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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

AVALIAÇÃO DA PREVALÊNCIA DE ANTICORPOS IRREGULARES EM UM HOSPITAL DE CURITIBA ATENDIDO PELO GRUPO GSH

  1. 1Grupo GSH, Curitiba, PR, Brasil

Abstract

Introdução: A transfusão de hemocomponentes é amplamente utilizada para o tratamento de anemias, policitemias/eritrocitoses e estabilização hemodinâmica de pacientes. Apesar de ser considerada uma terapia segura, está associada a riscos, entre eles a aloimunização eritrocitária, caracterizada pela formação de anticorpos contra antígenos eritrocitários não próprios após exposição por transfusão ou gestação. Gestantes apresentam maior risco devido ao contato com antígenos eritrocitários fetais de origem paterna. Pacientes politransfundidos também são mais suscetíveis, em razão da exposição repetida a diferentes antígenos eritrocitários. Objetivo: Avaliar a prevalência de anticorpos irregulares em pacientes atendidos em um hospital assistido pelo Grupo GSH no ano de 2025. Materiais e métodos: Estudo retrospectivo, descritivo e quantitativo, realizado a partir de dados do sistema informatizado e registros transfusionais referentes às pesquisas (PAI) e identificações de anticorpos irregulares (IAI) realizadas entre janeiro e dezembro de 2025. Resultados e discussão: No período analisado, foram identificados 19 pacientes com pesquisa de anticorpos irregulares positiva. Destes, 16 (84,2%) eram do sexo feminino e 3 (15,8%) do sexo masculino. Em 7 pacientes (36,8%) não foi possível identificar a especificidade do anticorpo, mesmo após investigação imunohematológica. Esse achado pode estar relacionado à presença de anticorpos de baixo título, autoanticorpos, reações inespecíficas ou interferência de medicamentos, fatores que dificultam a identificação e podem gerar resultados falso-positivos. Nos 12 pacientes (63,2%) com anticorpos identificados, o anti-K foi o mais frequente, presente em 4 casos (33,3%), seguido pelos anticorpos anti-D e anti-E, identificados em 3 pacientes cada (25,0%). Os anticorpos anti-e e anti-M ocorreram em 2 pacientes cada (16,7%), enquanto o anti-C foi identificado em 1 paciente (8,3%). Três pacientes (25,0%) apresentaram múltiplos aloanticorpos, indicando maior sensibilização imunológica. Entre os pacientes com anticorpos identificados, pelo menos 5 (41,7%) possuíam diagnóstico de neoplasia, sugerindo associação com histórico de múltiplas transfusões, reconhecido como importante fator de risco para aloimunização eritrocitária. Além disso, pelo menos 3 pacientes (25,0%) eram gestantes, reforçando a relevância da sensibilização materno-fetal no desenvolvimento de aloanticorpos, especialmente do sistema Rh. O predomínio do anticorpo anti-K reforça a importância da compatibilização estendida, considerando sua elevada imunogenicidade e potencial impacto na segurança transfusional e obstétrica. Conclusão: A identificação de anticorpos irregulares é fundamental para a segurança transfusional e para a prevenção de complicações relacionadas à aloimunização. A maior ocorrência de aloanticorpos em pacientes politransfundidos e gestantes reforça a importância da realização da fenotipagem eritrocitária antes do início da terapia transfusional, sempre que possível, favorecendo a seleção de hemocomponentes compatíveis, reduzindo o risco de novas aloimunizações e contribuindo para uma terapia transfusional mais segura e eficaz.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -