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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

RESPOSTA À TERAPIA IMUNOSSUPRESSORA EM PACIENTE COM HIPOPLASIA MEDULAR AUTOIMUNE: RELATO DE CASO

3 more authors
  1. 1Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Cascavel, PR, Brasil

Abstract

Introdução e Objetivos: A hipoplasia medular é caracterizada pela redução da celularidade em uma ou mais linhagens hematopoiéticas, podendo ter etiologia idiopática, congênita ou secundária a processos infecciosos e autoimunes. O diagnóstico diferencial é amplo, exigindo a exclusão de neoplasias e a investigação de doenças autoimunes e autoinflamatórias. O objetivo deste trabalho é relatar o caso de um paciente com pancitopenia e neutropenia recorrente, destacando o percurso diagnóstico que levou à identificação de hipoplasia medular autoimune e sua respectiva evolução clínica sob terapia imunossupressora. Desenvolvimento: Paciente adolescente masculino, com histórico iniciado em setembro de 2024, foi encaminhado ao serviço de hematologia por quadro de pancitopenia, tosse persistente e febre. O aspirado de medula óssea (AMO) inicial descartou malignidade, revelando hipocelularidade nas espículas com diminuição intensa da linhagem neutrofílica às custas de aumento de linfócitos, monócitos e eritroblastos. A imunofenotipagem por citometria de fluxo demonstrou apenas 1,1% de células precursoras mieloides e padrão anormal de maturação nas linhagens neutrofílica (10%) exibiu um padrão anormal de distribuição antigênica dos marcadores ausência de CD10, evidenciando um bloqueio ou desvio maturativo. A linhagem monocítica (28%) e a eritroide (14%) também apresentaram distribuições anômalas, O exame concluiu haver monocitose e linfocitose (35,5%) reativas com neutropenia intensa. Ao longo do seguimento, o paciente apresentou episódios recorrentes de neutropenia febril, amigdalite aguda, úlceras orais e celulite em face (lábio superior e narina), exigindo múltiplas internações e uso de antibioticoterapia de amplo espectro, como Cefepime, Vancomicina e Meropenem. Em fevereiro de 2025, exames laboratoriais revelaram sorologia positiva (IgM) para o vírus Epstein-Barr (EBV), sugerindo um componente infeccioso agravante ou desencadeante. Devido a sintomas sistêmicos como dor abdominal e vômitos, foram também investigadas hipóteses de Febre Familiar do Mediterrâneo e Doença de Crohn, que permanecem em acompanhamento especializado. O marco diagnóstico decisivo ocorreu com a positividade do Coombs Direto (++++), direcionando a hipótese para uma hipoplasia medular autoimune com anticorpos contra precursores hematopoiéticos. Diante da cronicidade e da gravidade das citopenias (plaquetopenia de até 19.000/mm 3 em julho de 2025), instituiu-se o tratamento com Prednisona e Ciclosporina. A evolução laboratorial demonstrou resposta positiva à imunossupressão. Em abril de 2026, o paciente apresentava leucócitos de 11.900/mm 3 e plaquetas de 132.000/mm 3 . No último registro de junho de 2026, os índices mantinham-se estáveis com Hb 15,6 g/dL, Leucócitos 9.200/mm 3 e Plaquetas 91.000/mm 3 , apesar da persistência do Coombs direto positivo, evidenciando o controle do quadro hematológico. Conclusão: Este caso ilustra a complexidade diagnóstica das falências medulares não malignas. A presença de neutropenia recorrente e infecções de repetição associada a uma medula com hipocelularidade, deve levantar a suspeita de mecanismos autoimunes quando as causas neoplásicas são excluídas. A identificação de anticorpos contra precursores hematopoiéticos (Coombs direto positivo) foi fundamental para a definição da conduta terapêutica, sendo a associação de corticoide e ciclosporina eficaz na recuperação das contagens periféricas e na redução da morbidade infecciosa do paciente.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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