O USO DE DAPSONA NO TRATAMENTO DA PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA IMUNE EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: EXPERIÊNCIA DE VIDA REAL DE UM CENTRO BRASILEIRO
- 1Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP), São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A plaquetopenia imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada por trombocitopenia isolada decorrente da destruição imunomediada e da redução da produção plaquetária. Embora corticosteroides permaneçam como tratamento inicial, muitos pacientes evoluem com doença persistente ou crônica, necessitando de terapias subsequentes. Apesar da disponibilidade de novas opções terapêuticas, seu acesso ainda é limitado em muitos serviços públicos. Nesse contexto, a dapsona representa uma alternativa de baixo custo, porém com escassez de dados nacionais e internacionais em condições de vida real. Objetivo: Avaliar a eficácia e a segurança da dapsona em pacientes com PTI acompanhados em um hospital terciário do Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Estudo observacional retrospectivo, incluindo pacientes com PTI tratados com dapsona em qualquer linha entre fevereiro de 2025 e maio de 2026 em ambulatório especializado de Hematologia. Foram avaliados dados demográficos, características da doença, terapias prévias, linha de tratamento, dose inicial, resposta hematológica, tempo até resposta, duração do tratamento, eventos adversos e motivos de suspensão. A resposta terapêutica foi definida conforme critérios internacionais para PTI. Resultados: Foram incluídos 25 pacientes com PTI, sendo a dapsona utilizada predominantemente como segunda ou terceira linha terapêutica após corticosteroides, imunoglobulina intravenosa e outras terapias. A dose inicial mais frequente foi de 75 mg/dia. Vinte e dois pacientes (88%) apresentaram resposta inicial, sendo completa em sete (28%) e parcial em quinze (60%) casos. A mediana de tempo para resposta foi de 30 dias. Dos respondedores, quinze (68%) mantiveram resposta sustentada durante o seguimento. Sete pacientes (28%) apresentaram resposta inicial seguida de recaída e três (12%) não responderam ao tratamento. Entre os pacientes com resposta sustentada, dez permaneciam em uso da dapsona ao final do acompanhamento, dois tiveram a medicação suspensa por manutenção da resposta clínica e três interromperam o tratamento devido a eventos adversos, correspondendo a um caso de neutropenia, um de hemólise e um de prurido. Discussão: Apesar do tamanho reduzido da amostra, os resultados observados foram consistentes com os descritos em coortes retrospectivas maiores. A resposta sustentada, observada em 60% dos pacientes, foi comparável à relatada por Colella et al. (51%) e Shah et al. (44,8%), demonstrando concordância com os dados disponíveis na literatura, ainda limitada sobre o uso da dapsona na PTI. Conclusão: A dapsona foi eficaz e apresentou perfil de segurança favorável nesta coorte de pacientes com PTI, constituindo uma alternativa terapêutica viável.
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AU - Luiza Barbosa BRITO
AU - Ana Clara Kneese Virgílio do NASCIMENTO
AU - Fernanda MALAGUTTI
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AU - Amanda Carolina Miranda COSTA
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AU - Eduardo Boechat PEREIRA
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108056
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AB - Introdução: A plaquetopenia imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada por trombocitopenia isolada decorrente da destruição imunomediada e da redução da produção plaquetária. Embora corticosteroides permaneçam como tratamento inicial, muitos pacientes evoluem com doença persistente ou crônica, necessitando de terapias subsequentes. Apesar da disponibilidade de novas opções terapêuticas, seu acesso ainda é limitado em muitos serviços públicos. Nesse contexto, a dapsona representa uma alternativa de baixo custo, porém com escassez de dados nacionais e internacionais em condições de vida real. Objetivo: Avaliar a eficácia e a segurança da dapsona em pacientes com PTI acompanhados em um hospital terciário do Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Estudo observacional retrospectivo, incluindo pacientes com PTI tratados com dapsona em qualquer linha entre fevereiro de 2025 e maio de 2026 em ambulatório especializado de Hematologia. Foram avaliados dados demográficos, características da doença, terapias prévias, linha de tratamento, dose inicial, resposta hematológica, tempo até resposta, duração do tratamento, eventos adversos e motivos de suspensão. A resposta terapêutica foi definida conforme critérios internacionais para PTI. Resultados: Foram incluídos 25 pacientes com PTI, sendo a dapsona utilizada predominantemente como segunda ou terceira linha terapêutica após corticosteroides, imunoglobulina intravenosa e outras terapias. A dose inicial mais frequente foi de 75 mg/dia. Vinte e dois pacientes (88%) apresentaram resposta inicial, sendo completa em sete (28%) e parcial em quinze (60%) casos. A mediana de tempo para resposta foi de 30 dias. Dos respondedores, quinze (68%) mantiveram resposta sustentada durante o seguimento. Sete pacientes (28%) apresentaram resposta inicial seguida de recaída e três (12%) não responderam ao tratamento. Entre os pacientes com resposta sustentada, dez permaneciam em uso da dapsona ao final do acompanhamento, dois tiveram a medicação suspensa por manutenção da resposta clínica e três interromperam o tratamento devido a eventos adversos, correspondendo a um caso de neutropenia, um de hemólise e um de prurido. Discussão: Apesar do tamanho reduzido da amostra, os resultados observados foram consistentes com os descritos em coortes retrospectivas maiores. A resposta sustentada, observada em 60% dos pacientes, foi comparável à relatada por Colella et al. (51%) e Shah et al. (44,8%), demonstrando concordância com os dados disponíveis na literatura, ainda limitada sobre o uso da dapsona na PTI. Conclusão: A dapsona foi eficaz e apresentou perfil de segurança favorável nesta coorte de pacientes com PTI, constituindo uma alternativa terapêutica viável.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -