DISSOCIAÇÃO ENTRE VHS E CONTAGEM LEUCOCITÁRIA: ANÁLISE DO PERFIL DE PACIENTES EM LABORATÓRIO CLÍNICO
- 1Universidade Tiradentes (UNIT), Aracaju, SE, Brasil
Abstract
Introdução: A velocidade de hemossedimentação (VHS) é um marcador laboratorial inespecífico, cuja elevação pode ocorrer em diversas condições fisiológicas e patológicas. A avaliação conjunta da VHS e da contagem total de leucócitos auxilia na caracterização de perfis laboratoriais, permitindo identificar situações em que a VHS se eleva sem alterações quantitativas na contagem leucocitária. Objetivo: Determinar a frequência de VHS elevada na presença de contagem total de leucócitos normal e comparar as características demográficas e laboratoriais dos pacientes com VHS elevada segundo a classificação da contagem leucocitária. Metodologia: Estudo observacional, retrospectivo e analítico, realizado a partir de 102 registros laboratoriais contendo informações sobre sexo, idade, VHS e contagem total de leucócitos. A VHS foi classificada conforme valores de referência por sexo e idade, enquanto a contagem leucocitária foi categorizada como normal ou alterada, incluindo leucopenia e leucocitose, de acordo com os intervalos de referência aplicáveis. A normalidade das variáveis quantitativas foi avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk. Devido à distribuição não normal dos dados, as variáveis quantitativas foram expressas em mediana e intervalo interquartil (IQR; P25–P75) e comparadas pelo teste de Mann-Whitney. A distribuição do sexo foi avaliada pelo teste exato de Fisher. A correlação entre a VHS e a contagem total de leucócitos foi investigada pelo coeficiente de correlação de Spearman. Adotou-se nível de significância de 5% (p<0,05). Resultados: Dos 102 pacientes avaliados, 48 (47,1%) apresentaram VHS elevada. Entre esses, 43 (89,6%) apresentaram contagem total de leucócitos dentro do intervalo de referência, correspondendo a 42,2% da amostra. Cinco pacientes (10,4%) apresentaram alteração leucocitária, predominantemente leucopenia. No grupo com VHS elevada e leucócitos normais, a mediana de idade foi de 55 anos (IQR: 44–64,5), a mediana da VHS foi de 46 mm/h (IQR: 34–57) e a mediana da contagem leucocitária foi de 6.160 leucócitos/µL (IQR: 5.060–7.550). No grupo com VHS elevada e leucócitos alterados, as medianas foram: idade de 35 anos (IQR: 20–48), VHS de 32 mm/h (IQR: 28–38) e contagem leucocitária de 3.230 leucócitos/µL (IQR: 3.050–3.460). A mediana da VHS foi significativamente maior no grupo com leucócitos normais em comparação ao grupo com leucócitos alterados (46 vs. 32 mm/h; p=0,045). Não houve diferenças significativas quanto à idade (p=0,193) ou à distribuição por sexo (p=0,503). Não houve correlação entre VHS e a contagem total de leucócitos (ρ=0,060; p=0,549). Discussão: A dissociação entre VHS e contagem de leucócitos pode ser explicada pela natureza inespecífica da VHS e pela influência de diferentes fatores clínicos sobre esse marcador. Dessa forma, alterações na VHS nem sempre acompanham modificações quantitativas no leucograma, especialmente em processos inflamatórios não agudos. Conclusão: A elevação da VHS ocorreu predominantemente na presença de contagem total de leucócitos normal, indicando que o marcador pode estar alterado mesmo sem modificações quantitativas na contagem leucocitária. Embora a mediana da VHS tenha sido maior no grupo com leucócitos normais, esse resultado deve ser interpretado com cautela devido ao reduzido tamanho amostral do subgrupo com leucócitos alterados. Os resultados reforçam a importância da interpretação dos exames laboratoriais em conjunto com a avaliação clínica individualizada.
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AB - Introdução: A velocidade de hemossedimentação (VHS) é um marcador laboratorial inespecífico, cuja elevação pode ocorrer em diversas condições fisiológicas e patológicas. A avaliação conjunta da VHS e da contagem total de leucócitos auxilia na caracterização de perfis laboratoriais, permitindo identificar situações em que a VHS se eleva sem alterações quantitativas na contagem leucocitária. Objetivo: Determinar a frequência de VHS elevada na presença de contagem total de leucócitos normal e comparar as características demográficas e laboratoriais dos pacientes com VHS elevada segundo a classificação da contagem leucocitária. Metodologia: Estudo observacional, retrospectivo e analítico, realizado a partir de 102 registros laboratoriais contendo informações sobre sexo, idade, VHS e contagem total de leucócitos. A VHS foi classificada conforme valores de referência por sexo e idade, enquanto a contagem leucocitária foi categorizada como normal ou alterada, incluindo leucopenia e leucocitose, de acordo com os intervalos de referência aplicáveis. A normalidade das variáveis quantitativas foi avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk. Devido à distribuição não normal dos dados, as variáveis quantitativas foram expressas em mediana e intervalo interquartil (IQR; P25–P75) e comparadas pelo teste de Mann-Whitney. A distribuição do sexo foi avaliada pelo teste exato de Fisher. A correlação entre a VHS e a contagem total de leucócitos foi investigada pelo coeficiente de correlação de Spearman. Adotou-se nível de significância de 5% (p<0,05). Resultados: Dos 102 pacientes avaliados, 48 (47,1%) apresentaram VHS elevada. Entre esses, 43 (89,6%) apresentaram contagem total de leucócitos dentro do intervalo de referência, correspondendo a 42,2% da amostra. Cinco pacientes (10,4%) apresentaram alteração leucocitária, predominantemente leucopenia. No grupo com VHS elevada e leucócitos normais, a mediana de idade foi de 55 anos (IQR: 44–64,5), a mediana da VHS foi de 46 mm/h (IQR: 34–57) e a mediana da contagem leucocitária foi de 6.160 leucócitos/µL (IQR: 5.060–7.550). No grupo com VHS elevada e leucócitos alterados, as medianas foram: idade de 35 anos (IQR: 20–48), VHS de 32 mm/h (IQR: 28–38) e contagem leucocitária de 3.230 leucócitos/µL (IQR: 3.050–3.460). A mediana da VHS foi significativamente maior no grupo com leucócitos normais em comparação ao grupo com leucócitos alterados (46 vs. 32 mm/h; p=0,045). Não houve diferenças significativas quanto à idade (p=0,193) ou à distribuição por sexo (p=0,503). Não houve correlação entre VHS e a contagem total de leucócitos (ρ=0,060; p=0,549). Discussão: A dissociação entre VHS e contagem de leucócitos pode ser explicada pela natureza inespecífica da VHS e pela influência de diferentes fatores clínicos sobre esse marcador. Dessa forma, alterações na VHS nem sempre acompanham modificações quantitativas no leucograma, especialmente em processos inflamatórios não agudos. Conclusão: A elevação da VHS ocorreu predominantemente na presença de contagem total de leucócitos normal, indicando que o marcador pode estar alterado mesmo sem modificações quantitativas na contagem leucocitária. Embora a mediana da VHS tenha sido maior no grupo com leucócitos normais, esse resultado deve ser interpretado com cautela devido ao reduzido tamanho amostral do subgrupo com leucócitos alterados. Os resultados reforçam a importância da interpretação dos exames laboratoriais em conjunto com a avaliação clínica individualizada.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -