ESTENOSE PILÓRICA APÓS RESPOSTA METABÓLICA COMPLETA A R-CHOP EM PACIENTE COM LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B GÁSTRICO: RELATO DE CASO
- 1Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Joinville, SC, Brasil
- 2Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville, SC, Brasil
- 3Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Joinville, SC, Brasil; Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville, SC, Brasil
Abstract
Introdução: O linfoma difuso de grandes células B (LDGCB) é o subtipo mais frequente dos linfomas não Hodgkin, podendo acometer o trato gastrointestinal, mais frequentemente no estômago. O tratamento com R-CHOP apresenta elevadas taxas de resposta, porém complicações estruturais secundárias à regressão tumoral são raramente descritas. A estenose pilórica durante ou após a quimioterapia representa um desafio diagnóstico, por poder simular doença residual ou recidiva tumoral. Método: Relato baseado em revisão retrospectiva de prontuário, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Municipal São José de Joinville. Relato de Caso: Mulher, 60 anos, com perda ponderal de 12 kg durante a investigação de lesão gástrica iniciada em janeiro de 2025. Em setembro, endoscopia digestiva alta evidenciou lesão ulceroinfiltrativa Borrmann III na região antropilórica; a biópsia revelou linfoma B de alto grau, CD20, BCL6 e c-MYC positivos, com Ki-67 de 70%. A paciente apresentava doença em estádio IV, com Índice Prognóstico Internacional (IPI) de 1. Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, recebeu cinco ciclos de R-CHOP, sem rituximabe. Após o primeiro, apresentou neutropenia febril, com evolução favorável. Após o quinto ciclo apresentou dispepsia progressiva, com refluxo e recusa alimentar. Realizado PET-CT, com resposta metabólica completa (Deauville 2), sem captação significativa gástrica ou nodal. Antes da realização do sexto ciclo, evoluiu com vômitos frequentes, inapetência, hipoglicemia e perda adicional de 4 kg, com suspensão do tratamento e internação hospitalar. TC com acentuada distensão gástrica sem fator obstrutivo evidente; endoscopia com estase volumosa, persistência de lesão infiltrativa estenosante não-ulcerada em piloro. Durante a internação, apresentou trombose venosa profunda extensa no membro inferior esquerdo, tratada com enoxaparina e, depois, rivaroxabana. Biópsias seriadas realizadas em abril e junho não demonstraram recidiva da doença, com processo inflamatório em padrão reacional, e pesquisa de Helicobacter pylori negativa. Foi submetida a dilatações endoscópicas em junho e julho de 2026, e passagem de sonda nasoenteral pós-pilórica. Apresentou melhora progressiva dos sintomas obstrutivos, com retirada da sonda e progressão de dieta. Discussão: A obstrução da via de saída gástrica em pacientes com linfoma geralmente está relacionada à infiltração tumoral ativa, tornando seu aparecimento após resposta metabólica completa um evento incomum. No presente caso, a associação entre PET-CT compatível com remissão completa e biópsias repetidamente negativas para linfoma favoreceu a hipótese diagnóstica de quadro reparativo. Relatos semelhantes descrevem que estenoses desenvolvidas após quimioterapia em linfomas gástricos podem apresentar predomínio de componente fibrótico decorrente da regressão tumoral, ocasionando alterações anatômicas persistentes mesmo na ausência de doença ativa. Nesses casos, a dilatação endoscópica é essencial para aliviar sintomas obstrutivos e evitar procedimentos cirúrgicos desnecessários. Conclusão: A avaliação de refratariedade em linfomas gástricos, especialmente em paciente com mudança de padrão clínico, deve ser acompanhada de biópsia e exames de imagem para a correta caracterização do quadro, evitando intervenções desnecessárias e possibilitando o suporte adequado.
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BibTeX
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DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: O linfoma difuso de grandes células B (LDGCB) é o subtipo mais frequente dos linfomas não Hodgkin, podendo acometer o trato gastrointestinal, mais frequentemente no estômago. O tratamento com R-CHOP apresenta elevadas taxas de resposta, porém complicações estruturais secundárias à regressão tumoral são raramente descritas. A estenose pilórica durante ou após a quimioterapia representa um desafio diagnóstico, por poder simular doença residual ou recidiva tumoral. Método: Relato baseado em revisão retrospectiva de prontuário, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Municipal São José de Joinville. Relato de Caso: Mulher, 60 anos, com perda ponderal de 12 kg durante a investigação de lesão gástrica iniciada em janeiro de 2025. Em setembro, endoscopia digestiva alta evidenciou lesão ulceroinfiltrativa Borrmann III na região antropilórica; a biópsia revelou linfoma B de alto grau, CD20, BCL6 e c-MYC positivos, com Ki-67 de 70%. A paciente apresentava doença em estádio IV, com Índice Prognóstico Internacional (IPI) de 1. Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, recebeu cinco ciclos de R-CHOP, sem rituximabe. Após o primeiro, apresentou neutropenia febril, com evolução favorável. Após o quinto ciclo apresentou dispepsia progressiva, com refluxo e recusa alimentar. Realizado PET-CT, com resposta metabólica completa (Deauville 2), sem captação significativa gástrica ou nodal. Antes da realização do sexto ciclo, evoluiu com vômitos frequentes, inapetência, hipoglicemia e perda adicional de 4 kg, com suspensão do tratamento e internação hospitalar. TC com acentuada distensão gástrica sem fator obstrutivo evidente; endoscopia com estase volumosa, persistência de lesão infiltrativa estenosante não-ulcerada em piloro. Durante a internação, apresentou trombose venosa profunda extensa no membro inferior esquerdo, tratada com enoxaparina e, depois, rivaroxabana. Biópsias seriadas realizadas em abril e junho não demonstraram recidiva da doença, com processo inflamatório em padrão reacional, e pesquisa de Helicobacter pylori negativa. Foi submetida a dilatações endoscópicas em junho e julho de 2026, e passagem de sonda nasoenteral pós-pilórica. Apresentou melhora progressiva dos sintomas obstrutivos, com retirada da sonda e progressão de dieta. Discussão: A obstrução da via de saída gástrica em pacientes com linfoma geralmente está relacionada à infiltração tumoral ativa, tornando seu aparecimento após resposta metabólica completa um evento incomum. No presente caso, a associação entre PET-CT compatível com remissão completa e biópsias repetidamente negativas para linfoma favoreceu a hipótese diagnóstica de quadro reparativo. Relatos semelhantes descrevem que estenoses desenvolvidas após quimioterapia em linfomas gástricos podem apresentar predomínio de componente fibrótico decorrente da regressão tumoral, ocasionando alterações anatômicas persistentes mesmo na ausência de doença ativa. Nesses casos, a dilatação endoscópica é essencial para aliviar sintomas obstrutivos e evitar procedimentos cirúrgicos desnecessários. Conclusão: A avaliação de refratariedade em linfomas gástricos, especialmente em paciente com mudança de padrão clínico, deve ser acompanhada de biópsia e exames de imagem para a correta caracterização do quadro, evitando intervenções desnecessárias e possibilitando o suporte adequado.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -