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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

RELAÇÃO NEUTRÓFILO/LINFÓCITO AO DIAGNÓSTICO E SUA ASSOCIAÇÃO COM TROMBOSE EM PACIENTES COM NEOPLASIAS MIELOPROLIFERATIVAS

7 affiliations
  1. 1Hospital Universitário Gafrée Guinle, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  2. 2Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  3. 3Hospital de Transplantes Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, São Paulo, SP, Brasil
  4. 4Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil
  5. 5Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil
  6. 6Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, Brasil
  7. 7Instituto Nacional do Câncer (INCA), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: As neoplasias mieloproliferativas (NMP) constituem um grupo heterogêneo de doenças adquiridas das células-tronco hematopoéticas, nas quais a inflamação crônica desempenha papel fundamental tanto na evolução clonal quanto nas complicações trombóticas. A relação neutrófilos/linfócitos (RNL) reflete o desequilíbrio entre inflamação sistêmica e imunidade e tem sido descrita como biomarcador prognóstico em diversas doenças, incluindo as hematológicas. Objetivos: Avaliar a RNL entre as diferentes NMP, de acordo com a idade, o gênero, as alterações moleculares e a ocorrência de trombose ao diagnóstico. Métodos: Estudo transversal, multicêntrico, envolvendo pacientes com neoplasias mieloproliferativas (NMP). As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas, e as variáveis contínuas por mediana e intervalo interquartil (Q1–Q3). Para avaliar a associação da RNL ao diagnóstico com o tipo de NMP, idade, gênero e ocorrência de trombose ao diagnóstico, foi utilizada regressão logística, com estimativa das razões de chances (OR) e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). A RNL foi categorizada em ≤3,5 e >3,5, sendo valores >3,5 considerados indicativos de maior risco de trombose. Resultados: Foram analisados 118 pacientes com NMP, dos quais 25 apresentaram trombose ao diagnóstico. Entre os pacientes com trombose, a mediana de idade foi de 63 anos (Q1–Q3: 58–68), e 17 (68%) eram mulheres. Do total de pacientes, 55 apresentavam trombocitemia essencial (TE), 25 policitemia vera (PV), 35 mielofibrose (MF) primária e 3 MF secundária. A mutação mais prevalente foi JAK2 (n=70), seguida de CALR (n=18) e MPL (n=2), enquanto 28 pacientes eram triplo-negativos. A RNL diferiu significativamente entre os subtipos de NMP (p=0,0018), com mediana de 2,38 (Q1–Q3: 1,92–3,45) na TE, 3,74 (Q1–Q3: 2,34–5,74) na MF primária e 5,01 (Q1–Q3: 3,57–7,50) na PV. Em relação à trombose ao diagnóstico, pacientes com RNL >3,5 apresentaram maior chance de trombose, com OR ajustada de 3,80 (IC95%: 1,42–10,18; p=0,008). A RNL >3,5 também foi mais frequente entre mulheres do que entre homens, com OR de 2,81 (IC95%: 1,04–7,56; p=0,04). Conclusão: A RNL variou significativamente entre os subtipos de NMP, sendo mais elevada na policitemia vera e na mielofibrose primária, refletindo maior atividade inflamatória nessas condições. Valores de RNL >3,5 associaram-se de forma independente a maior risco de trombose ao diagnóstico, com essa associação sendo ainda mais evidente entre mulheres. Esses achados sugerem que a RNL, por ser um marcador simples, acessível e de baixo custo, pode auxiliar na estratificação do risco trombótico em pacientes com NMP, reforçando a necessidade de validação prospectiva em coortes maiores.

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AB  - Introdução: As neoplasias mieloproliferativas (NMP) constituem um grupo heterogêneo de doenças adquiridas das células-tronco hematopoéticas, nas quais a inflamação crônica desempenha papel fundamental tanto na evolução clonal quanto nas complicações trombóticas. A relação neutrófilos/linfócitos (RNL) reflete o desequilíbrio entre inflamação sistêmica e imunidade e tem sido descrita como biomarcador prognóstico em diversas doenças, incluindo as hematológicas. Objetivos: Avaliar a RNL entre as diferentes NMP, de acordo com a idade, o gênero, as alterações moleculares e a ocorrência de trombose ao diagnóstico. Métodos: Estudo transversal, multicêntrico, envolvendo pacientes com neoplasias mieloproliferativas (NMP). As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas, e as variáveis contínuas por mediana e intervalo interquartil (Q1–Q3). Para avaliar a associação da RNL ao diagnóstico com o tipo de NMP, idade, gênero e ocorrência de trombose ao diagnóstico, foi utilizada regressão logística, com estimativa das razões de chances (OR) e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). A RNL foi categorizada em ≤3,5 e >3,5, sendo valores >3,5 considerados indicativos de maior risco de trombose. Resultados: Foram analisados 118 pacientes com NMP, dos quais 25 apresentaram trombose ao diagnóstico. Entre os pacientes com trombose, a mediana de idade foi de 63 anos (Q1–Q3: 58–68), e 17 (68%) eram mulheres. Do total de pacientes, 55 apresentavam trombocitemia essencial (TE), 25 policitemia vera (PV), 35 mielofibrose (MF) primária e 3 MF secundária. A mutação mais prevalente foi JAK2 (n=70), seguida de CALR (n=18) e MPL (n=2), enquanto 28 pacientes eram triplo-negativos. A RNL diferiu significativamente entre os subtipos de NMP (p=0,0018), com mediana de 2,38 (Q1–Q3: 1,92–3,45) na TE, 3,74 (Q1–Q3: 2,34–5,74) na MF primária e 5,01 (Q1–Q3: 3,57–7,50) na PV. Em relação à trombose ao diagnóstico, pacientes com RNL >3,5 apresentaram maior chance de trombose, com OR ajustada de 3,80 (IC95%: 1,42–10,18; p=0,008). A RNL >3,5 também foi mais frequente entre mulheres do que entre homens, com OR de 2,81 (IC95%: 1,04–7,56; p=0,04). Conclusão: A RNL variou significativamente entre os subtipos de NMP, sendo mais elevada na policitemia vera e na mielofibrose primária, refletindo maior atividade inflamatória nessas condições. Valores de RNL >3,5 associaram-se de forma independente a maior risco de trombose ao diagnóstico, com essa associação sendo ainda mais evidente entre mulheres. Esses achados sugerem que a RNL, por ser um marcador simples, acessível e de baixo custo, pode auxiliar na estratificação do risco trombótico em pacientes com NMP, reforçando a necessidade de validação prospectiva em coortes maiores.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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