MANUTENÇÃO INTENSIFICADA VERSUS LENALIDOMIDA ISOLADA NO MIELOMA MÚLTIPLO ELEGÍVEL AO TRANSPLANTE AUTÓLOGO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
- 1Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA), Belém, PA, Brasil
- 2Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém, PA, Brasil
- 3Universidade do Estado do Pará (UEPA), Belém, PA, Brasil
Abstract
Introdução: O mieloma múltiplo é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de plasmócitos na medula óssea. A lenalidomida isolada consolidou-se como tratamento padrão na terapia de manutenção, a qual é administrada após o tratamento inicial. Nesse contexto, novas estratégias de manutenção combinada associando a lenalidomida ao carfilzomibe, com ou sem dexametasona, ou ao daratumumabe, vêm sendo investigadas com o objetivo de intensificar o controle da doença e prolongar a sobrevida livre de progressão. No cenário brasileiro, a recente incorporação da lenalidomida como terapia de manutenção, no SUS, reforça a relevância da discussão sobre estas estratégias. Objetivos: Comparar estratégias de manutenção intensificada versus lenalidomida isolada quanto à sobrevida livre de progressão em pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado elegíveis ao transplante autólogo. Material e métodos: Trata-se de revisão sistemática conduzida conforme as recomendações PRISMA. Os desfechos de interesse foram sobrevida livre de progressão e negatividade ou conversão para negatividade da doença residual mensurável. A busca foi realizada nas bases PubMed, Cochrane Library e SciELO, complementada pelo Google Acadêmico, utilizando os descritores “Multiple Myeloma”, “Maintenance Chemotherapy”, “Hematopoietic Stem Cell Transplantation”, “autologous stem cell transplant” e “randomized controlled trial'', incluindo ensaios clínicos randomizados publicados entre 2020 e 2026. A seleção dos estudos foi realizada no software Rayyan, e o risco de viés foi avaliado pela ferramenta Cochrane RoB 2. Resultados: Após a triagem, três estudos foram incluídos: ATLAS, FORTE e AURIGA. No ATLAS, a manutenção com carfilzomibe, lenalidomida e dexametasona (KRd) reduziu em 54% o risco de progressão ou morte em comparação à lenalidomida isolada (HR 0,46; p=0,0002), com sobrevida livre de progressão (SLP) em 4 anos de 67,5% versus 38,0%. No FORTE, carfilzomibe associado à lenalidomida reduziu em 36% o risco de progressão ou morte (HR 0,64; p=0,023), com SLP em 3 anos de 75% versus 65%. No AURIGA, daratumumabe associado à lenalidomida apresentou redução de 47% no risco de progressão ou morte (HR 0,53), com SLP estimada em 30 meses de 82,7% versus 66,4%; contudo, esse resultado não atingiu o limite estatístico pré-especificado na análise interina. Quanto à resposta terapêutica, o FORTE demonstrou maior frequência de negatividade da doença residual mensurável com estratégias contendo carfilzomibe, enquanto o AURIGA evidenciou maior conversão para DRM negativa com daratumumabe associado à lenalidomida (50,5% versus 18,8%; p<0,0001). Em conjunto, os estudos favorecem a intensificação da manutenção quanto à SLP, com benefício estatisticamente significativo no ATLAS e no FORTE e sinal favorável no AURIGA. Discussão e conclusão: Os estudos sugerem que estratégias de manutenção intensificada podem melhorar a sobrevida livre de progressão em pacientes com mieloma múltiplo elegíveis ao transplante autólogo. Regimes com carfilzomibe apresentaram benefício mais consistente em SLP, enquanto daratumumabe associado à lenalidomida destacou-se pela maior negativação da doença residual mensurável. Apesar da ausência de benefício definitivo em sobrevida global, os achados reforçam o potencial da intensificação terapêutica.
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AU - Julia Azevedo Parreira MARTINS
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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DO - 10.1016/j.htct.2026.107890
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AB - Introdução: O mieloma múltiplo é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de plasmócitos na medula óssea. A lenalidomida isolada consolidou-se como tratamento padrão na terapia de manutenção, a qual é administrada após o tratamento inicial. Nesse contexto, novas estratégias de manutenção combinada associando a lenalidomida ao carfilzomibe, com ou sem dexametasona, ou ao daratumumabe, vêm sendo investigadas com o objetivo de intensificar o controle da doença e prolongar a sobrevida livre de progressão. No cenário brasileiro, a recente incorporação da lenalidomida como terapia de manutenção, no SUS, reforça a relevância da discussão sobre estas estratégias. Objetivos: Comparar estratégias de manutenção intensificada versus lenalidomida isolada quanto à sobrevida livre de progressão em pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado elegíveis ao transplante autólogo. Material e métodos: Trata-se de revisão sistemática conduzida conforme as recomendações PRISMA. Os desfechos de interesse foram sobrevida livre de progressão e negatividade ou conversão para negatividade da doença residual mensurável. A busca foi realizada nas bases PubMed, Cochrane Library e SciELO, complementada pelo Google Acadêmico, utilizando os descritores “Multiple Myeloma”, “Maintenance Chemotherapy”, “Hematopoietic Stem Cell Transplantation”, “autologous stem cell transplant” e “randomized controlled trial'', incluindo ensaios clínicos randomizados publicados entre 2020 e 2026. A seleção dos estudos foi realizada no software Rayyan, e o risco de viés foi avaliado pela ferramenta Cochrane RoB 2. Resultados: Após a triagem, três estudos foram incluídos: ATLAS, FORTE e AURIGA. No ATLAS, a manutenção com carfilzomibe, lenalidomida e dexametasona (KRd) reduziu em 54% o risco de progressão ou morte em comparação à lenalidomida isolada (HR 0,46; p=0,0002), com sobrevida livre de progressão (SLP) em 4 anos de 67,5% versus 38,0%. No FORTE, carfilzomibe associado à lenalidomida reduziu em 36% o risco de progressão ou morte (HR 0,64; p=0,023), com SLP em 3 anos de 75% versus 65%. No AURIGA, daratumumabe associado à lenalidomida apresentou redução de 47% no risco de progressão ou morte (HR 0,53), com SLP estimada em 30 meses de 82,7% versus 66,4%; contudo, esse resultado não atingiu o limite estatístico pré-especificado na análise interina. Quanto à resposta terapêutica, o FORTE demonstrou maior frequência de negatividade da doença residual mensurável com estratégias contendo carfilzomibe, enquanto o AURIGA evidenciou maior conversão para DRM negativa com daratumumabe associado à lenalidomida (50,5% versus 18,8%; p<0,0001). Em conjunto, os estudos favorecem a intensificação da manutenção quanto à SLP, com benefício estatisticamente significativo no ATLAS e no FORTE e sinal favorável no AURIGA. Discussão e conclusão: Os estudos sugerem que estratégias de manutenção intensificada podem melhorar a sobrevida livre de progressão em pacientes com mieloma múltiplo elegíveis ao transplante autólogo. Regimes com carfilzomibe apresentaram benefício mais consistente em SLP, enquanto daratumumabe associado à lenalidomida destacou-se pela maior negativação da doença residual mensurável. Apesar da ausência de benefício definitivo em sobrevida global, os achados reforçam o potencial da intensificação terapêutica.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -