LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA FLT3-POSITIVA COM INFECÇÃO FÚNGICA INVASIVA PULMONAR, BACTEREMIA POR ESCHERICHIA COLI E CORIORETINITE FÚNGICA DURANTE A INDUÇÃO QUIMIOTERÁPICA: RELATO DE CASO
- 1Hospital Orizonti, Belo Horizonte, MG, Brasil
Abstract
Introdução: Pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA) submetidos à quimioterapia intensiva apresentam elevado risco de infecções durante a neutropenia profunda e prolongada, destacando-se as infecções fúngicas invasivas (IFI), importantes causas de morbimortalidade e potenciais fatores de atraso ou contraindicação ao transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH). O reconhecimento precoce dessas infecções, integrando achados clínicos, biomarcadores e exames de imagem, é essencial para reduzir a mortalidade e preservar a estratégia terapêutica. Relato de caso: Paciente masculino, 55 anos, previamente hígido, com diagnóstico de LMA em abril de 2026 após investigação de alterações hematológicas em exame de rotina. O mielograma evidenciou 88% de blastos, a imunofenotipagem confirmou o diagnóstico e o estudo molecular demonstrou mutações em FLT3 e NPM1, classificando a doença como risco intermediário. Foi submetido à indução com esquema 7+3, evoluindo com neutropenia prolongada. Durante a aplasia, apresentou tromboflebite em antebraço direito associada à infecção do cateter venoso central por Staphylococcus aureus, tratada com vancomicina e cefepime, posteriormente descalonados para oxacilina. Evoluiu com novo episódio de febre e hemoculturas positivas para Escherichia coli, compatíveis com bacteremia relacionada ao cateter. A galactomanana sérica foi positiva e a tomografia de tórax revelou dois pequenos nódulos sólidos no pulmão direito com halo em vidro fosco, sugestivos de aspergilose pulmonar invasiva. Apresentou ainda turvação visual, sendo diagnosticada corioretinite fúngica com suspeita de vitreíte em olho esquerdo. Foi tratado com meropenem, voriconazol e anfotericina B intravítrea, além de acompanhamento clínico, radiológico e oftalmológico, evoluindo favoravelmente. A avaliação medular pós-indução demonstrou doença residual mensurável (DRM) negativa, permitindo consolidação e programação para transplante alogênico. Discussão: A aplasia pós-indução representa o período de maior vulnerabilidade para infecções oportunistas em pacientes com LMA. A associação entre bacteremia por Escherichia coli, infecção relacionada ao cateter, aspergilose pulmonar invasiva provável e corioretinite fúngica evidencia a complexidade do manejo dessas infecções. A positividade da galactomanana associada ao sinal do halo permitiu diagnóstico precoce e início oportuno de voriconazol. O acometimento ocular exigiu abordagem conjunta da Hematologia e Oftalmologia, incluindo anfotericina B intravítrea para elevadas concentrações locais do antifúngico e preservação visual. O controle das infecções possibilitou remissão com DRM negativa e preservou a viabilidade do transplante alogênico. Conclusão: O caso reforça a importância da vigilância para infecções invasivas durante a neutropenia pós-indução na LMA. A integração entre avaliação clínica, microbiológica, biomarcadores, exames de imagem e acompanhamento oftalmológico permitiu diagnóstico precoce e tratamento adequado da aspergilose pulmonar invasiva associada à bacteremia por Escherichia coli e corioretinite fúngica, contribuindo para o controle da infecção, preservação da função visual e continuidade do tratamento antileucêmico até o transplante alogênico.
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AU - Fernanda Alves GUIMARÃES
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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AB - Introdução: Pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA) submetidos à quimioterapia intensiva apresentam elevado risco de infecções durante a neutropenia profunda e prolongada, destacando-se as infecções fúngicas invasivas (IFI), importantes causas de morbimortalidade e potenciais fatores de atraso ou contraindicação ao transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH). O reconhecimento precoce dessas infecções, integrando achados clínicos, biomarcadores e exames de imagem, é essencial para reduzir a mortalidade e preservar a estratégia terapêutica. Relato de caso: Paciente masculino, 55 anos, previamente hígido, com diagnóstico de LMA em abril de 2026 após investigação de alterações hematológicas em exame de rotina. O mielograma evidenciou 88% de blastos, a imunofenotipagem confirmou o diagnóstico e o estudo molecular demonstrou mutações em FLT3 e NPM1, classificando a doença como risco intermediário. Foi submetido à indução com esquema 7+3, evoluindo com neutropenia prolongada. Durante a aplasia, apresentou tromboflebite em antebraço direito associada à infecção do cateter venoso central por Staphylococcus aureus, tratada com vancomicina e cefepime, posteriormente descalonados para oxacilina. Evoluiu com novo episódio de febre e hemoculturas positivas para Escherichia coli, compatíveis com bacteremia relacionada ao cateter. A galactomanana sérica foi positiva e a tomografia de tórax revelou dois pequenos nódulos sólidos no pulmão direito com halo em vidro fosco, sugestivos de aspergilose pulmonar invasiva. Apresentou ainda turvação visual, sendo diagnosticada corioretinite fúngica com suspeita de vitreíte em olho esquerdo. Foi tratado com meropenem, voriconazol e anfotericina B intravítrea, além de acompanhamento clínico, radiológico e oftalmológico, evoluindo favoravelmente. A avaliação medular pós-indução demonstrou doença residual mensurável (DRM) negativa, permitindo consolidação e programação para transplante alogênico. Discussão: A aplasia pós-indução representa o período de maior vulnerabilidade para infecções oportunistas em pacientes com LMA. A associação entre bacteremia por Escherichia coli, infecção relacionada ao cateter, aspergilose pulmonar invasiva provável e corioretinite fúngica evidencia a complexidade do manejo dessas infecções. A positividade da galactomanana associada ao sinal do halo permitiu diagnóstico precoce e início oportuno de voriconazol. O acometimento ocular exigiu abordagem conjunta da Hematologia e Oftalmologia, incluindo anfotericina B intravítrea para elevadas concentrações locais do antifúngico e preservação visual. O controle das infecções possibilitou remissão com DRM negativa e preservou a viabilidade do transplante alogênico. Conclusão: O caso reforça a importância da vigilância para infecções invasivas durante a neutropenia pós-indução na LMA. A integração entre avaliação clínica, microbiológica, biomarcadores, exames de imagem e acompanhamento oftalmológico permitiu diagnóstico precoce e tratamento adequado da aspergilose pulmonar invasiva associada à bacteremia por Escherichia coli e corioretinite fúngica, contribuindo para o controle da infecção, preservação da função visual e continuidade do tratamento antileucêmico até o transplante alogênico.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -