DA LEUCOPENIA À HIPERLEUCOCITOSE BLÁSTICA: CAPTURA LABORATORIAL DE UMA VIRADA HEMATOLÓGICA ABRUPTA
- 1Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), Cascavel, PR, Brasil
- 2Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Cascavel, PR, Brasil
Abstract
Introdução: A evolução de citopenias para hiperleucocitose blástica pode ocorrer rapidamente em neoplasias hematológicas. O acompanhamento seriado do hemograma e a revisão morfológica do sangue periférico são fundamentais para reconhecer mudanças de padrão e orientar a investigação diagnóstica. Relato do Caso: Mulher, 71 anos, com hipertensão arterial, diabetes mellitus e hipotireoidismo, encaminhada por astenia progressiva, palidez e icterícia. Hemograma realizado quatro dias antes da admissão evidenciou hemoglobina de 6,5 g/dL, volume corpuscular médio de 107,5 fL, leucócitos de 1.670/mm 3 e plaquetas de 41.000/mm 3 . Na admissão hospitalar, apresentava hemoglobina de 7,3 g/dL, volume corpuscular médio de 104,3 fL, leucócitos de 1.800/mm³, neutrófilos de 432/mm 3 , plaquetas de 50.000/mm 3 , 6% de blastos e 11 eritroblastos para cada 100 leucócitos, além de anisocitose, macrocitose e policromasia. Em nova contagem realizada no mesmo dia, com 2.400 leucócitos/mm 3 , não foram observados blastos. Após estabilidade clínica, recebeu alta para continuidade da investigação. Aproximadamente quatro meses depois, mantinha anemia e trombocitopenia, com hemoglobina de 8,3 g/dL, plaquetas de 44.000/mm 3 e quatro eritroblastos para cada 100 leucócitos. Em nova admissão, hemogramas realizados em dias consecutivos permitiram acompanhar mudança hematológica abrupta: inicialmente havia leucopenia, seguida por elevação progressiva da contagem leucocitária e, no terceiro dia, hiperleucocitose de 175.900/mm 3 . O diferencial automatizado e a análise inicial registraram 42% de células no campo de linfócitos atípicos e 5% de blastos. Na revisão morfológica integrada dos esfregaços seriados, ambas as categorias apresentavam características semelhantes, compatíveis com uma única população blástica, correspondendo a aproximadamente 47% das células circulantes. Os blastos eram relativamente monomórficos, de pequeno a médio porte, com elevada relação núcleo-citoplasma, citoplasma escasso, agranular e discretamente basofílico, núcleos predominantemente arredondados ou ovais, cromatina fina a moderadamente condensada e nucléolos pouco evidentes. Discussão: O caso documenta a transição, em curto intervalo, de um padrão citopênico para uma fase proliferativa com hiperleucocitose blástica. A identificação variável de blastos durante a fase leucopênica demonstra as limitações inerentes à contagem diferencial de 100 células em amostras com baixa concentração leucocitária. Posteriormente, a semelhança morfológica entre blastos pequenos e células de aparência linfoide tornou necessária a comparação entre esfregaços sucessivos para o reconhecimento da população celular em expansão. A análise longitudinal mostrou-se mais informativa do que a interpretação isolada de cada hemograma. Conclusão: O acompanhamento seriado permitiu capturar uma virada hematológica abrupta, da leucopenia à hiperleucocitose blástica. O caso reforça a importância da revisão morfológica especializada e da comparação longitudinal dos esfregaços diante de citopenias inexplicadas, eritroblastemia e mudanças rápidas na contagem leucocitária.
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PY - 2026
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AB - Introdução: A evolução de citopenias para hiperleucocitose blástica pode ocorrer rapidamente em neoplasias hematológicas. O acompanhamento seriado do hemograma e a revisão morfológica do sangue periférico são fundamentais para reconhecer mudanças de padrão e orientar a investigação diagnóstica. Relato do Caso: Mulher, 71 anos, com hipertensão arterial, diabetes mellitus e hipotireoidismo, encaminhada por astenia progressiva, palidez e icterícia. Hemograma realizado quatro dias antes da admissão evidenciou hemoglobina de 6,5 g/dL, volume corpuscular médio de 107,5 fL, leucócitos de 1.670/mm 3 e plaquetas de 41.000/mm 3 . Na admissão hospitalar, apresentava hemoglobina de 7,3 g/dL, volume corpuscular médio de 104,3 fL, leucócitos de 1.800/mm³, neutrófilos de 432/mm 3 , plaquetas de 50.000/mm 3 , 6% de blastos e 11 eritroblastos para cada 100 leucócitos, além de anisocitose, macrocitose e policromasia. Em nova contagem realizada no mesmo dia, com 2.400 leucócitos/mm 3 , não foram observados blastos. Após estabilidade clínica, recebeu alta para continuidade da investigação. Aproximadamente quatro meses depois, mantinha anemia e trombocitopenia, com hemoglobina de 8,3 g/dL, plaquetas de 44.000/mm 3 e quatro eritroblastos para cada 100 leucócitos. Em nova admissão, hemogramas realizados em dias consecutivos permitiram acompanhar mudança hematológica abrupta: inicialmente havia leucopenia, seguida por elevação progressiva da contagem leucocitária e, no terceiro dia, hiperleucocitose de 175.900/mm 3 . O diferencial automatizado e a análise inicial registraram 42% de células no campo de linfócitos atípicos e 5% de blastos. Na revisão morfológica integrada dos esfregaços seriados, ambas as categorias apresentavam características semelhantes, compatíveis com uma única população blástica, correspondendo a aproximadamente 47% das células circulantes. Os blastos eram relativamente monomórficos, de pequeno a médio porte, com elevada relação núcleo-citoplasma, citoplasma escasso, agranular e discretamente basofílico, núcleos predominantemente arredondados ou ovais, cromatina fina a moderadamente condensada e nucléolos pouco evidentes. Discussão: O caso documenta a transição, em curto intervalo, de um padrão citopênico para uma fase proliferativa com hiperleucocitose blástica. A identificação variável de blastos durante a fase leucopênica demonstra as limitações inerentes à contagem diferencial de 100 células em amostras com baixa concentração leucocitária. Posteriormente, a semelhança morfológica entre blastos pequenos e células de aparência linfoide tornou necessária a comparação entre esfregaços sucessivos para o reconhecimento da população celular em expansão. A análise longitudinal mostrou-se mais informativa do que a interpretação isolada de cada hemograma. Conclusão: O acompanhamento seriado permitiu capturar uma virada hematológica abrupta, da leucopenia à hiperleucocitose blástica. O caso reforça a importância da revisão morfológica especializada e da comparação longitudinal dos esfregaços diante de citopenias inexplicadas, eritroblastemia e mudanças rápidas na contagem leucocitária.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -