ANTICORPOS IRREGULARES MASCARADOS - UM DESAFIO CRÍTICO NA IMUNO-HEMATOLOGIA
- 1GSH Corp Participações S/A, Teresina, PI, Brasil
Abstract
Introdução: Anticorpos irregulares são proteínas produzidas pelo sistema imunológico em resposta a antígenos estranhos presentes nas hemácias de outro indivíduo. Eles podem surgir após transfusões sanguíneas e/ou gestações, podendo causar reações hemolíticas graves se houver incompatibilidade entre doador e receptor. A detecção de anticorpos irregulares clinicamente significativos (como os dos sistemas Rh, Kell, Duffy e Kidd) é essencial para prevenir reações transfusionais e complicações gestacionais. Em agências transfusionais, a identificação de anticorpos é crucial para a segurança da transfusão e requer a expertise do profissional e apoio de serviços de referência com técnicas avançadas para auxiliar na identificação, pois fenômenos como pan-reatividade e autoanticorpos podem mascarar aloanticorpos clinicamente significativos. Objetivo: Relatar o manejo imuno-hematológico de um paciente que apresentou pesquisa de anticorpo irregular positiva com anticorpos ocultos no primeiro painel de hemácias realizado mascarando aloanticorpos de relevância transfusional. Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 67 anos, deu entrada no hospital para realizar uma cirurgia de coluna cervical e foi solicitado reserva sanguínea. Ele não possuía histórico transfusional no serviço de hemoterapia. Ao realizar a triagem imunohematológica, a tipagem ABO/RhD foi O Positivo, prova cruzada compatível, teste de Coombs Direto negativo, Pesquisa de Anticorpo Irregular (PAI) positiva, indicando a presença de anticorpo. O painel foi realizado pela técnica de gel teste Liss/Coombs (11 hemácias) com reatividade de 1 a 2+ nas células de 1 a 11 (exceção da hemácia 4). O resultado do mesmo teste em gel teste Nacl no meio enzimático resultou em negativo para todas as hemácias. O autocontrole também foi negativo. Essas características condiziam com o anticorpo anti-M pelo diagrama do painel. Estratégia de Desmascaramento: Como o paciente não tinha histórico de transfusão nos últimos 3 meses e havia muitas hemácias positivas reagindo no painel, o que pode mascarar a presença de outros anticorpos, a equipe enviou a amostra para o serviço de referência para realização de contraprova por meio da fenotipagem. A Revelação: Ao realizar a fenotipagem estendida [R0r,K-, Fy(a-b+), Jk(a+b+), M+, N-, S-,s+,Dia-], verificou-se o antígeno M+, excluindo a possibilidade do anticorpo anti-M. A amostra foi submetida a um novo painel de hemácias, com hemácias selecionadas, revelando a presença isolada dos aloanticorpos Anti-Fya, Anti-S e Anti-Dia. Todos estes aloanticorpos estavam mascarados nas reações do primeiro painel realizado. Isso revela a importância da fenotipagem na contraprova de identificação de anticorpos. Foi reservado/liberado um concentrado de hemácias O positivo com fenótipo negativo para C,E,K,Fya,S,Dia. A bolsa ficou disponível, mas o paciente não precisou utilizá-la durante a internação hospitalar. Conclusão: A identificação de anticorpos irregulares associado ao uso de técnicas complementares, como a contraprova por meio de fenotipagem eritrocitária, é uma ferramenta essencial para a conclusão da investigação de anticorpos irregulares e garantia da segurança transfusional.
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AB - Introdução: Anticorpos irregulares são proteínas produzidas pelo sistema imunológico em resposta a antígenos estranhos presentes nas hemácias de outro indivíduo. Eles podem surgir após transfusões sanguíneas e/ou gestações, podendo causar reações hemolíticas graves se houver incompatibilidade entre doador e receptor. A detecção de anticorpos irregulares clinicamente significativos (como os dos sistemas Rh, Kell, Duffy e Kidd) é essencial para prevenir reações transfusionais e complicações gestacionais. Em agências transfusionais, a identificação de anticorpos é crucial para a segurança da transfusão e requer a expertise do profissional e apoio de serviços de referência com técnicas avançadas para auxiliar na identificação, pois fenômenos como pan-reatividade e autoanticorpos podem mascarar aloanticorpos clinicamente significativos. Objetivo: Relatar o manejo imuno-hematológico de um paciente que apresentou pesquisa de anticorpo irregular positiva com anticorpos ocultos no primeiro painel de hemácias realizado mascarando aloanticorpos de relevância transfusional. Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 67 anos, deu entrada no hospital para realizar uma cirurgia de coluna cervical e foi solicitado reserva sanguínea. Ele não possuía histórico transfusional no serviço de hemoterapia. Ao realizar a triagem imunohematológica, a tipagem ABO/RhD foi O Positivo, prova cruzada compatível, teste de Coombs Direto negativo, Pesquisa de Anticorpo Irregular (PAI) positiva, indicando a presença de anticorpo. O painel foi realizado pela técnica de gel teste Liss/Coombs (11 hemácias) com reatividade de 1 a 2+ nas células de 1 a 11 (exceção da hemácia 4). O resultado do mesmo teste em gel teste Nacl no meio enzimático resultou em negativo para todas as hemácias. O autocontrole também foi negativo. Essas características condiziam com o anticorpo anti-M pelo diagrama do painel. Estratégia de Desmascaramento: Como o paciente não tinha histórico de transfusão nos últimos 3 meses e havia muitas hemácias positivas reagindo no painel, o que pode mascarar a presença de outros anticorpos, a equipe enviou a amostra para o serviço de referência para realização de contraprova por meio da fenotipagem. A Revelação: Ao realizar a fenotipagem estendida [R0r,K-, Fy(a-b+), Jk(a+b+), M+, N-, S-,s+,Dia-], verificou-se o antígeno M+, excluindo a possibilidade do anticorpo anti-M. A amostra foi submetida a um novo painel de hemácias, com hemácias selecionadas, revelando a presença isolada dos aloanticorpos Anti-Fya, Anti-S e Anti-Dia. Todos estes aloanticorpos estavam mascarados nas reações do primeiro painel realizado. Isso revela a importância da fenotipagem na contraprova de identificação de anticorpos. Foi reservado/liberado um concentrado de hemácias O positivo com fenótipo negativo para C,E,K,Fya,S,Dia. A bolsa ficou disponível, mas o paciente não precisou utilizá-la durante a internação hospitalar. Conclusão: A identificação de anticorpos irregulares associado ao uso de técnicas complementares, como a contraprova por meio de fenotipagem eritrocitária, é uma ferramenta essencial para a conclusão da investigação de anticorpos irregulares e garantia da segurança transfusional.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -