PERFIL FENOTÍPICO DO SISTEMA KIDD EM DOADORES DE SANGUE DE UM HOSPITAL PÚBLICO DO SUL DO BRASIL
- 1Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Porto Alegre, RS, Brasil
Abstract
Introdução: O sistema sanguíneo Kidd (ISBT 009) é composto principalmente pelos antígenos Jka (JK1) e Jkb (JK2), expressos na glicoproteína transportadora de ureia (UT-B), codificada pelo gene SLC14A1. Os anticorpos anti-Jka e anti-Jkb apresentam elevada relevância clínica por estarem associados a reações hemolíticas transfusionais, especialmente tardias, em razão de sua característica evanescente e da rápida resposta imune, em pacientes já imunizados, após nova exposição ao antígeno. Também podem causar doença hemolítica do feto e do recém-nascido e representam desafio na assistência a pacientes politransfundidos. Nesse contexto, a fenotipagem eritrocitária constitui importante ferramenta para a seleção de hemocomponentes compatíveis e para a identificação de doadores raros. Objetivo: Determinar a frequência dos fenótipos do sistema Kidd em doadores de sangue atendidos pelo Serviço de Hemoterapia do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Porto Alegre/RS, contribuindo para o conhecimento do perfil fenotípico dos doadores atendidos e para o planejamento transfusional. Material e métodos: Estudo retrospectivo, descritivo, baseado nos registros de fenotipagem eritrocitária armazenados no sistema informatizado Hemote Plus®. Foram incluídos todos os doadores testados para os antígenos Jka e Jkb até 31 julho de 2026. Os dados foram organizados e analisados por meio do Microsoft Excel® 2013, com determinação das frequências fenotípicas. Resultados: Foram analisados 11.913 doadores fenotipados para o sistema Kidd. O fenótipo Jk(a+b+) foi o mais frequente, identificado em 5.847 indivíduos (49,1%), seguido de Jk(a+b−), observado em 3.417 (28,7%), e Jk(a−b+), em 2.649 (22,2%). Não foi identificado nenhum doador com fenótipo Jk(a−b−) (Kidd null). A distribuição observada mostrou-se semelhante à descrita na literatura para populações predominantemente caucasianas, nas quais o fenótipo Jk(a+b+) representa aproximadamente metade dos indivíduos. Discussão: A ausência do fenótipo Kidd null era esperada, considerando sua raridade em populações fora da Polinésia. O conhecimento da frequência dos fenótipos Kidd auxilia na gestão do estoque de hemocomponentes fenotipados, otimiza a busca por unidades compatíveis para pacientes aloimunizados e fortalece programas de identificação de doadores raros. Além disso, a elevada relevância clínica dos anticorpos anti-Kidd, frequentemente de difícil detecção sorológica devido à queda dos títulos ao longo do tempo, reforça a importância da fenotipagem preventiva em pacientes com necessidade transfusional crônica. Conclusão: A população de doadores do Serviço de Hemoterapia do GHC apresentou predominância do fenótipo Jk(a+b+), seguida pelos fenótipos Jk(a+b−) e Jk(a−b+), sem identificação do fenótipo Kidd null. Os resultados são compatíveis com aqueles descritos em outras populações de ascendência europeia e fornecem informações relevantes para o planejamento do estoque de hemocomponentes fenotipados, a seleção de unidades compatíveis para pacientes aloimunizados e o fortalecimento das estratégias de segurança transfusional.
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TI - PERFIL FENOTÍPICO DO SISTEMA KIDD EM DOADORES DE SANGUE DE UM HOSPITAL PÚBLICO DO SUL DO BRASIL
AU - João Marcos Oliveira MACEDO
AU - Denise MATTOS
AU - Pamela Rossi MENEGOTTO
AU - Raquel Fatima FERRARI
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107005
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AB - Introdução: O sistema sanguíneo Kidd (ISBT 009) é composto principalmente pelos antígenos Jka (JK1) e Jkb (JK2), expressos na glicoproteína transportadora de ureia (UT-B), codificada pelo gene SLC14A1. Os anticorpos anti-Jka e anti-Jkb apresentam elevada relevância clínica por estarem associados a reações hemolíticas transfusionais, especialmente tardias, em razão de sua característica evanescente e da rápida resposta imune, em pacientes já imunizados, após nova exposição ao antígeno. Também podem causar doença hemolítica do feto e do recém-nascido e representam desafio na assistência a pacientes politransfundidos. Nesse contexto, a fenotipagem eritrocitária constitui importante ferramenta para a seleção de hemocomponentes compatíveis e para a identificação de doadores raros. Objetivo: Determinar a frequência dos fenótipos do sistema Kidd em doadores de sangue atendidos pelo Serviço de Hemoterapia do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Porto Alegre/RS, contribuindo para o conhecimento do perfil fenotípico dos doadores atendidos e para o planejamento transfusional. Material e métodos: Estudo retrospectivo, descritivo, baseado nos registros de fenotipagem eritrocitária armazenados no sistema informatizado Hemote Plus®. Foram incluídos todos os doadores testados para os antígenos Jka e Jkb até 31 julho de 2026. Os dados foram organizados e analisados por meio do Microsoft Excel® 2013, com determinação das frequências fenotípicas. Resultados: Foram analisados 11.913 doadores fenotipados para o sistema Kidd. O fenótipo Jk(a+b+) foi o mais frequente, identificado em 5.847 indivíduos (49,1%), seguido de Jk(a+b−), observado em 3.417 (28,7%), e Jk(a−b+), em 2.649 (22,2%). Não foi identificado nenhum doador com fenótipo Jk(a−b−) (Kidd null). A distribuição observada mostrou-se semelhante à descrita na literatura para populações predominantemente caucasianas, nas quais o fenótipo Jk(a+b+) representa aproximadamente metade dos indivíduos. Discussão: A ausência do fenótipo Kidd null era esperada, considerando sua raridade em populações fora da Polinésia. O conhecimento da frequência dos fenótipos Kidd auxilia na gestão do estoque de hemocomponentes fenotipados, otimiza a busca por unidades compatíveis para pacientes aloimunizados e fortalece programas de identificação de doadores raros. Além disso, a elevada relevância clínica dos anticorpos anti-Kidd, frequentemente de difícil detecção sorológica devido à queda dos títulos ao longo do tempo, reforça a importância da fenotipagem preventiva em pacientes com necessidade transfusional crônica. Conclusão: A população de doadores do Serviço de Hemoterapia do GHC apresentou predominância do fenótipo Jk(a+b+), seguida pelos fenótipos Jk(a+b−) e Jk(a−b+), sem identificação do fenótipo Kidd null. Os resultados são compatíveis com aqueles descritos em outras populações de ascendência europeia e fornecem informações relevantes para o planejamento do estoque de hemocomponentes fenotipados, a seleção de unidades compatíveis para pacientes aloimunizados e o fortalecimento das estratégias de segurança transfusional.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -