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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA IMUNE NO PÓS-OPERATÓRIO DE APENDICITE COMPLICADA: RELATO DE CASO

  1. 1Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A púrpura trombocitopênica imune (PTI) é caracterizada pela produção de autoanticorpos contra antígenos plaquetários levando à destruição de plaquetas. O manejo da PTI depende da contagem de plaquetas e do risco de sangramento apresentado pelo paciente. PTI primária decorre de ativação autoimune sem desencadeante identificável, enquanto a PTI secundária está associada a condições como outras doenças autoimunes, infecções virais, doenças linfoproliferativas e imunodeficiências primárias. Descrição do caso: Paciente do sexo masculino, 29 anos, com quadro de dor abdominal de evolução de cerca de 1 mês, iniciada em região periumbilical e, posteriormente, em fossa ilíaca direita. Compareceu a outros serviços de saúde com hipótese diagnóstica de dengue, sem confirmação laboratorial, com exames externos com trombocitopenia e tomografia computadorizada de abdome realizada por piora clínica com sinais inflamatórios em fossa ilíaca direita com coleções sugestivas de apendicite complicada. Paciente admitido em 05/03/2026 e submetido à laparotomia exploradora com apendicectomia e tratamento de sepse abdominal em unidade de terapia intensiva. Na admissão, apresentou plaquetas de 86.000/mm³, confirmadas por revisão microscópica de esfregaço periférico com progressão para 4.000/mm³ em 11/03/2026. Evoluiu com queda dos níveis de hemoglobina, necessitando de transfusão de concentrados de hemácias e de plaquetas em decorrência da formação de hematoma subcutâneo extenso (34,8 × 13,2 × 8,9 cm). Apresentou ainda deiscência e infecção da ferida operatória, dificultando novas abordagens cirúrgicas visto trombocitopenia persistente. Optou-se por cicatrização por segunda intenção com suporte de antibioticoterapia, curativos especializados e oxigenoterapia hiperbárica. A investigação etiológica excluiu causas infecciosas e reumatológicas, com marcadores reumatológicos negativos, frações complemento sem alterações, investigação negativa para infecções virais agudas para parvovírus B19, citomegalovírus, toxoplasmose, hepatites B e C, HIV e VDRL. Após exclusão de causas secundárias, estabelecido diagnóstico de Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) e iniciado tratamento com imunoglobulina intravenosa e corticoterapia. Paciente apresentou estabilização hematimétrica e recuperação da contagem plaquetária. Discussão: A trombocitopenia contribuiu ao atraso do diagnóstico da patologia cirúrgica apresentada pelo paciente, que foi inicialmente atribuída a um quadro de dengue, com consequente desenvolvimento de complicações. A persistência da trombocitopenia após tratamento de sepse motivou a investigação de outras causas secundárias, que foram excluídas. A resposta favorável ao tratamento com imunoglobulina intravenosa e corticoterapia reforçou o diagnóstico de púrpura trombocitopênica imune primária, condição que contribuiu para complicações hemorrágicas e prolongamento da internação hospitalar. Conclusão: No contexto de doença aguda e associada à trombocitopenia, principalmente na presença de manifestações hemorrágicas, é fundamental a avaliação hematológica precoce que permite o manejo terapêutico adequado reduzindo o risco de complicações do paciente.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -