RECAMBIO PLASMÁTICO TERAPÊUTICO EM DOENÇAS NEUROLÓGICAS IMUNOMEDIADAS: EXPERIÊNCIA PROSPECTIVA DE CENTRO ÚNICO NO URUGUAI
- 1CASMU-IAMPP, Uruguai;
Abstract
Introdução: O recambio plasmático terapêutico (RPT) remove autoanticorpos circulantes e mediadores inflamatórios, sendo tratamento de base para diversas doenças neurológicas imunomediadas, como a síndrome de Guillain-Barré (SGB), a miastenia gravis (MG) e doenças desmielinizantes do SNC, como a neuromielite óptica (NMO), com força de recomendação da ASFA variável entre essas condições. Objetivos: Descrever as características demográficas, do procedimento e da evolução de pacientes submetidos a RPT por indicação neurológica imunomediada em centro de referência uruguaio. Material e métodos: Estudo prospectivo, longitudinal, descritivo e observacional, realizado pelos Departamentos de Hemoterapia e Medicina Transfusional e de Neurologia do CASMU-IAMPP (Montevidéu, Uruguai), incluindo pacientes com 18 anos ou mais submetidos a RPT por indicação neuroimunológica entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025. Variáveis contínuas expressas como mediana (intervalo); categóricas como frequências absolutas/relativas. Estudo aprovado pelo comitê de ética institucional e registrado no Ministério da Saúde Pública. Resultados: Foram incluídos 13 pacientes (14 séries terapêuticas, 70 procedimentos); um paciente com MG necessitou de duas séries. Mediana de idade: 59 anos (18-76); 69,2% mulheres. SGB (30,8%) e MG (23,1%) foram os diagnósticos mais frequentes, seguidos por neurite óptica (23,1%); indicações ASFA categoria I (SGB, MG) corresponderam a 53,8% das séries. Todas as séries compreenderam 5 procedimentos com albumina a 4% e anticoagulação com ACD; acesso jugular interno direito em 85,7%. Eventos adversos em 7 das 14 séries (50,0%; 10,0% dos procedimentos), principalmente infecção respiratória pós-série (21,4%) e hipotensão (14,3%); sem suspensões nem óbitos relacionados ao tratamento. O tempo entre início dos sintomas e início do RPT variou por diagnóstico: SGB mais precoce (mediana 2 dias, 2-4), versus 19 dias (10-30) na neurite óptica, 21 dias (21-30) na MG, e 60-90 dias na NMO e encefalite imunomediada, esta última atrasada por complicações intercorrentes. No seguimento de um ano, sem recidivas em SGB ou doenças desmielinizantes do SNC; dois pacientes com MG necessitaram nova série por recidiva. Uma paciente com diagnóstico inicial de encefalite imunomediada teve diagnóstico final de linfoma após biópsia cerebral. Discussão: Estes achados são consistentes com séries internacionais que identificam SGB e MG como principais indicações neurológicas do RPT e confirmam seu perfil de segurança sob protocolos padronizados. A variabilidade no tempo até o tratamento provavelmente reflete maior certeza diagnóstica e protocolos estabelecidos de tratamento precoce no SGB, versus diagnósticos que dependem da resposta a corticoides antes de escalar para RPT. Dada a baixa prevalência dessas condições, dados prospectivos como estes são valiosos como evidência do mundo real (RWE), complementando a escassa evidência de ensaios randomizados e apoiando decisões clínicas. Conclusão: O RPT mostrou-se estratégia segura e clinicamente aplicável nesta coorte prospectiva uruguaia, com indicações alinhadas às recomendações da ASFA e baixo perfil de eventos adversos. Atrasos no início do tratamento, dependentes do diagnóstico e mais marcados além do SGB, evidenciam oportunidade de melhoria no diagnóstico e encaminhamento. Estes resultados representam a primeira caracterização prospectiva do RPT em neurologia no Uruguai e sustentam futuros estudos multicêntricos.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -