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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PREVENDO O PLATÔ DA HBS: UM MODELO MATEMÁTICO PARA DEFINIR A EFICÁCIA IDEAL DA TRANSFUSÃO DE TROCA NA DOENÇA FALCIFORME

  1. 1Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG, Brasil
  2. 2Fundação Hemominas, Juiz de Fora, MG, Brasil

Abstract

Introdução: A transfusão de troca crônica constitui a principal estratégia para profilaxia primária e secundária do acidente vascular encefálico na doença falciforme. O alvo é manter o percentual de hemoglobina S (HbS) abaixo de 30%. Embora a eritrocitaférese terapêutica seja mais eficaz e apresente melhor perfil de segurança para atingir esse objetivo, sua disponibilidade permanece limitada, tornando a transfusão de troca manual a principal alternativa para grande parte dos pacientes. Gianesin et al. (2020), ao validarem um protocolo multicêntrico, encontraram uma taxa média de incremento diário da HbS de 0,39% (IC95%: 0,31–0,47) e consideraram satisfatórias as reduções de 15–20% quando os valores pré-transfusionais excediam 50%. Embora as diretrizes definam uma meta para a HbS, não existe consenso quanto ao percentual de redução da HbS que caracterize um procedimento eficaz, evidenciando a necessidade de parâmetros objetivos para padronização e individualização dos protocolos. Objetivos: Determinar, por modelagem matemática, a relação entre a taxa diária de incremento da HbS, o intervalo entre transfusões de troca e o percentual de redução necessário para manter a HbS estável dentro do alvo terapêutico definido. Material e métodos: A partir de uma coorte de 33 pacientes e 297 transfusões no Hemocentro de Juiz de Fora – Fundação Hemominas, calculou-se a taxa diária global de incremento de HbS entre procedimentos consecutivos. O resultado desta taxa foi comparado ao da literatura. Construiu-se então um modelo determinístico recursivo: HbS pós é igual a HbS pré multiplicado pela subtração de um (1) pela eficácia do procedimento, e HbS pré é igual a HbS pós anterior somado do intervalo multiplicado pela taxa diária de incremento. O equilíbrio desse modelo (platô) permite calcular analiticamente a eficácia mínima necessária para sustentar qualquer alvo terapêutico, dado um intervalo escolhido; a convergência foi confirmada por simulação iterativa. Resultados: A taxa diária mediana de incremento de HbS na nossa coorte foi de 0,379% (Q1 = 0,267 e Q3 = 0,503; IC95% 0,36–0,40), sem diferença estatisticamente significativa em relação ao valor de Gianesin et al. (teste de Wilcoxon, p = 0,233), replicando de forma independente a estimativa da literatura em uma coorte brasileira. O modelo matemático demonstrou que a eficácia necessária às transfusões de troca equivale ao produto entre taxa diária e intervalo, dividido pelo alvo terapêutico. A simulação iterativa confirmou que, mantidos taxa, intervalo e eficácia constantes, o sistema converge para um platô estável após poucos ciclos transfusionais. Discussão e conclusão: A reprodutibilidade da taxa diária de incremento da HbS observada em uma coorte independente sustenta sua utilização como parâmetro para o planejamento transfusional. O modelo desenvolvido demonstra que a eficácia necessária da transfusão de troca decorre da relação entre a taxa de incremento da HbS, o intervalo entre procedimentos e o alvo terapêutico, permitindo calcular objetivamente a eficácia mínima requerida para manter a HbS em equilíbrio. Este modelo oferece uma ferramenta simples para o planejamento de protocolos transfusionais, permitindo ajustar a eficácia à rotina logística de cada serviço sem comprometer o controle da HbS e poderá orientar estudos prospectivos destinados a validar sua aplicabilidade clínica.

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AB  - Introdução: A transfusão de troca crônica constitui a principal estratégia para profilaxia primária e secundária do acidente vascular encefálico na doença falciforme. O alvo é manter o percentual de hemoglobina S (HbS) abaixo de 30%. Embora a eritrocitaférese terapêutica seja mais eficaz e apresente melhor perfil de segurança para atingir esse objetivo, sua disponibilidade permanece limitada, tornando a transfusão de troca manual a principal alternativa para grande parte dos pacientes. Gianesin et al. (2020), ao validarem um protocolo multicêntrico, encontraram uma taxa média de incremento diário da HbS de 0,39% (IC95%: 0,31–0,47) e consideraram satisfatórias as reduções de 15–20% quando os valores pré-transfusionais excediam 50%. Embora as diretrizes definam uma meta para a HbS, não existe consenso quanto ao percentual de redução da HbS que caracterize um procedimento eficaz, evidenciando a necessidade de parâmetros objetivos para padronização e individualização dos protocolos. Objetivos: Determinar, por modelagem matemática, a relação entre a taxa diária de incremento da HbS, o intervalo entre transfusões de troca e o percentual de redução necessário para manter a HbS estável dentro do alvo terapêutico definido. Material e métodos: A partir de uma coorte de 33 pacientes e 297 transfusões no Hemocentro de Juiz de Fora – Fundação Hemominas, calculou-se a taxa diária global de incremento de HbS entre procedimentos consecutivos. O resultado desta taxa foi comparado ao da literatura. Construiu-se então um modelo determinístico recursivo: HbS pós é igual a HbS pré multiplicado pela subtração de um (1) pela eficácia do procedimento, e HbS pré é igual a HbS pós anterior somado do intervalo multiplicado pela taxa diária de incremento. O equilíbrio desse modelo (platô) permite calcular analiticamente a eficácia mínima necessária para sustentar qualquer alvo terapêutico, dado um intervalo escolhido; a convergência foi confirmada por simulação iterativa. Resultados: A taxa diária mediana de incremento de HbS na nossa coorte foi de 0,379% (Q1 = 0,267 e Q3 = 0,503; IC95% 0,36–0,40), sem diferença estatisticamente significativa em relação ao valor de Gianesin et al. (teste de Wilcoxon, p = 0,233), replicando de forma independente a estimativa da literatura em uma coorte brasileira. O modelo matemático demonstrou que a eficácia necessária às transfusões de troca equivale ao produto entre taxa diária e intervalo, dividido pelo alvo terapêutico. A simulação iterativa confirmou que, mantidos taxa, intervalo e eficácia constantes, o sistema converge para um platô estável após poucos ciclos transfusionais. Discussão e conclusão: A reprodutibilidade da taxa diária de incremento da HbS observada em uma coorte independente sustenta sua utilização como parâmetro para o planejamento transfusional. O modelo desenvolvido demonstra que a eficácia necessária da transfusão de troca decorre da relação entre a taxa de incremento da HbS, o intervalo entre procedimentos e o alvo terapêutico, permitindo calcular objetivamente a eficácia mínima requerida para manter a HbS em equilíbrio. Este modelo oferece uma ferramenta simples para o planejamento de protocolos transfusionais, permitindo ajustar a eficácia à rotina logística de cada serviço sem comprometer o controle da HbS e poderá orientar estudos prospectivos destinados a validar sua aplicabilidade clínica.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -