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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

CARACTERIZAÇÃO DO INFILTRADO IMUNE INTRATUMORAL EM LINFOMAS PEDIÁTRICOS POR CITOMETRIA DE FLUXO MULTIPARAMÉTRICA

4 affiliations
  1. 1Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPMG/UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  2. 2Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), Brasília, DF, Brasil
  3. 3Department of Microbiology and Immunology, Medical University of Silesia in Katowice, Zabrze, Polônia
  4. 4Department of Pediatric Hematology and Oncology, Charles University and University Hospital Motol, Prague, República Tcheca

Abstract

Introdução: Os linfomas correspondem à terceira neoplasia maligna mais frequente na infância e compreendem um grupo heterogêneo de doenças com características biológicas e imunológicas distintas. A interação entre células neoplásicas e o microambiente tumoral contribui para a evasão imunológica e progressão. Nesse contexto, a citometria de fluxo multiparamétrica (CFM) é uma ferramenta rápida e precisa para caracterização quantitativa das subpopulações imunes no microambiente tumoral. Objetivos: Este estudo se propõe a caracterizar e comparar o infiltrado imune intratumoral nos principais grupos de linfomas pediátricos por CFM. Material e métodos: Foram avaliados 127 linfonodos de crianças ao diagnóstico (0-19 anos), 70 reacionais e 57 linfomas: linfoma de Hodgkin (LH; n = 34), linfomas não Hodgkin B (LNH-B; n = 12), sendo: linfoma de Burkitt (LB; n = 7), linfoma linfoblástico B (LLB; n = 3) e linfoma difuso de grandes células B (DLBCL; n = 2) e LNH-T; n = 11, sendo: linfoma linfoblástico T (LLT; n = 8) e linfoma anaplásico de grandes células (ALCL; n = 3). As amostras foram analisadas com o painel LST™, seguindo os procedimentos EuroFlow. As subpopulações imunes foram quantificadas excluindo-se as células tumorais, no Infinicyt™. Kruskal–Wallis e Mann–Whitney foram usados para comparações estatísticas, SPSSv27 e os dados são apresentados como mediana e p-valor. Resultados: Em comparação aos linfonodos reativos, os LH apresentaram maior frequência de linfócitos T CD4+ (LH: 38,57%; 20,7–85,6% vs . 33,90%; 1,70–75,80%; p = 0,05) e maior relação CD4:CD8 (LH: 3,40; 0,44–17,91 vs . 2,25; 0,20–16,92; p = 0,005), além de menor frequência de T CD4⁻CD8⁻ (LH: 1,3%; 0,16–6,32 vs . 2,35%; 0,01–19,6; p = 0,003).Os LNH-B apresentaram maiores frequências de T CD8⁺ (LNH-B: 33,2%; 5,37–57,53% vs . LH: 13,10%; 3,3–59%; p = 0,007) e T CD4⁻CD8⁻ (LNH-B: 3,6%; 0,7–7,3% vs . LH: 1,3%; 0,16–6,32; p = 0,009), enquanto T CD4:CD8 foi maior no LH (LH:3,40; 0,44–17,91 vs . LNH-B: 1,25; 0,51–3; p = 0,001). A relação CD4:CD8 também foi maior no LH em comparação aos LNH-T (LH: 3,4; 0,44–17,91 vs . LNH-T: 1,54; 0,83–3,3; p = 0,005).Entre os subtipos, o LB apresentou maiores frequências de T totais (LB: 80,20%; 20–95,6% vs. reativos: 50,7%; 4,8–85,47; p = 0,015) e T CD8⁺ (LB: 33,2%; 5,37–57,53% vs . reativos: 15,28; 0,91–34,46%; p = 0,013), além de menor frequência de linfócitos B (LB: 7,50%; 0,34–49,44% vs . reativos: 39%; 0,37–73,12%; p = 0,008). Em relação ao LH, o LB apresentou maiores frequências de linfócitos T CD8⁺ (LB: 33,2%; 5,37–57,53% vs . LH: 14,1%; 3,3–59%; p = 0,012) e linfócitos T CD4⁻CD8⁻ (LB: 3,6%; 0,81–7,3% vs. LH: 1,3%; 0,01–6,32%; p = 0,028), enquanto a relação CD4:CD8 foi maior no LH (LH: 3,4; 0,44–17,91 vs . LB: 1,25; 0,55–3; p = 0,003).Não houve diferenças significativas nos demais subtipos de LNH. Conclusão: Embora o aumento de linfócitos T CD4+ e relação T CD4:CD8 já tenha sido descrito em LH, este é um dos estudos pioneiros que compara o perfil do infiltrado imune nos diferentes LNH pediátricos por CFM, descrevendo o predomínio de linfócitos T CD8+ e diminuição de linfócitos B em LNH B. Hipoteticamente, sua produção pode ter sido desviada para gerar linfócitos patológicos. Esses achados complementam as evidências limitadas na população pediátrica, ampliam a compreensão da heterogeneidade do microambiente tumoral e destacam a aplicabilidade da CFM na caracterização do infiltrado imune, cujos perfis podem contribuir para o diagnóstico e, futuramente, para a investigação de seu potencial valor prognóstico.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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