LEUCOCITOSE PERSISTENTE COMO MANIFESTAÇÃO INICIAL DE MIELOMA MÚLTIPLO: RELATO DE CASO
- 1UNIVATES, Lajeado, RS, Brasil
Abstract
Introdução: O mieloma múltiplo (MM) representa cerca de 10% das neoplasias hematológicas e caracteriza-se pela expansão clonal de plasmócitos que produzem anticorpos monoclonais não funcionais (proteínas M), resultando em níveis séricos elevados dessas proteínas. A apresentação clássica são os sintomas “CRAB'' (hipercalcemia, insuficiência renal, anemia e lesões ósseas), além de fadiga, perda de peso e dor óssea. O critério diagnóstico é a presença de >10% de plasmócitos clonais na medula óssea ou um plasmocitoma confirmado por biópsia. As manifestações atípicas ocorrem quando o paciente não apresenta os sintomas clássicos, apesar da contagem elevada de plasmócitos. Neste relato, o paciente manifestou leucocitose, um aumento na contagem de glóbulos brancos (>11.000 células/µL), caracterizando uma apresentação atípica de MM. Relato de caso: Paciente masculino, 71 anos, portador de doenças crônicas, ex-etilista e tabagista foi encaminhado para avaliação Hematológica devido a leucocitose persistente (22.010/mm³) e anemia discreta (11,8 g/dL), sem demais sintomas. Na avaliação inicial, foram solicitados medulograma, biópsia de medula óssea e cariótipo para pesquisa de síndrome mieloproliferativa. O cariótipo foi normal; entretanto, o medulograma evidenciou gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS), com 5,5% de plasmócitos. Após 6 meses, houve persistência da leucocitose, piora da anemia e elevação da relação de cadeias leves livres (Freelite = 115). Novo medulograma demonstrou 23% de plasmócitos; imunofenotipagem identificou 17% de plasmócitos clonais e a biópsia confirmou o diagnóstico de mieloma múltiplo de cadeias leves kappas. O paciente foi considerado inelegível para transplante autólogo em razão da idade e comorbidades, por isso, optou-se por iniciar o tratamento com protocolo CEPHEUS (Daratumumabe, Bortezomibe, Lenalidomida e Dexametasona). Contudo, apresentou quadro de Miocardiopatia Dilatada descompensada,previamente não diagnosticada, levando à suspensão temporária do protocolo. Evoluiu também com neuropatia periférica relacionada ao Bortezomibe, determinando a sua descontinuação. Após a estabilização clínica, o Daratumumabe foi reintroduzido em associação à Lenalidomida e à Dexametasona. Apesar das intercorrências, o paciente alcançou resposta hematológica completa, normalização das contagens lecocitárias e permanece em seguimento. Discussão: A leucocitose é investigada no contexto de neoplasias mieloproliferativas; contudo, sua presença como manifestação inicial no MM é incomum. No caso, a avaliação medular inicial foi compatível com MGUS, sem critérios diagnósticos para MM. Entretanto, a identificação da MGUS, a persistência da leucocitose, a progressão da anemia e o aumento da relação de cadeias leves livres motivou a reavaliação, permitindo o diagnóstico definitivo. Conclusão: Este caso mostra que o MM pode manifestar-se de forma atípica. O acompanhamento clínico e a reavaliação medular são importantes na MGUS na persistência das alterações hematológicas. Portanto, reconhecer apresentações incomuns é fundamental para o diagnóstico e para o manejo adequado das complicações inerentes ao tratamento e à evolução da doença.
Related
- TROMBOCITOPENIA CONGÊNITA PERSISTENTE COMO MANIFESTAÇÃO INICIAL DA SÍNDROME DE JACOBSEN: RELATO DE CASO
- PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO DA DOENÇA EXTRAMEDULAR DO MIELOMA MÚLTIPLO NA BOCA
- SANGRAMENTO DIGESTIVO ALTO COMO MANIFESTAÇÃO DE PLASMOCITOMA GÁSTRICO EM MIELOMA MÚLTIPLO
- PLASMOCITOMA PULMONAR COMO MANIFESTAÇÃO EXTRAMEDULAR DE MIELOMA MÚLTIPLO IgA/KAPPA ISS III: RELATO DE CASO
- PLASMOCITOMA PANCREÁTICO COMO MANIFESTAÇÃO DE RECIDIVA EXTRAMEDULAR DE MIELOMA MÚLTIPLO ASSOCIADO À SÍNDROME DE LISE TUMORAL: RELATO DE CASO
BibTeX
@article{lorenzini2026leucocitose,
title = {{LEUCOCITOSE PERSISTENTE COMO MANIFESTAÇÃO INICIAL DE MIELOMA MÚLTIPLO: RELATO DE CASO}},
author = {Isadora DIAS LORENZINI and Bibiana JACQUES SCHWAAB and Érica ZORZI TREMEA and Pollyana SOMAVILLA MACHADO and Martina HAAS FRANZEN and Bárbara NAVA and Juliana KRATOCHVIL},
journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
year = {2026},
month = oct,
doi = {10.1016/j.htct.2026.107887},
url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107887},
note = {CC BY},
}
RIS
TY - JOUR
TI - LEUCOCITOSE PERSISTENTE COMO MANIFESTAÇÃO INICIAL DE MIELOMA MÚLTIPLO: RELATO DE CASO
AU - Isadora DIAS LORENZINI
AU - Bibiana JACQUES SCHWAAB
AU - Érica ZORZI TREMEA
AU - Pollyana SOMAVILLA MACHADO
AU - Martina HAAS FRANZEN
AU - Bárbara NAVA
AU - Juliana KRATOCHVIL
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107887
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107887
AB - Introdução: O mieloma múltiplo (MM) representa cerca de 10% das neoplasias hematológicas e caracteriza-se pela expansão clonal de plasmócitos que produzem anticorpos monoclonais não funcionais (proteínas M), resultando em níveis séricos elevados dessas proteínas. A apresentação clássica são os sintomas “CRAB'' (hipercalcemia, insuficiência renal, anemia e lesões ósseas), além de fadiga, perda de peso e dor óssea. O critério diagnóstico é a presença de >10% de plasmócitos clonais na medula óssea ou um plasmocitoma confirmado por biópsia. As manifestações atípicas ocorrem quando o paciente não apresenta os sintomas clássicos, apesar da contagem elevada de plasmócitos. Neste relato, o paciente manifestou leucocitose, um aumento na contagem de glóbulos brancos (>11.000 células/µL), caracterizando uma apresentação atípica de MM. Relato de caso: Paciente masculino, 71 anos, portador de doenças crônicas, ex-etilista e tabagista foi encaminhado para avaliação Hematológica devido a leucocitose persistente (22.010/mm³) e anemia discreta (11,8 g/dL), sem demais sintomas. Na avaliação inicial, foram solicitados medulograma, biópsia de medula óssea e cariótipo para pesquisa de síndrome mieloproliferativa. O cariótipo foi normal; entretanto, o medulograma evidenciou gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS), com 5,5% de plasmócitos. Após 6 meses, houve persistência da leucocitose, piora da anemia e elevação da relação de cadeias leves livres (Freelite = 115). Novo medulograma demonstrou 23% de plasmócitos; imunofenotipagem identificou 17% de plasmócitos clonais e a biópsia confirmou o diagnóstico de mieloma múltiplo de cadeias leves kappas. O paciente foi considerado inelegível para transplante autólogo em razão da idade e comorbidades, por isso, optou-se por iniciar o tratamento com protocolo CEPHEUS (Daratumumabe, Bortezomibe, Lenalidomida e Dexametasona). Contudo, apresentou quadro de Miocardiopatia Dilatada descompensada,previamente não diagnosticada, levando à suspensão temporária do protocolo. Evoluiu também com neuropatia periférica relacionada ao Bortezomibe, determinando a sua descontinuação. Após a estabilização clínica, o Daratumumabe foi reintroduzido em associação à Lenalidomida e à Dexametasona. Apesar das intercorrências, o paciente alcançou resposta hematológica completa, normalização das contagens lecocitárias e permanece em seguimento. Discussão: A leucocitose é investigada no contexto de neoplasias mieloproliferativas; contudo, sua presença como manifestação inicial no MM é incomum. No caso, a avaliação medular inicial foi compatível com MGUS, sem critérios diagnósticos para MM. Entretanto, a identificação da MGUS, a persistência da leucocitose, a progressão da anemia e o aumento da relação de cadeias leves livres motivou a reavaliação, permitindo o diagnóstico definitivo. Conclusão: Este caso mostra que o MM pode manifestar-se de forma atípica. O acompanhamento clínico e a reavaliação medular são importantes na MGUS na persistência das alterações hematológicas. Portanto, reconhecer apresentações incomuns é fundamental para o diagnóstico e para o manejo adequado das complicações inerentes ao tratamento e à evolução da doença.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -