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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

ESTUDO DE DOCKING MOLECULAR DAS INTERAÇÕES DA MELATONINA COM PROTEÍNAS ENVOLVIDAS EM PROCESSOS BIOLÓGICOS RELEVANTES NA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA

  1. 1Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil
  2. 2Usak University, Turquia
  3. 3Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

A leucemia mieloide aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela expansão clonal de precursores mieloides imaturos e pelo bloqueio da diferenciação celular, resultando em falência da hematopoiese e em um curso clínico agressivo. A resposta terapêutica permanece limitada em parte dos pacientes devido à persistência de células-tronco leucêmicas e à ativação de mecanismos de sobrevivência celular. Nesse contexto, a identificação de moléculas capazes de potencializar as terapias disponíveis tem despertado interesse. A melatonina, uma indolamina sintetizada principalmente pela glândula pineal, apresenta propriedades antioxidantes, imunomoduladoras e antitumorais, atuando na regulação da homeostase celular, do estresse oxidativo, da proliferação e apoptose. Entretanto, seus alvos moleculares na LMA ainda são pouco conhecidos. Este estudo investigou, por meio de docking molecular, a interação da melatonina com proteínas envolvidas em processos celulares relevantes para a LMA. As simulações foram realizadas no AutoDock Vina utilizando as estruturas cristalográficas de KEAP1, ROCK1, BCL-2 e do marcador mieloide CD33. O venetoclax, inibidor de BCL-2 aprovado para o tratamento da LMA, foi utilizado como controle positivo para comparação das afinidades de ligação. O protocolo foi validado por redocking dos ligantes cocristalizados, apresentando valores de RMSD inferiores a 2,0 Å para todos os alvos. As interações intermoleculares foram analisadas no Discovery Studio Visualizer. A melatonina apresentou afinidade de ligação dependente do alvo, com melhores resultados para KEAP1 (−7,22 kcal/mol) e ROCK1 (−7,13 kcal/mol), seguidos por BCL-2 (−6,03 kcal/mol) e CD33 (−4,40 kcal/mol). Como esperado, o venetoclax apresentou afinidades de ligação superiores, com valores de −13,55 kcal/mol para KEAP1, −11,63 kcal/mol para ROCK1, −11,43 kcal/mol para BCL-2 e −7,36 kcal/mol para CD33. Os complexos melatonina–KEAP1 e melatonina–ROCK1 apresentaram as maiores afinidades entre os alvos avaliados, sendo caracterizados por seis e treze interações intermoleculares, respectivamente, incluindo ligações de hidrogênio, interações hidrofóbicas e contatos do tipo π. Em KEAP1, interações polares e aromáticas contribuíram para a estabilização do complexo, enquanto ROCK1 apresentou uma rede mais extensa de contatos hidrofóbicos. BCL-2 exibiu afinidade intermediária, enquanto CD33 apresentou a menor afinidade de ligação. Os resultados in silico demonstram que a melatonina apresenta um perfil de interação multitarget com proteínas envolvidas em vias relevantes para a resposta terapêutica na LMA, incluindo mecanismos relacionados à homeostase redox, à dinâmica do citoesqueleto e à apoptose. Embora suas afinidades de ligação tenham sido inferiores às do venetoclax, a capacidade de interagir com múltiplos alvos sugere um potencial papel modulador da melatonina em processos celulares associados à progressão da doença. Esses achados fornecem base para futuras investigações experimentais visando avaliar seu potencial como agente adjuvante no tratamento da leucemia mieloide aguda.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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