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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

AVALIAÇÃO DOS INDICADORES DE UTILIZAÇÃO DE CONCENTRADO DE HEMÁCIAS EM TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS SÓLIDOS: ANÁLISE DE DOIS CENTROS TRANSPLANTADORES DE SÃO PAULO

  1. 1Grupo Gestor de Hemoterapia (GSH), São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: O suporte hemoterápico é componente fundamental dos programas de transplante de órgãos sólidos. A definição adequada das reservas pré-operatórias de concentrado de hemácias (CH) é essencial para garantir segurança transfusional, evitando simultaneamente a indisponibilidade de hemocomponentes e o excesso de reserva. Indicadores como o índice Crossmatch-to-Transfusion Ratio (C/T), a taxa de utilização das unidades reservadas e o Índice de Probabilidade de Transfusão (IPT) permitem avaliar a adequação dos protocolos institucionais. A racionalização das reservas está alinhada aos princípios do Patient Blood Management (PBM). O objetivo deste estudo foi analisar o perfil de utilização de CH em transplantes de órgãos sólidos e avaliar a adequação das reservas realizadas. Métodos: Estudo retrospectivo e descritivo dos transplantes realizados entre junho de 2025 e junho de 2026 em dois centros transplantadores de São Paulo. Foram avaliadas as unidades de CH reservadas e transfundidas, a mediana de CH reservados por procedimento, a taxa de utilização (CH utilizados/CH reservados ×100), o índice C/T (CH reservados/CH utilizados) e o IPT (proporção de pacientes transfundidos). O transplante combinado cardíaco-renal foi incluído nas análises cardíaca e renal. Resultados: Foram analisados 113 transplantes: 63 renais (55,8%), 37 hepáticos (32,7%), 9 cardíacos (8,0%) e 5 pulmonares (4,4%). Foram reservadas 549 unidades de CH, das quais 137 foram transfundidas, resultando em utilização global de 25,0%. Nos transplantes hepáticos, a mediana de reserva foi de 10 unidades (2-15), com utilização de 107/352 unidades (30,4%), IPT de 78,4% e C/T de 3,29. O consumo transfusional variou de 0 a 10 unidades por procedimento. Nos transplantes renais, a mediana de reserva foi de 2 unidades (2-7), com utilização de apenas 3/134 unidades (2,2%), IPT de 1,6% e C/T de 44,67. Nos transplantes cardíacos, a mediana de reserva foi de 5 unidades (3-7), utilização de 28,9%, IPT de 55,6% e C/T de 3,46. Nos pulmonares, a mediana foi de 5 unidades, utilização de 68,0%, IPT de 60,0% e C/T de 1,47. A interpretação desses resultados deve considerar a reduzida casuística. Conclusão: Os transplantes renais apresentaram baixa probabilidade de transfusão e elevado C/T, indicando superestimação das reservas e potencial para protocolos mais restritivos. Os transplantes hepáticos apresentaram elevada demanda transfusional (IPT 78,4%). Embora o C/T de 3,29 sugira potencial para otimização das reservas, a ampla variação observada tanto nas unidades reservadas quanto no consumo transfusional demonstra a heterogeneidade dessa população. Assim, possíveis reduções nas reservas devem ser avaliadas com cautela, mantendo a individualização da avaliação médica de acordo com fatores clínicos associados a maior risco hemorrágico. Nos transplantes cardíacos e pulmonares, a pequena casuística impede conclusões definitivas. De forma geral, os resultados demonstram potencial para otimização das reservas transfusionais, principalmente nos transplantes renais, promovendo maior eficiência no uso dos estoques hemoterápicos em consonância com os princípios do PBM.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -