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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DETERMINANTES DE NÃO RECEBER TRATAMENTO ESPECÍFICO PARA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA NO BRASIL: ANÁLISE DO REGISTRO BRASILEIRO DE LMA

3 more authors
14 affiliations
  1. 1Instituto D'or de Pesquisa e Ensino, São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
  2. 2ICESP, HC/USP, São Paulo, SP, Brasil
  3. 3HEMOSC, Florianópolis, SC, Brasil
  4. 4ABHH, São Paulo, SP, Brasil
  5. 5AC Camargo, São Paulo, SP, Brasil
  6. 6BP – Beneficência Portuguesa São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
  7. 7Instituto D'or de Pesquisa e Ensino, DF, Brasília, DF, Brasil
  8. 8Instituto D'or de Pesquisa e Ensino, PE, Recife, PE, Brasil
  9. 9Oncologia D'Or Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasi
  10. 10Centro de Oncologia Cascavel, Cascavel, PR, Brasil
  11. 11Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
  12. 12Hospital Amaral Carvalho, Jaú, SP, Brasil
  13. 13Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil
  14. 14ICESP/USP-SP, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A leucemia mieloide aguda (LMA) é fatal sem tratamento, e a decisão de não tratar costuma ser atribuída à idade e à fragilidade do paciente. No sistema de saúde brasileiro, a disponibilidade de esquemas de menor toxicidade difere entre o SUS e a saúde suplementar, de modo que o mesmo paciente idoso pode ser julgado apto ou inapto conforme o ambiente em que é atendido. Métodos: Análise retrospectiva de 848 pacientes com LMA diagnosticada entre março/2019 e março/2026, com dados do Registro Brasileiro de LMA, apoiado pela ABHH e por seu Comitê de Leucemias. Não tratamento foi definido como ausência de terapia antineoplásica ou hidroxiureia isolada. A sobrevida global (SG) foi medida do diagnóstico, estimada por Kaplan-Meier e comparada por log-rank; demais comparações por Fisher e Mann-Whitney. A regressão logística do não tratamento incluiu idade, sexo, etnia, ambiente (SUS vs saúde suplementar) e índice de Charlson (CCI), em análise de casos completos (n=632); o ECOG, por maior proporção de dados faltantes, entrou em modelo separado. Resultados: Dos 848 pacientes, 124 (14,6%) não receberam terapia antineoplásica; 44 destes (35,5%) não tiveram avaliação medular como parte da propedêutica diagnóstica. A proporção de não tratados cresceu com a idade: 5,2% abaixo de 50 anos, 12,8% (50-59), 14,2% (60-69), 17,5% (70-79) e 40,6% aos 80 anos ou mais (p<0,001). Os não tratados eram mais velhos (mediana 70,8 vs 62,0 anos), tinham maior score de comorbidade (CCI 5 vs 4) e 93,5% vinham do SUS. Na análise multivariada (n=632), a idade (OR 1,04/ano, IC95% 1,02-1,06) e o setor de atendimento no SUS (OR 14,5, 6,8-36,4) associaram-se independentemente ao não tratamento; já comorbidade, sexo e etnia não. Em modelo incluindo estado funcional (n=380), ECOG maior ou igual a 2 associou-se ao desfecho (OR 2,28) e o efeito do SUS persistiu (OR 9,26).O efeito da idade dependeu do ambiente: no SUS, cada ano adicional elevou a chance de não tratamento (OR 1,06/ano, 1,04-1,08; p<0,001), o que não ocorreu na saúde suplementar (OR 1,02/ano, 0,98-1,08; p=0,34). Entre os 69 pacientes com 80 anos ou mais, 28 (40,6%) não foram tratados, 27 deles no SUS (p<0,001). A probabilidade de não receber tratamento no SUS acima de 80 anos de idade foi de 73,0% (55,9-86,2), comparado a 3,1% na saúde suplementar. Com seguimento mediano de 24,5 meses, a SG mediana dos não tratados foi 0,6 mês (18 dias).Naqueles pacientes acima de 80 anos que receberam tratamento, a mediana de SG diferiu substancialmente a depender do tratamento recebido: 13,3 meses com esquemas à base de venetoclax, 1,5 mês com monoterapia de baixa intensidade - azacitidina ou citarabina, (p<0,001). Neste estrato, não receber qualquer tratamento levou a uma mediana de SG de 0,5 mês, não sendo estatisticamente diferente de receber azacitidina ou citarabina em monoterapia (p=0,06). Conclusão: A ausência de tratamento associou-se a sobrevida mediana de 18 dias, e o efeito da idade concentrou-se no SUS, onde cada ano adicional elevou essa chance — efeito ausente na saúde suplementar e independente de comorbidade e estado funcional. Uma explicação provável é o acesso desigual a esquemas com venetoclax, associados a SG mediana de 13,3 meses acima dos 80 anos. Não há diferença de sobrevida entre tratar com aza/citarabina ou não tratar, e a decisão terapêutica nestes cenários de privação de venetoclax deve ser individualizada.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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