EFEITO DA ERGOTIONEÍNA SOBRE AS DEFESAS ANTIOXIDANTES ERITROCITÁRIAS EM MODELO MURINO DE ANEMIA FALCIFORME
5 affiliations
- 1University Medical Center Göttingen, Department of Experimental Neurodegeneration, Center for Biostructural Imaging of Neurodegeneration, Germany
- 2Empresa ByMyCell, Ribeirão Preto, SP, Brasil
- 3Universidade Estadual Paulista (UNESP), São José do Rio Preto, SP, Brasil
- 4Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, Brasil
- 5Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Três Lagoas, MS, Brasil
Abstract
Introdução: A homeostase redox dos eritrócitos encontra-se profundamente comprometida na anemia falciforme (AF), em decorrência da elevada produção de espécies reativas e do consumo contínuo das defesas antioxidantes. A ergotioneína (ERT) é um antioxidante dietético concentrado em eritrócitos, capaz de neutralizar oxidantes e interagir com o sistema da glutationa. Entretanto, seus efeitos sobre as defesas enzimáticas eritrocitárias permanecem pouco compreendidos. Objetivo: Avaliar o efeito da suplementação com ERT sobre a atividade de enzimas antioxidantes em eritrócitos de camundongos humanizados para AF. Metodologia: Foram avaliados camundongos humanizados distribuídos nos grupos SA, controle heterozigoto (n=6); SS, com AF não tratados (n=9); e SS+ERT, com AF tratados com ERT, (35 mg/kg/dia, via oral, por 60 dias; n=5). Após a eutanásia, a papa eritrocitária foi obtida de sangue coletado em EDTA, hemolisada e utilizada para determinação espectrofotométrica das atividades de catalase (CAT), glutationa peroxidase (GPx), glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PDH), glutationa redutase (GR) e glutationa S-transferase (GST). As comparações entre os grupos foram realizadas por ANOVA one-way, seguida do teste de Bonferroni. Resultados: O grupo SS apresentou redução significativa da atividade de GPx em relação ao SA, enquanto a suplementação com ERT restaurou essa atividade a valores semelhantes aos do controle (p<0,01). A atividade de CAT foi maior no grupo SS que no SA e, após o tratamento, retornou a níveis comparáveis aos do controle (p<0,01). A GST apresentou atividade aumentada nos grupos SS e SS+ERT em comparação ao SA (p<0,01), sem diferença significativa entre os grupos falciformes, embora tenha ocorrido discreto aumento após a suplementação. Não foram observadas diferenças significativas para GR e G6PDH, embora tenham apresentado tendência de aumento e redução, respectivamente, nos grupos falciformes. Discussão: A preservação da atividade de GPx constitui o principal efeito após a suplementação com ERT e sugere reforço da capacidade de remoção de peróxidos em eritrócitos falciformes. Efeito que pode estar relacionado à elevada biodisponibilidade eritrocitária da ERT, à reciclagem de suas formas oxidadas ou à sua cooperação com o sistema da glutationa. Da mesma forma, o retorno da atividade de CAT a valores semelhantes aos do controle indica modulação parcial da resposta ao estresse oxidativo. Entretanto, esse achado deve ser interpretado com cautela, pois o comportamento da CAT no modelo murino difere daquele geralmente descrito na AF humana. A manutenção da atividade elevada de GST nos grupos falciformes é compatível com uma resposta adaptativa ao estresse oxidativo, sem evidência de modulação pela ERT. As tendências de aumento de GR e de redução de G6PDH podem sugerir que a ERT não promove ativação indiscriminada das defesas antioxidantes, mas pode reduzir a demanda por reciclagem de glutationa e pela geração de NADPH, hipótese que requer confirmação em estudos futuros. Conclusão: A suplementação com ERT preservou a atividade da GPx e modificou a da CAT, evidenciando modulação das defesas antioxidantes eritrocitárias. Esses resultados fornecem evidências iniciais do potencial da ERT como estratégia adjuvante para atenuar o desequilíbrio redox associado à AF.
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RIS
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A homeostase redox dos eritrócitos encontra-se profundamente comprometida na anemia falciforme (AF), em decorrência da elevada produção de espécies reativas e do consumo contínuo das defesas antioxidantes. A ergotioneína (ERT) é um antioxidante dietético concentrado em eritrócitos, capaz de neutralizar oxidantes e interagir com o sistema da glutationa. Entretanto, seus efeitos sobre as defesas enzimáticas eritrocitárias permanecem pouco compreendidos. Objetivo: Avaliar o efeito da suplementação com ERT sobre a atividade de enzimas antioxidantes em eritrócitos de camundongos humanizados para AF. Metodologia: Foram avaliados camundongos humanizados distribuídos nos grupos SA, controle heterozigoto (n=6); SS, com AF não tratados (n=9); e SS+ERT, com AF tratados com ERT, (35 mg/kg/dia, via oral, por 60 dias; n=5). Após a eutanásia, a papa eritrocitária foi obtida de sangue coletado em EDTA, hemolisada e utilizada para determinação espectrofotométrica das atividades de catalase (CAT), glutationa peroxidase (GPx), glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PDH), glutationa redutase (GR) e glutationa S-transferase (GST). As comparações entre os grupos foram realizadas por ANOVA one-way, seguida do teste de Bonferroni. Resultados: O grupo SS apresentou redução significativa da atividade de GPx em relação ao SA, enquanto a suplementação com ERT restaurou essa atividade a valores semelhantes aos do controle (p<0,01). A atividade de CAT foi maior no grupo SS que no SA e, após o tratamento, retornou a níveis comparáveis aos do controle (p<0,01). A GST apresentou atividade aumentada nos grupos SS e SS+ERT em comparação ao SA (p<0,01), sem diferença significativa entre os grupos falciformes, embora tenha ocorrido discreto aumento após a suplementação. Não foram observadas diferenças significativas para GR e G6PDH, embora tenham apresentado tendência de aumento e redução, respectivamente, nos grupos falciformes. Discussão: A preservação da atividade de GPx constitui o principal efeito após a suplementação com ERT e sugere reforço da capacidade de remoção de peróxidos em eritrócitos falciformes. Efeito que pode estar relacionado à elevada biodisponibilidade eritrocitária da ERT, à reciclagem de suas formas oxidadas ou à sua cooperação com o sistema da glutationa. Da mesma forma, o retorno da atividade de CAT a valores semelhantes aos do controle indica modulação parcial da resposta ao estresse oxidativo. Entretanto, esse achado deve ser interpretado com cautela, pois o comportamento da CAT no modelo murino difere daquele geralmente descrito na AF humana. A manutenção da atividade elevada de GST nos grupos falciformes é compatível com uma resposta adaptativa ao estresse oxidativo, sem evidência de modulação pela ERT. As tendências de aumento de GR e de redução de G6PDH podem sugerir que a ERT não promove ativação indiscriminada das defesas antioxidantes, mas pode reduzir a demanda por reciclagem de glutationa e pela geração de NADPH, hipótese que requer confirmação em estudos futuros. Conclusão: A suplementação com ERT preservou a atividade da GPx e modificou a da CAT, evidenciando modulação das defesas antioxidantes eritrocitárias. Esses resultados fornecem evidências iniciais do potencial da ERT como estratégia adjuvante para atenuar o desequilíbrio redox associado à AF.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -