações e mecanismos de PBM que preservem transfusões necessárias, reduzam exposições transfusionais e aloantigênicas evitáveis e previnam complicações cumulativas. Material e métodos: Revisão narrativa estruturada no PubMed/MEDLINE e fontes oficiais, atualizada até julho de 2026. Priorizaram-se diretrizes, revisões sistemáticas, ensaios clínicos e estudos de imuno-hematologia e troca eritrocitária. Os autores reuniram cinco domínios e nove mecanismos: 1) prevenção da necessidade transfusional; 2) precisão da indicação; 3) escolha da modalidade; 4) redução da exposição aloantigênica; e 5) monitoramento do dano cumulativo. Resultados: São indicações: transfusões regulares para prevenção primária em crianças selecionadas com Doppler transcraniano anormal e para prevenção secundária após acidente vascular cerebral (AVC); transfusão urgente diante de déficit neurológico agudo sugestivo de AVC; anemia aguda sintomática, com queda relevante em relação ao nível basal; crise aplásica; sequestro esplênico ou hepático; síndrome torácica aguda grave ou progressiva; e contextos perioperatórios selecionados. Os mecanismos foram: 1) evitar transfusões sem indicação clínica, pois anemia basal estável, dor vaso-oclusiva não complicada e hemoglobina isolada não são indicações rotineiras; 2) definir o Objetivo: corrigir anemia, melhorar a oferta de oxigênio, reduzir a hemoglobina S ou combinar metas; 3) escolher transfusão simples ou troca eritrocitária conforme hemoglobina basal, hiperviscosidade, urgência, carga de ferro, acesso vascular e unidades disponíveis; 4) otimizar terapias, reavaliar programas crônicos e monitorar hemólise e sobrecarga de ferro; 5) obter perfil antigênico ampliado precoce, preferencialmente por genotipagem quando disponível; 6) compatibilizar Rh/K e ampliar conforme risco e anticorpos atuais ou históricos; 7) preservar o histórico imuno-hematológico, incluindo anticorpos evanescentes; 8) após ≥12 meses de transfusões na prevenção primária, considerar transição à hidroxiureia em dose máxima tolerada apenas em crianças sem vasculopatia à angio-RM nem infarto silencioso à RM; na prevenção secundária, manter transfusões; e 9) mensurar, além das unidades, a exposição a aloantígenos eritrocitários ausentes no receptor. Discussão: A evidência é mais consistente na prevenção neurológica de crianças selecionadas, mas limitada em cenários agudos, obstétricos e perioperatórios. A extensão ideal da compatibilização provém sobretudo de estudos observacionais. Os cinco domínios e nove mecanismos constituem síntese integrativa; a métrica de exposição aloantigênica requer validação prospectiva. Conclusão: Na DF, PBM significa preservar transfusões necessárias, evitar exposições sem benefício clínico e, quando transfundir, reduzir exposições aloantigênicas evitáveis com seleção individualizada. Seu êxito deve considerar benefício clínico, dano evitado e exposição a aloantígenos ausentes no receptor, não apenas unidades não transfundidas.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -