LEUCEMIA DE GRANDES LINFÓCITOS T GRANULARES: HETEROGENEIDADE CLÍNICA, IMUNOFENOTÍPICA E TERAPÊUTICA EM DOIS CASOS
- 1Faculdade de Ciências Médicas e da saúde da PUC-SP, Sorocaba, SP, Brasil
- 2PS Jardim D'Abril, São Paulo, SP, Brasil
- 3Conjunto Hospitalar de Sorocaba/Seconci, Sorocaba, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A Leucemia de Grandes Linfócitos T Granulares (T-LGL) é uma doença linfoproliferativa rara caracterizada pela proliferação clonal de linfócitos T citotóxicos maduros, geralmente de comportamento indolente. Marcados pela presença de grânulos azurófilos contendo hidrolases ácidas, os Grandes Linfócitos Granulares atuam majoritariamente na destruição de células infectadas por vírus ou tumores, podendo ser divididos, de acordo com sua linhagem de origem, nos subtipos Natural Killer (NK) e Linfócitos T. Apesar da evolução frequentemente lenta, a maioria dos pacientes desenvolve manifestações clínicas relacionadas às citopenias, especialmente neutropenia, que pode predispor a infecções recorrentes ou graves e constituir o principal motivo para investigação diagnóstica. O diagnóstico baseia-se na demonstração de população clonal de linfócitos T por imunofenotipagem, associada aos achados clínicos e laboratoriais, sendo essencial para diferenciá-la de outras causas de neutropenia persistente. Objetivo: Relatar dois casos de leucemia de grandes linfócitos T granulares diagnosticados durante a investigação de neutropenia persistente, destacando a importância da imunofenotipagem e a variabilidade das manifestações clínicas e da evolução terapêutica. Relato de caso: Relatamos dois casos de T-LGL em mulheres, diagnosticadas na investigação de neutropenia persistente. A imunofenotipagem de sangue periférico foi determinante, evidenciando clone de linfócitos T citotóxicos CD3+, CD8+ e TCRαβ+, com CD5 negativo na primeira e positivo na segunda. A primeira, 87 anos, previamente hígida, apresentou neutropenia grave durante internação por pneumonia por Klebsiella pneumoniae, além de esplenomegalia; após falha do G-CSF, utilizou ciclofosfamida, evoluindo com neutropenia febril e boa recuperação. A segunda, 67 anos, com comorbidades, foi investigada por perda ponderal e neutropenia; utilizou ciclofosfamida, ajustada por hepatotoxicidade, com resposta parcial, e suspendeu G-CSF por reação adversa, mantendo artralgia e seguimento reumatológico. Discussão: A T-LGL é geralmente indolente, porém cerca de dois terços dos pacientes tornam-se sintomáticos ao longo da evolução, sendo a neutropenia observada em aproximadamente 80% desses casos. Nos casos relatados, a neutropenia persistente motivou a investigação, apresentando-se com infecção grave na primeira paciente e perda ponderal na segunda. O diagnóstico foi estabelecido após exclusão de outras causas e identificação de população clonal de linfócitos T citotóxicos CD3+, CD8+ e TCRαβ+ no sangue periférico, sendo o CD3 indicativo de origem T e diferenciando-as da forma NK. A diferença na expressão do CD5 demonstra a variabilidade imunofenotípica da doença, pois sua perda pode ocorrer, mas não é obrigatória para o diagnóstico. A artralgia na segunda paciente merece acompanhamento, considerando a associação da T-LGL com doenças autoimunes, principalmente artrite reumatoide, descrita em 10–18% dos pacientes. Apesar de ambas terem recebido ciclofosfamida e G-CSF, apresentaram respostas e tolerâncias distintas. Conclusão: A T-LGL deve ser considerada no diagnóstico diferencial da neutropenia persistente, especialmente após exclusão de causas secundárias. Os casos evidenciam a importância da imunofenotipagem para confirmação diagnóstica e ressaltam a heterogeneidade clínica, imunofenotípica e terapêutica dessa doença rara.
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AB - Introdução: A Leucemia de Grandes Linfócitos T Granulares (T-LGL) é uma doença linfoproliferativa rara caracterizada pela proliferação clonal de linfócitos T citotóxicos maduros, geralmente de comportamento indolente. Marcados pela presença de grânulos azurófilos contendo hidrolases ácidas, os Grandes Linfócitos Granulares atuam majoritariamente na destruição de células infectadas por vírus ou tumores, podendo ser divididos, de acordo com sua linhagem de origem, nos subtipos Natural Killer (NK) e Linfócitos T. Apesar da evolução frequentemente lenta, a maioria dos pacientes desenvolve manifestações clínicas relacionadas às citopenias, especialmente neutropenia, que pode predispor a infecções recorrentes ou graves e constituir o principal motivo para investigação diagnóstica. O diagnóstico baseia-se na demonstração de população clonal de linfócitos T por imunofenotipagem, associada aos achados clínicos e laboratoriais, sendo essencial para diferenciá-la de outras causas de neutropenia persistente. Objetivo: Relatar dois casos de leucemia de grandes linfócitos T granulares diagnosticados durante a investigação de neutropenia persistente, destacando a importância da imunofenotipagem e a variabilidade das manifestações clínicas e da evolução terapêutica. Relato de caso: Relatamos dois casos de T-LGL em mulheres, diagnosticadas na investigação de neutropenia persistente. A imunofenotipagem de sangue periférico foi determinante, evidenciando clone de linfócitos T citotóxicos CD3+, CD8+ e TCRαβ+, com CD5 negativo na primeira e positivo na segunda. A primeira, 87 anos, previamente hígida, apresentou neutropenia grave durante internação por pneumonia por Klebsiella pneumoniae, além de esplenomegalia; após falha do G-CSF, utilizou ciclofosfamida, evoluindo com neutropenia febril e boa recuperação. A segunda, 67 anos, com comorbidades, foi investigada por perda ponderal e neutropenia; utilizou ciclofosfamida, ajustada por hepatotoxicidade, com resposta parcial, e suspendeu G-CSF por reação adversa, mantendo artralgia e seguimento reumatológico. Discussão: A T-LGL é geralmente indolente, porém cerca de dois terços dos pacientes tornam-se sintomáticos ao longo da evolução, sendo a neutropenia observada em aproximadamente 80% desses casos. Nos casos relatados, a neutropenia persistente motivou a investigação, apresentando-se com infecção grave na primeira paciente e perda ponderal na segunda. O diagnóstico foi estabelecido após exclusão de outras causas e identificação de população clonal de linfócitos T citotóxicos CD3+, CD8+ e TCRαβ+ no sangue periférico, sendo o CD3 indicativo de origem T e diferenciando-as da forma NK. A diferença na expressão do CD5 demonstra a variabilidade imunofenotípica da doença, pois sua perda pode ocorrer, mas não é obrigatória para o diagnóstico. A artralgia na segunda paciente merece acompanhamento, considerando a associação da T-LGL com doenças autoimunes, principalmente artrite reumatoide, descrita em 10–18% dos pacientes. Apesar de ambas terem recebido ciclofosfamida e G-CSF, apresentaram respostas e tolerâncias distintas. Conclusão: A T-LGL deve ser considerada no diagnóstico diferencial da neutropenia persistente, especialmente após exclusão de causas secundárias. Os casos evidenciam a importância da imunofenotipagem para confirmação diagnóstica e ressaltam a heterogeneidade clínica, imunofenotípica e terapêutica dessa doença rara.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -