Skip to content
DraconiticResearch
Search Sources API
184,937 studies31 sourcesUpdated 28 min ago
Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

RELATO DE CASO: DOENÇA LINFOPROLIFERATIVA PÓS-TRANSPLANTE EM SISTEMA NERVOSO CENTRAL DE APRESENTAÇÃO TARDIA

  1. 1Hospital Amaral Carvalho, Jaú, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A doença linfoproliferativa pós-transplante (DLPT) é uma complicação associada ao transplante de órgãos sólidos e menos comumente ao transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) alogênico. Sua patogênese envolve a imunossupressão pós-transplante, necessária para prevenção de rejeição imunológica do enxerto, que leva à alteração funcional de células T citotóxicas e permite a proliferação de clones anormais de linfócitos, com consequente transformação para DLPT. Acomete principalmente células B, mas pode acometer células T ou NK (2–15% dos casos). Muitos casos associam-se à infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV). A incidência de DLPT é tipicamente precoce (1º ano pós-transplante), mas pode ser tardia. É caracterizada por alta incidência extranodal, acometendo TGI em 20 a 30% dos casos, enxertos sólidos em 10 a 15% e SNC em 5 a 20%. Relato de caso: Paciente masculino, 67 anos, histórico de doença renal policística transplantado renal de doador vivo não relacionado em novembro/2015, em imunossupressão com micofenolato. Em junho/2025, iniciou confusão mental e perda de funcionalidade. RNM encefálica evidenciou múltiplas lesões expansivas intra-axiais; biópsia/imuno-histoquímica (IHQ) de lesão cerebral compatível com doença linfoproliferativa monomórfica associada à imunodeficiência pós-transplante, caracterizada como linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), EBV positivo, CD20, BCL-2, BCL-6 e C-MYC positivos, Ki67 50%; doença localizada em SNC. Suspenso micofenolato e indicado tratamento com rituximabe e temozolomida. Completou 6 ciclos, evoluindo com resposta parcial e melhora clínica expressiva, realizando radioterapia. Discussão: A apresentação clínica da DLPT é heterogênea, desde achados assintomáticos a apresentações fulminantes. O diagnóstico é feito por histopatologia e a coloração IHQ segue o padrão para linfomas esporádicos; análise FISH pode ser feita para subclassificação adicional e recomenda-se ensaio de hibridização in situ para RNA codificado pelo EBV. O estadiamento segue as diretrizes para linfomas em imunocompetentes; se indisponível PET-CT, recomenda-se estadiar com tomografias. A DLPT é dividida em 6 subtipos patológicos (OMS): DLPT não destrutiva (hiperplasia plasmocítica, semelhante à mononucleose infecciosa e hiperplasia folicular florida) e DLPT destrutiva (polimórfica, monomórfica e semelhante ao linfoma de Hodgkin clássico). O subtipo monomórfico representa 75% dos casos, mais agressivo, semelhante ao LDGCB mais comumente. Os fatores de risco são idade, imunossupressão e tipo de órgão transplantado. Os receptores de transplante renal têm menor incidência de DLPT (0,8-2,5%), todavia, a DLPT primária do SNC atinge com maior frequência esse público. O tratamento depende do subtipo e inclui redução da imunossupressão, rituximabe em monoterapia ou combinado com quimioterapia e, menos frequentemente, imunoterapia ou TCTH autólogo; cirurgia e radioterapia são opções para doença localizada. Na DLPT em SNC, o tratamento baseia-se principalmente em terapias com potencial de penetração em SNC, com esquemas contendo metotrexato (MTX) em altas doses. Todavia, a temozolomida pode ser opção alternativa nos casos de contraindicação ao MTX, com taxa de resposta promissora. Conclusão: A DLPT é uma complicação grave pós-transplante. O aumento da sobrevida dos pacientes transplantados propicia o aumento da incidência dessa patologia, tornando necessária maior suspeição diagnóstica para manejo adequado dessa complicação.

Related

  1. APRESENTAÇÃO NEUROVASCULAR RARA EM PACIENTE COM LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B E ACOMETIMENTO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL: RELATO DE CASO
    Gabriel Fernandes de SOUSA, Marcella Markman de ALMEIDA, Larissa Edilza de Lima LEITE +8
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textNeurologyDOAJ
  2. INFILTRAÇÃO LEPTOMENÍNGEA NO MIELOMA MÚLTIPLO: RECAÍDA PRECOCE NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL APÓS TRANSPLANTE AUTÓLOGO - RELATO DE CASO
    Rafaella SAMICO, Vânia Monteiro KUSSUMI, Luiza Duarte BERG +3
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  3. Tempo para o início do tratamento oncológico de Tumores Malignos do Sistema Nervoso Central em crianças e adolescentes no Estado do Rio de Janeiro
    Amanda Goes, Luiz Claudio Santos Thuler
    Revista Pró-UniverSUSPeer-reviewedCC BYFull textHuman geneticsDOAJ
  4. LINFOMA VÍTREO-RETINIANO PRIMÁRIO BILATERAL SEM ACOMETIMENTO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL: RELATO DE CASO
    Lucas Lizot POZZOBON, Geórgea CATTANI, Vladimir Oswaldo Venezuela ASTUDILLO +4
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  5. LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA T MADURA COM PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA E AUSÊNCIA DE INFILTRAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
    Carmen Del Pilar MANZANEDA CASTILLO, Dayenne Helena CATELLI, Rafaela DI GIORGIO LEITE +7
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEpidemiology & public healthDOAJ
BibTeX
@article{oliveira2026relato,
  title = {{RELATO DE CASO: DOENÇA LINFOPROLIFERATIVA PÓS-TRANSPLANTE EM SISTEMA NERVOSO CENTRAL DE APRESENTAÇÃO TARDIA}},
  author = {Camila Pires DE OLIVEIRA and Elias José Watanabe FRANCO and Mônica Piacentini LUIZON and Matheus Lopes MIAN and Lais Pereira DE QUEIROZ and Mariana Magalhães GARCIA and Ederson Roberto DE MATTOS},
  journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
  year = {2026},
  month = oct,
  doi = {10.1016/j.htct.2026.107819},
  url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107819},
  note = {CC BY},
}
RIS
TY  - JOUR
TI  - RELATO DE CASO: DOENÇA LINFOPROLIFERATIVA PÓS-TRANSPLANTE EM SISTEMA NERVOSO CENTRAL DE APRESENTAÇÃO TARDIA
AU  - Camila Pires DE OLIVEIRA
AU  - Elias José Watanabe FRANCO
AU  - Mônica Piacentini LUIZON
AU  - Matheus Lopes MIAN
AU  - Lais Pereira DE QUEIROZ
AU  - Mariana Magalhães GARCIA
AU  - Ederson Roberto DE MATTOS
PY  - 2026
DA  - 2026/10/23
JO  - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO  - 10.1016/j.htct.2026.107819
UR  - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107819
AB  - Introdução: A doença linfoproliferativa pós-transplante (DLPT) é uma complicação associada ao transplante de órgãos sólidos e menos comumente ao transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) alogênico. Sua patogênese envolve a imunossupressão pós-transplante, necessária para prevenção de rejeição imunológica do enxerto, que leva à alteração funcional de células T citotóxicas e permite a proliferação de clones anormais de linfócitos, com consequente transformação para DLPT. Acomete principalmente células B, mas pode acometer células T ou NK (2–15% dos casos). Muitos casos associam-se à infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV). A incidência de DLPT é tipicamente precoce (1º ano pós-transplante), mas pode ser tardia. É caracterizada por alta incidência extranodal, acometendo TGI em 20 a 30% dos casos, enxertos sólidos em 10 a 15% e SNC em 5 a 20%. Relato de caso: Paciente masculino, 67 anos, histórico de doença renal policística transplantado renal de doador vivo não relacionado em novembro/2015, em imunossupressão com micofenolato. Em junho/2025, iniciou confusão mental e perda de funcionalidade. RNM encefálica evidenciou múltiplas lesões expansivas intra-axiais; biópsia/imuno-histoquímica (IHQ) de lesão cerebral compatível com doença linfoproliferativa monomórfica associada à imunodeficiência pós-transplante, caracterizada como linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), EBV positivo, CD20, BCL-2, BCL-6 e C-MYC positivos, Ki67 50%; doença localizada em SNC. Suspenso micofenolato e indicado tratamento com rituximabe e temozolomida. Completou 6 ciclos, evoluindo com resposta parcial e melhora clínica expressiva, realizando radioterapia. Discussão: A apresentação clínica da DLPT é heterogênea, desde achados assintomáticos a apresentações fulminantes. O diagnóstico é feito por histopatologia e a coloração IHQ segue o padrão para linfomas esporádicos; análise FISH pode ser feita para subclassificação adicional e recomenda-se ensaio de hibridização in situ para RNA codificado pelo EBV. O estadiamento segue as diretrizes para linfomas em imunocompetentes; se indisponível PET-CT, recomenda-se estadiar com tomografias. A DLPT é dividida em 6 subtipos patológicos (OMS): DLPT não destrutiva (hiperplasia plasmocítica, semelhante à mononucleose infecciosa e hiperplasia folicular florida) e DLPT destrutiva (polimórfica, monomórfica e semelhante ao linfoma de Hodgkin clássico). O subtipo monomórfico representa 75% dos casos, mais agressivo, semelhante ao LDGCB mais comumente. Os fatores de risco são idade, imunossupressão e tipo de órgão transplantado. Os receptores de transplante renal têm menor incidência de DLPT (0,8-2,5%), todavia, a DLPT primária do SNC atinge com maior frequência esse público. O tratamento depende do subtipo e inclui redução da imunossupressão, rituximabe em monoterapia ou combinado com quimioterapia e, menos frequentemente, imunoterapia ou TCTH autólogo; cirurgia e radioterapia são opções para doença localizada. Na DLPT em SNC, o tratamento baseia-se principalmente em terapias com potencial de penetração em SNC, com esquemas contendo metotrexato (MTX) em altas doses. Todavia, a temozolomida pode ser opção alternativa nos casos de contraindicação ao MTX, com taxa de resposta promissora. Conclusão: A DLPT é uma complicação grave pós-transplante. O aumento da sobrevida dos pacientes transplantados propicia o aumento da incidência dessa patologia, tornando necessária maior suspeição diagnóstica para manejo adequado dessa complicação.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -