Skip to content
DraconiticResearch
Search Sources API
186,546 studies31 sourcesUpdated 13 min ago
Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LINFOMA PLASMABLÁSTICO EM PACIENTE HIV NEGATIVO COM IMUNOFENÓTIPO ALTAMENTE ABERRANTE SIMULANDO SARCOMA INDIFERENCIADO: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO

  1. 1Instituto Nacional de Câncer (INCA), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: O linfoma plasmablástico (PBL) é um linfoma não Hodgkin de células B extremamente raro e agressivo, frequentemente associado à infecção pelo HIV. É caracterizado pela perda dos marcadores B convencionais associada à expressão de marcadores de diferenciação plasmocitária. No entanto, variantes imunofenotípicas podem dificultar significativamente seu reconhecimento, sobretudo em pacientes HIV negativo. Relato de caso: Homem, 33 anos, HIV negativo e previamente hígido, apresentou perda ponderal, sintomas B, linfonodomegalias disseminadas e lesões cutâneas ulceradas, evoluindo com crise convulsiva e déficit neurológico focal. A ressonância magnética evidenciou duas lesões expansivas cerebrais submetidas à biópsia. A avaliação anatomopatológica inicial sugeriu sarcoma indiferenciado. Após nova biópsia de tumoração de pele e ampliação do painel imunohistoquímico, identificou-se linfoma de alto grau constituído por células plasmoblásticas, com positividade para EBER, MUM1, MYC em 40% das células, CD43 focal; e negatividade para CD20, CD79a, CD138, CD38, PAX5, CD45, CD30, ALK, HHV-8 e cadeias leves; Ki-67 superior a 90%, permitindo o diagnóstico de PBL após integração dos achados morfológicos, imunofenotípicos e da positividade para EBER. O PET-CT demonstrou doença disseminada com acometimento linfonodal e cutâneo, sem infiltração à biópsia de medula óssea e imunofenotipagem do líquor negativa. Iniciou protocolo CODOX-M/IVAC, obtendo resposta inicial completa. Entretanto, apresentou recaída sistêmica precoce confirmada histologicamente, sendo submetido ao esquema de resgate ICE associado a bortezomibe, seguindo para transplante autólogo de medula óssea. Conclusão: O linfoma plasmablástico (PBL) é uma neoplasia rara de células B com diferenciação plasmocitária, correspondendo a menos de 1% dos casos de linfoma de grandes células B e associada a prognóstico desfavorável. É uma doença desafiadora, apresentando alta taxa de recidiva com terapias convencionais, sobretudo em pacientes HIV negativos. Segundo a revisão mais recente do American Journal of Hematology (2026), o imunofenótipo clássico caracteriza-se pela perda dos marcadores B convencionais associada à expressão de marcadores de diferenciação plasmocitária, especialmente CD38, CD138, MUM1, BLIMP1 e XBP1. No presente caso, entretanto, observou-se imunofenótipo altamente aberrante, com ausência não apenas dos marcadores B convencionais, mas também de marcadores habitualmente preservados no PBL, como CD138 e CD79a, mantendo essencialmente positividade para MUM1 e EBER, fato que ampliou o diagnóstico diferencial com sarcomas indiferenciados, mieloma plasmablástico e linfomas de alto grau EBV positivo. Nesses cenários, o diagnóstico depende da integração entre morfologia, imunohistoquímica, clínica e pesquisa de EBV, conforme preconizado pela WHO e ICC 2022. Além disso, frente aos resultados limitados da quimioterapia convencional e sustentadas por racional biológico, estratégias incorporando inibidores do proteassoma, particularmente o bortezomibe, têm sido exploradas no PBL, embora sem evidência definitiva estabelecida. Este caso evidencia que variantes imunofenotípicas do PBL representam importante desafio diagnóstico, mesmo em centros especializados. A ausência de marcadores plasmocitários classicamente expressos não exclui essa entidade quando a morfologia e a positividade para EBER são compatíveis. Esse conhecimento é essencial para diagnóstico e manejo corretos.

Related

  1. DESAFIO DIAGNÓSTICO DE LINFOMA NODAL DE CÉLULAS T HELPER FOLICULAR COM IMUNOFENÓTIPO ABERRANTE: UM RELATO DE CASO
    Vitória Giovanna BEZERRIL GOMES, Daniel DE SOUSA MARIANO, Glória Maria FERNANDES DA SILVA +3
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  2. MIELOMA MÚLTIPLO PLASMABLÁSTICO DE APRESENTAÇÃO BULKY CERVICOTORÁCICA: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICO
    Ana Paula AZAMBUJA, Bruno Franco DALABONA, Pedro Henrique ABREU SILVA +9
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  3. DESAFIO DIAGNÓSTICO DE LINFOMA PLASMABLÁSTICO COM APRESENTAÇÃO CLÍNICA DE MIELOMA MÚLTIPLO: UM RELATO DE CASO
    Beatriz RODRIGUES DA SILVA VALE, Daniel DE SOUSA MARIANO, Daniel OLIVEIRA DE MEDEIROS +5
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  4. TUMOR DORSAL GIGANTE Y ANEMIA: A PROPÓSITO DE UN PACIENTE AFECTADO DE UN SARCOMA PLEOMÓRFICO INDIFERENCIADO
    Astrid Tauma Arrué, Celia Moisés Alfaro, Olenka Tauma Arrué +1
    Revista argentina de dermatologíaPeer-reviewedCC BY-NC 4.0Full textGeneral medicineSciELO
  5. EXPRESSÃO ABERRANTE E ARMADILHAS DIAGNÓSTICAS: RELATO DE CASO DE NEOPLASIA DE CÉLULAS DENDRÍTICAS PLASMOCITOIDES BLÁSTICA COM EVOLUÇÃO SISTÊMICA
    Lourenço Pena Costa FERREIRA, Monique Ferreira LOMBARDI
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textPhysiologyDOAJ
BibTeX
@article{silveira2026linfoma,
  title = {{LINFOMA PLASMABLÁSTICO EM PACIENTE HIV NEGATIVO COM IMUNOFENÓTIPO ALTAMENTE ABERRANTE SIMULANDO SARCOMA INDIFERENCIADO: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO}},
  author = {Luana Ribeiro SILVEIRA and Julia Valentini ZANELLA and Vêssela Da Conceição Pinheiro MENDES and Camila Maria Luna DO VALLE and Yung Bruno de Melo GONZAGA},
  journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
  year = {2026},
  month = oct,
  doi = {10.1016/j.htct.2026.107793},
  url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107793},
  note = {CC BY},
}
RIS
TY  - JOUR
TI  - LINFOMA PLASMABLÁSTICO EM PACIENTE HIV NEGATIVO COM IMUNOFENÓTIPO ALTAMENTE ABERRANTE SIMULANDO SARCOMA INDIFERENCIADO: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO
AU  - Luana Ribeiro SILVEIRA
AU  - Julia Valentini ZANELLA
AU  - Vêssela Da Conceição Pinheiro MENDES
AU  - Camila Maria Luna DO VALLE
AU  - Yung Bruno de Melo GONZAGA
PY  - 2026
DA  - 2026/10/23
JO  - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO  - 10.1016/j.htct.2026.107793
UR  - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107793
AB  - Introdução: O linfoma plasmablástico (PBL) é um linfoma não Hodgkin de células B extremamente raro e agressivo, frequentemente associado à infecção pelo HIV. É caracterizado pela perda dos marcadores B convencionais associada à expressão de marcadores de diferenciação plasmocitária. No entanto, variantes imunofenotípicas podem dificultar significativamente seu reconhecimento, sobretudo em pacientes HIV negativo. Relato de caso: Homem, 33 anos, HIV negativo e previamente hígido, apresentou perda ponderal, sintomas B, linfonodomegalias disseminadas e lesões cutâneas ulceradas, evoluindo com crise convulsiva e déficit neurológico focal. A ressonância magnética evidenciou duas lesões expansivas cerebrais submetidas à biópsia. A avaliação anatomopatológica inicial sugeriu sarcoma indiferenciado. Após nova biópsia de tumoração de pele e ampliação do painel imunohistoquímico, identificou-se linfoma de alto grau constituído por células plasmoblásticas, com positividade para EBER, MUM1, MYC em 40% das células, CD43 focal; e negatividade para CD20, CD79a, CD138, CD38, PAX5, CD45, CD30, ALK, HHV-8 e cadeias leves; Ki-67 superior a 90%, permitindo o diagnóstico de PBL após integração dos achados morfológicos, imunofenotípicos e da positividade para EBER. O PET-CT demonstrou doença disseminada com acometimento linfonodal e cutâneo, sem infiltração à biópsia de medula óssea e imunofenotipagem do líquor negativa. Iniciou protocolo CODOX-M/IVAC, obtendo resposta inicial completa. Entretanto, apresentou recaída sistêmica precoce confirmada histologicamente, sendo submetido ao esquema de resgate ICE associado a bortezomibe, seguindo para transplante autólogo de medula óssea. Conclusão: O linfoma plasmablástico (PBL) é uma neoplasia rara de células B com diferenciação plasmocitária, correspondendo a menos de 1% dos casos de linfoma de grandes células B e associada a prognóstico desfavorável. É uma doença desafiadora, apresentando alta taxa de recidiva com terapias convencionais, sobretudo em pacientes HIV negativos. Segundo a revisão mais recente do American Journal of Hematology (2026), o imunofenótipo clássico caracteriza-se pela perda dos marcadores B convencionais associada à expressão de marcadores de diferenciação plasmocitária, especialmente CD38, CD138, MUM1, BLIMP1 e XBP1. No presente caso, entretanto, observou-se imunofenótipo altamente aberrante, com ausência não apenas dos marcadores B convencionais, mas também de marcadores habitualmente preservados no PBL, como CD138 e CD79a, mantendo essencialmente positividade para MUM1 e EBER, fato que ampliou o diagnóstico diferencial com sarcomas indiferenciados, mieloma plasmablástico e linfomas de alto grau EBV positivo. Nesses cenários, o diagnóstico depende da integração entre morfologia, imunohistoquímica, clínica e pesquisa de EBV, conforme preconizado pela WHO e ICC 2022. Além disso, frente aos resultados limitados da quimioterapia convencional e sustentadas por racional biológico, estratégias incorporando inibidores do proteassoma, particularmente o bortezomibe, têm sido exploradas no PBL, embora sem evidência definitiva estabelecida. Este caso evidencia que variantes imunofenotípicas do PBL representam importante desafio diagnóstico, mesmo em centros especializados. A ausência de marcadores plasmocitários classicamente expressos não exclui essa entidade quando a morfologia e a positividade para EBER são compatíveis. Esse conhecimento é essencial para diagnóstico e manejo corretos.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -