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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

RITUXIMABE COMO ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA EM COMPLICAÇÃO IMUNOLÓGICA REFRATÁRIA NA DOENÇA FALCIFORME

  1. 1Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (HEMORIO), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: A hiper-hemólise pode ser classificada como aguda ou tardia, A forma tardia geralmente ocorre entre 4 e 10 dias após a transfusão e pode estar associada ou não a formação de anticorpos. O conceito de hiper-hemólise descreve um mecanismo em que hemácias que não expressam o antígeno alvo também sofrem destruição, sugerindo envolvimento de vias imunológicas amplas, como a via do complemento e ativação macrofágica. O presente caso a paciente é portadora de doença falciforme, sexo feminino, 39 anos, em acompanhamento hematológico desde os primeiros meses de vida, apresentou acidente vascular encefálico na infância e desde então iniciado exsanguineotransfusão manual mensalmente. Ao longo de seu histórico transfusional, apresentou formação de aloanticorpos como anti-E, anti-K, anti-Cw, antiJkb e autoanticorpos como anti-D e anti-C, Em setembro/2025, após receber concentrado de hemácias, à paciente evoluiu com queda de hematócrito e elevação de LDH. A partir de então, foram suspensas as transfusões e foi prescrito corticoterapia e alfapoetina diária, conforme preconizado na literatura para anemia hemolítica imune na doença falciforme. Os exames em 11/09/2025 eram: Hb 7,2 g/dL Ht 19,3%, reticulócitos 382.2 mil/mm 3 , LDH 792 U/L, HbA 28,5% HbS 61,8% HbA2Z 3,6% HbF 6,1%. Após o evento imune, os resultados em 19/09/25 foram: Hb 5,7 g/dL; Ht 15,8%, reticulócitos 240.8 mil/mm 3 , LDH 856 U/L, HbA 33,8% HbS 53,5% HbA2 3,5% HbF 9,2%. A paciente apresentou falha terapêutica ao tratamento convencional, mantendo anemia grave e sintomática, com prejuízo evidente da qualidade de vida. Foi realizada discussão do caso e busca de outras opções terapêuticas na literatura, sendo encontrada recomendação do uso de anticorpo monoclonal anti-CD20, Rituximabe, como terapia alternativa. Após extensa revisão bibliográfica e diante da apresentação clínica da paciente por falta de terapias convencionais, optou-se por realizar vacinação para proteção de germes encapsulados devido a indicação do uso de anti-CD20, seguido do ciclo de Rituximab 375 mg/m 2 semanalmente, por 4 semanas, em janeiro de 2026. A paciente se manteve estável clinicamente, sem intercorrências durantes as infusões e sem efeitos colaterais. Em fevereiro de 2026, apresentou quadro de pneumonia com manutenção de hematócrito inicialmente, mesmo em vigência de infecção, porém evoluiu com complicações clínicas e dois meses após o Rituximab, foi realizada à primeira transfusão com aproveitamento transfusional, Até o momento, a paciente recebeu 5 transfusões de hemácias comaproveitamento transfusional e sem evidência de hemólise imune. Em estudo imunohematológico realizado após o ciclo terapêutico, a paciente apresenta teste de antiglobulina humana direta negativo e pesquisa de anticorpos irregulares com aglutinações inespecíficas, não apresentando mais pan-aglutinação. Conclusão: Neste caso, após a administração do Rituximab, foi possível retornar a transfusão de concentrado de hemácias com aproveitamento transfusional uma vez que foi respeitado a fenotipagem eritrocitária. Novos estudos precisam ser realizados em imunohematologia da doença falciforme, devido à vasta gama de reações transfusionais nesta população.

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AB  - Introdução: A hiper-hemólise pode ser classificada como aguda ou tardia, A forma tardia geralmente ocorre entre 4 e 10 dias após a transfusão e pode estar associada ou não a formação de anticorpos. O conceito de hiper-hemólise descreve um mecanismo em que hemácias que não expressam o antígeno alvo também sofrem destruição, sugerindo envolvimento de vias imunológicas amplas, como a via do complemento e ativação macrofágica. O presente caso a paciente é portadora de doença falciforme, sexo feminino, 39 anos, em acompanhamento hematológico desde os primeiros meses de vida, apresentou acidente vascular encefálico na infância e desde então iniciado exsanguineotransfusão manual mensalmente. Ao longo de seu histórico transfusional, apresentou formação de aloanticorpos como anti-E, anti-K, anti-Cw, antiJkb e autoanticorpos como anti-D e anti-C, Em setembro/2025, após receber concentrado de hemácias, à paciente evoluiu com queda de hematócrito e elevação de LDH. A partir de então, foram suspensas as transfusões e foi prescrito corticoterapia e alfapoetina diária, conforme preconizado na literatura para anemia hemolítica imune na doença falciforme. Os exames em 11/09/2025 eram: Hb 7,2 g/dL Ht 19,3%, reticulócitos 382.2 mil/mm 3 , LDH 792 U/L, HbA 28,5% HbS 61,8% HbA2Z 3,6% HbF 6,1%. Após o evento imune, os resultados em 19/09/25 foram: Hb 5,7 g/dL; Ht 15,8%, reticulócitos 240.8 mil/mm 3 , LDH 856 U/L, HbA 33,8% HbS 53,5% HbA2 3,5% HbF 9,2%. A paciente apresentou falha terapêutica ao tratamento convencional, mantendo anemia grave e sintomática, com prejuízo evidente da qualidade de vida. Foi realizada discussão do caso e busca de outras opções terapêuticas na literatura, sendo encontrada recomendação do uso de anticorpo monoclonal anti-CD20, Rituximabe, como terapia alternativa. Após extensa revisão bibliográfica e diante da apresentação clínica da paciente por falta de terapias convencionais, optou-se por realizar vacinação para proteção de germes encapsulados devido a indicação do uso de anti-CD20, seguido do ciclo de Rituximab 375 mg/m 2 semanalmente, por 4 semanas, em janeiro de 2026. A paciente se manteve estável clinicamente, sem intercorrências durantes as infusões e sem efeitos colaterais. Em fevereiro de 2026, apresentou quadro de pneumonia com manutenção de hematócrito inicialmente, mesmo em vigência de infecção, porém evoluiu com complicações clínicas e dois meses após o Rituximab, foi realizada à primeira transfusão com aproveitamento transfusional, Até o momento, a paciente recebeu 5 transfusões de hemácias comaproveitamento transfusional e sem evidência de hemólise imune. Em estudo imunohematológico realizado após o ciclo terapêutico, a paciente apresenta teste de antiglobulina humana direta negativo e pesquisa de anticorpos irregulares com aglutinações inespecíficas, não apresentando mais pan-aglutinação. Conclusão: Neste caso, após a administração do Rituximab, foi possível retornar a transfusão de concentrado de hemácias com aproveitamento transfusional uma vez que foi respeitado a fenotipagem eritrocitária. Novos estudos precisam ser realizados em imunohematologia da doença falciforme, devido à vasta gama de reações transfusionais nesta população.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -