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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

SÍNDROME VEXAS: DISTRIBUIÇÃO DA VACUOLIZAÇÃO EM PRECURSORES MIELOIDES E ERITROIDES E ACHADOS IMUNOFENOTÍPICOS

  1. 1Grupo Fleury, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A síndrome VEXAS (Vacuoles, E1 enzyme, X-linked, Autoinflammatory, Somatic) é uma doença autoinflamatória clonal adquirida causada por mutações somáticas em UBA1, caracterizada pela associação entre manifestações inflamatórias sistêmicas (policondrite recidivante, dermatose neutrofílica e/ou poliarterite nodosa) e SMD ou GMSI. Anemia macrocítica, citopenias e displasia medular são frequentes e podem mimetizar neoplasias mieloides. A vacuolização citoplasmática de precursores mieloides e eritroides constitui um achado morfológico sugestivo, embora inespecífico e de distribuição e intensidade variáveis. A caracterização quantitativa da vacuolização e sua integração com alterações imunofenotípicas podem contribuir para o reconhecimento do padrão medular associado à doença. Objetivo: Caracterizar os achados hematológicos, citomorfológicos e imunofenotípicos de dois pacientes com síndrome VEXAS, com ênfase na distribuição e quantificação da vacuolização dos precursores hematopoéticos. Relato dos Casos: Caso 1: homem de 78 anos com rigidez axial e claudicação, em tratamento imunomodulador. Apresentava hemoglobina de 14,3 g/dL, discreta macrocitose, leucócitos de 5.010/mm 3 com desvio à esquerda, plaquetas de 294.000/mm 3 e PCR de 14,21 mg/dL. O aspirado de medula óssea mostrou hipercelularidade nas 3 séries, hipergranularidade neutrofílica e diseritropoese discreta. Vacuolização citoplasmática foi observada em 24% dos promielócitos, com 2–4 vacúolos por célula, e em 9% dos proeritroblastos, com 2–5 vacúolos. A citometria de fluxo demonstrou maturação eritroide anormal, com expressão heterogênea de CD71 e CD36, proeritroblastos (CD117+/CD105+) com SSC elevado e ausência de precursores linfoides B. Caso 2: homem de 75 anos com síndrome de Sweet há 5 anos, associada a trombose arterial, sintomas sistêmicos e anemia grave (Hb 5,7 g/dL), com neutrófilos de 1.610/mm 3 e plaquetas de 325.000/mm 3 recente. O mielograma evidenciou discreto retardo maturativo granulocítico, hipergranularidade neutrofílica, diseritropoese moderada e alterações megaloblastoides. A análise quantitativa demonstrou 28% dos promielócitos vacuolizados, contendo 3–10 vacúolos por célula, e 12% dos proeritroblastos vacuolizados, contendo 3–8 vacúolos. A biópsia mostrou medula hipercelular para a idade (40–50%), formas eritroides megaloblastoides, discreta dismegacariocitopoese e ausência de fibrose. Ambos os pacientes apresentavam mutação somática patogênica em UBA1: c.122T>C, p. Met41Thr (VAF=23%) e c.121A>C, p.Met41Leu (VAF=52%), respectivamente. Discussão: Os casos demonstram um padrão morfológico concordante, caracterizado por vacuolização preferencial dos precursores hematopoéticos imaturos, mais frequente em promielócitos do que em proeritroblastos, associada a alterações granulocíticas e eritroides de intensidade variável. Observou-se vacuolização em aproximadamente um quarto dos promielócitos em ambos os pacientes, evidenciando que a avaliação específica por estágio maturativo pode ser mais informativa que a descrição qualitativa isolada. No caso avaliado por citometria, a ausência de precursores B, a maturação eritroide anormal e o aumento do SSC dos proeritroblastos forneceram achados adicionais de hematopoese anômala. A integração entre análise morfológica quantitativa, imunofenotipagem e investigação molecular pode ampliar o reconhecimento do espectro medular da síndrome VEXAS e auxiliar na seleção de pacientes para pesquisa direcionada de mutações em UBA1.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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