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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LINFOMA ANAPLÁSICO DE GRANDES CÉLULAS ASSOCIADO A IMPLANTE MAMÁRIO: RELATO DE CASO

  1. 1Santa Casa de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil

Abstract

Introdução: O linfoma anaplásico de grandes células associado a implante mamário (BIA-ALCL) é uma neoplasia rara de células T, geralmente relacionada a implantes mamários texturizados. A apresentação mais frequente é o seroma tardio periprótese, sendo o diagnóstico baseado na avaliação citológica e imunofenotípica do líquido periprotético. O reconhecimento precoce é fundamental para a definição terapêutica e para a melhora dos desfechos. Objetivo: Relatar um caso de BIA-ALCL diagnosticado a partir de seroma tardio em paciente portadora de implante mamário. Relato de caso: Paciente feminina, 71 anos, com histórico de mamoplastia com implantes mamários há mais de 12 anos e diagnóstico de neoplasia de endométrio tratada em 2021 com histerectomia e radioterapia. Em janeiro de 2026 apresentou seroma tardio em mama direita, inicialmente tratado com antimicrobianos, sem resposta clínica. Foi realizada punção ecoguiada do líquido periprótese, cuja imunofenotipagem evidenciou 1,1% de células expressando CD30, CD56, CD26, CD33, CD4 e CD45, compatível com BIA-ALCL. O estadiamento por PET/CT demonstrou captação na cápsula da prótese direita (SUVmáx 4,7) e linfonodomegalias mediastinais e subcarinais hipermetabólicas, correspondendo ao estádio clínico IIA. Em maio de 2026 realizou explante bilateral com capsulectomia bilateral e ressecção cirúrgica das lesões. Conforme recomendações internacionais e estadiamento clínico IIA, optou-se por tratamento sistêmico com esquema CHOP (Ciclofosfamida, Doxorrubicina, Vincristina e Prednisona), iniciado em julho de 2026. Atualmente, encontra-se no segundo ciclo de tratamento com associação de filgrastim devido à toxicidade hematológica (neutropenia grau 4), sem episódios infecciosos até o momento. Discussão: O BIA-ALCL é uma entidade rara cujo principal sinal de alerta é o seroma tardio em pacientes com implantes mamários. A análise citológica e imunofenotípica do líquido periprótese é essencial para o diagnóstico. Embora a maioria dos casos apresente doença localizada passível de tratamento cirúrgico exclusivo, o acometimento linfonodal requer abordagem multimodal, incluindo tratamento sistêmico. O caso ressalta a importância da suspeição clínica e do estadiamento adequado para definição terapêutica. Conclusão: Este relato reforça a necessidade de investigação de seroma tardio em pacientes portadoras de implantes mamários, permitindo diagnóstico precoce do BIA-ALCL. A associação entre cirurgia e tratamento sistêmico pode proporcionar controle da doença nos casos com acometimento linfonodal, destacando a importância do manejo multidisciplinar.

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RIS
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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -