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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LINFOMA ANAPLÁSICO DE CÉLULAS GIGANTES ASSOCIADO A IMPLANTES MAMÁRIOS (BIA-ALCL): RELATO DE CASO

  1. 1Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

INTRODUÇÃO: O linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL) é uma neoplasia rara de células T, classificada entre os linfomas não Hodgkin e caracterizada pela expressão de CD30 e ausência de ALK. Sua etiopatogenia não está totalmente esclarecida, mas é relacionada à inflamação crônica no espaço periprotético, especialmente com implantes de superfície texturizada. A apresentação mais frequente é o seroma tardio, podendo ocorrer massa capsular e linfonodomegalia. O reconhecimento precoce é fundamental, pois a extensão da doença orienta o tratamento e o prognóstico. Relato de caso: Paciente de 37 anos, previamente saudável, submetida em 2017 à mamoplastia de aumento estética com implantes de silicone texturizado. Em 2021, procurou atendimento por aumento do volume da mama direita e dor intensa na mama esquerda. A ultrassonografia evidenciou moderada quantidade de líquido intracapsular à direita, sem lesões sólidas suspeitas ou linfonodomegalias, sendo classificada como BI-RADS 2. Realizou-se punção aspirativa por agulha fina, com retirada de 210 mL de líquido amarelo citrino. A citologia mostrou pequenos linfócitos e macrófagos, com pesquisa de CD30 e ALK-1 negativa para malignidade. A ressonância magnética corroborou os achados benignos. Em 2022, houve recorrência; nova ultrassonografia e punção apresentaram achados semelhantes e resultado novamente negativo, sendo orientada a avaliar a retirada dos implantes. Em 2023, retornou com aumento do volume e dor persistente na mama direita. Ao exame, havia massa palpável nos quadrantes inferiores e linfonodomegalia supraclavicular ipsilateral. A ultrassonografia com Doppler revelou nódulo heterogêneo e irregular, medindo 5,3 × 2,2 × 3,0 cm, adjacente ao implante e classificado como BI-RADS 4. A ressonância confirmou a lesão suspeita, e o PET-CT demonstrou espessamento retroprotético hipermetabólico e linfonodomegalias supraclaviculares, infraclaviculares e mediastinais. A core biópsia revelou necrose e células grandes pleomórficas com nucléolos. A imunohistoquímica apresentou positividade forte e difusa para CD30 e CD3 e negatividade para ALK-1, confirmando BIA-ALCL. A paciente foi submetida à capsulectomia total bilateral e quimioterapia pelo protocolo CHOP. Na última avaliação, permanecia sem evidência de recidiva e optou por não inserir novos implantes. Discussão e conclusão: O caso destaca uma apresentação incomum do BIA-ALCL, com seroma tardio recorrente e duas investigações iniciais negativas, seguido pelo surgimento de massa e acometimento linfonodal. Embora o seroma tardio não seja patognomônico, sua persistência ou recorrência deve manter a suspeita diagnóstica, mesmo diante de resultados prévios negativos. A avaliação deve integrar ultrassonografia, aspiração do líquido periprotético, biópsia de massas e estudo imunofenotípico. A remoção completa do implante e da cápsula constitui a base do tratamento, enquanto a doença com massa ou comprometimento linfonodal pode exigir terapia sistêmica. Seguimento rigoroso, comunicação multidisciplinar e maior conscientização profissional são essenciais para reduzir atrasos diagnósticos e favorecer desfechos adequados.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -